Peça de ficção, Orçamento
do Governo Federal caminha para ser impositivo
Nem tudo está perdido e é uma pena o senador Ramez Tebet não
estar vivo para acompanhar in loco uma mudança que, se acontecer, vai acabar
com o orçamento de ficção aprovado todo final de ano pelos parlamentares.O
presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, pediu, nesta terça-feira, à
Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) a aprovação, o quanto antes, da admissibilidade das propostas de emenda à Constituição
(PEC 565/06 e outras 15
apensadas) que prevêem a execução obrigatória das emendas parlamentares – o
chamado Orçamento impositivo para as emendas.Ramez era um dos principais defensores da medida. As acusações de desvio de dinheiro
público trouxeram novamente ao debate parlamentar o projeto de implantação do
orçamento impositivo como forma de impedir que o Executivo possa contingenciar
verbas, realizar cortes ou executar discricionariamente a programação
orçamentária.
O Orçamento Impositivo Está em discussão no
Congresso Nacional através da PEC nº
22/2000. Pela proposta, o Poder Executivo seria obrigado – e não apenas
autorizado – a cumprir o Orçamento Geral da União tal qual aprovado pelos
parlamentares.
Negociatas políticas
No modelo atual, também conhecido como orçamento autorizativo, o
governo reavalia periodicamente as contas públicas e, com base na arrecadação
de imposto e contribuições, reprograma os gastos até o final do ano. Se adotado
o Orçamento Impositivo, o governo perderia essa discricionariedade.Acabaria
também com a farra das emendas parlamentares, “mina de ouro´´ ( como já abordado pelo blog) que têm
se tornado instrumentos de barganha
política entre o Executivo e o Legislativo porque permitem que o governo
negocie a liberação do dinheiro em troca de votos para projetos de seu
interesse, fazendo da peça orçamentária uma mera declaração de intenções,
sujeita a troca de favores e interesses em uma interação às escondidas entre a
burocracia federal, os membros da comissão de orçamento e os interessados
diretos nos gastos.
Prioridade na CCJ
“Venho aqui fazer apelo à CCJ para que agilize, se possível com a máxima
urgência, a votação da admissibilidade das 16 PECs que estão aqui e que tratam
do orçamento impositivo”, afirmou o presidente da Câmara.O apelo surtiu efeito: foi feita a
inversão de pauta da CCJ, e a admissibilidade da PEC, que era o 53º item da
pauta, foi transferido para o primeiro lugar.

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