Quem achava que a
eleição de um novo papa tiraria o Vaticano dos holofotes de escândalos se
decepcionou. A polêmica sobre o posicionamento de Bergoglio, agora Francisco I,
durante a ditadura foi destaque nas redes sociais. 'Um cardeal que não
excomungou (o ex-ditador Jorge Rafael) Videla nunca será um papa para todos e
todas', escreveu em seu mural no Facebook a transexual Melisa Stella Saagratta.
A denúncia sobre os
supostos vínculos de Bergoglio com o regime militar foi feita pelo jornalista
Horacio Verbitsky, no livro El Silencio. Segundo ele, testemunhos de vítimas do
regime indicavam em 1976 Bergoglio, então chefe da congregação jesuíta na
Argentina, teria retirado a proteção a dois sacerdotes de sua ordem que
realizavam tarefas sociais em bairros pobres de Buenos Aires.
Os dois religiosos -
Orlando Yorio e Francisco Jalics- foram detidos em 1976 e ficaram presos por
cinco meses na Escola Mecânica da Marinha, local conhecido por ter sido um dos
principais centros de tortura durante a ditadura argentina.
O então cardeal também
foi chamado como testemunha em processos relacionados à ditadura, como o caso
do desaparecimento de uma mulher grávida, filha de uma das cofundadoras da
organização Avós da Praça de Maio, ou o sequestro e assassinato de um padre
francês na província de La Rioja, em 1976.Adolfo Perez Esquivel, premio nobel da paz, defendeu o novo papa, rechaçando eventuais vinculos dele coma ditadura de Videla.
O homem mais generoso e
inteligente que já existiu ou um maquiavélico que traiu seus irmãos e os
entregou ao desaparecimento e à tortura aos militares é a dúvida que já
paira na terra do tango.
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