ESPECIAL
Uma parceria
pela saúde pública brasileira
Nos últimos anos o Serviço Único de Saúde (SUS) não é o único a ser alvo de reclamações dos brasileiros. Os hospitais particulares, bem como os planos de saúde, também vêm gerando insatisfação aos usuários. A demora no atendimento no pronto-socorro ou para uma consulta no serviço privado, em alguns casos, chega a ser maior do que na área pública.
As
dificuldades do SUS também passam pelos serviços suplementares. Precisamos
caminhar em conjunto, tanto os planos de saúde como serviço público, mas
infelizmente esta não é a nossa realidade, pois, assim como no SUS, os planos
de saúde também enfrentam dificuldades em algumas especialidades, como leitos
disponíveis, entre outros. O problema sempre é a linha de frente. Precisamos
abrir novas perspectivas em termos de atenção terciária.
Na minha opinião o serviço de saúde deve ser
unificado, pois um sistema complementa o outro, e é assim que saúde deve
funcionar. Não adianta investir apenas no SUS, por exemplo. É preciso levantar
o quanto antes uma discussão sobre o assunto, fazendo um diagnóstico melhor da
Saúde, ao invés de ficar discutindo assuntos superficiais que atendem à
necessidade dos usuários em apenas um determinado momento.
Defendo também a definição de uma estrutura
clara e bem articulada entre União, estados e municípios na prestação de
serviços de saúde. Atualmente, os municípios são responsáveis por atendimentos
de baixa e de média complexidade, enquanto os estados cuidam de atendimentos de
média e de alta complexidade e a União, dos atendimentos de alta complexidade.
Essa linha de cuidado bastante fragmentada por esferas de governo faz com que o
encaminhamento de pacientes de atendimentos mais simples para os mais complexos
– por exemplo, de uma unidade básica de saúde municipal para um hospital
estadual – não aconteça com facilidade, mesmo nos municípios que desfrutam de
boas relações com os níveis estadual e federal. Além de prejudicial aos
usuários, essa fragmentação faz com que não seja claro qual é o papel das
secretarias municipais de saúde: elas são prestadoras de serviço ou
gerenciadoras do sistema? Enquanto essa definição não vem, uma alternativa é
continuar apostando na gestão compartilhada com parceiros de natureza privada,
já que – ao contribuir ao aprimoramento da gestão pública do setor – ela
permite às secretarias não descuidar das obrigações constitucionais que têm
como gerenciadoras do sistema.
Ficam essas idéias, para iniciarmos um debate
sério sobre alternativas para salvar o SUS.
*Eduardo Marcondes, ex-secretário de saúde e ex-vereador em Dourados, é médico pediatra
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