quarta-feira, 6 de março de 2013

Artigo especial sobre a crise no SUS e uma alternativa



 ESPECIAL

Uma parceria pela saúde  pública brasileira

   Nos últimos anos o Serviço Único de Saúde (SUS) não é o único a ser alvo de reclamações dos brasileiros. Os hospitais particulares, bem como os planos de saúde, também vêm gerando insatisfação aos usuários. A demora no atendimento no pronto-socorro ou para uma consulta no serviço privado, em alguns casos, chega a ser maior do que na área pública.

   As dificuldades do SUS também passam pelos serviços suplementares. Precisamos caminhar em conjunto, tanto os planos de saúde como serviço público, mas infelizmente esta não é a nossa realidade, pois, assim como no SUS, os planos de saúde também enfrentam dificuldades em algumas especialidades, como leitos disponíveis, entre outros. O problema sempre é a linha de frente. Precisamos abrir novas perspectivas em termos de atenção terciária.

   Na minha opinião o serviço de saúde deve ser unificado, pois um sistema complementa o outro, e é assim que saúde deve funcionar. Não adianta investir apenas no SUS, por exemplo. É preciso levantar o quanto antes uma discussão sobre o assunto, fazendo um diagnóstico melhor da Saúde, ao invés de ficar discutindo assuntos superficiais que atendem à necessidade dos usuários em apenas um determinado momento.

  Defendo também a definição de uma estrutura clara e bem articulada entre União, estados e municípios na prestação de serviços de saúde. Atualmente, os municípios são responsáveis por atendimentos de baixa e de média complexidade, enquanto os estados cuidam de atendimentos de média e de alta complexidade e a União, dos atendimentos de alta complexidade. Essa linha de cuidado bastante fragmentada por esferas de governo faz com que o encaminhamento de pacientes de atendimentos mais simples para os mais complexos – por exemplo, de uma unidade básica de saúde municipal para um hospital estadual – não aconteça com facilidade, mesmo nos municípios que desfrutam de boas relações com os níveis estadual e federal. Além de prejudicial aos usuários, essa fragmentação faz com que não seja claro qual é o papel das secretarias municipais de saúde: elas são prestadoras de serviço ou gerenciadoras do sistema? Enquanto essa definição não vem, uma alternativa é continuar apostando na gestão compartilhada com parceiros de natureza privada, já que – ao contribuir ao aprimoramento da gestão pública do setor – ela permite às secretarias não descuidar das obrigações constitucionais que têm como gerenciadoras do sistema.

  Ficam essas idéias, para iniciarmos um debate sério sobre alternativas para salvar o SUS.


*Eduardo Marcondes, ex-secretário de saúde e ex-vereador em Dourados, é médico pediatra

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