"Rasoavel”, “enchergar”, “trousse”. Esses
são alguns dos erros de grafia encontrados em redações que receberam nota 1.000
no Exame. Além desses absurdos na língua portuguesa, várias redações continham
graves problemas de concordância verbal, acentuação e pontuação.
Na mesma redação em que figura a grafia “rasoavel”, palavras
como “indivíduos”, “saúde”, “geográfica” e “necessário” aparecem sem acento. E
ao menos dois períodos terminam sem o ponto final.Em outro texto, além da palavra “trousse”, há ausência de
acento circunflexo em “recebê-los” e uso impróprio da forma “porque” na
pergunta “Porém, porque (sic) essa população escolheu o Brasil?”.
Pós-doutor em Linguística Aplicada e professor da UFRJ e da
Uerj, Jerônimo Rodrigues de Moraes Neto diz que essas redações não deveriam
receber a pontuação máxima.Claudio Cezar Henriques, professor titular de Língua
Portuguesa do Instituto de Letras da Uerj, reitera que, ao ingressar na
universidade, esses alunos terão de se ajustar às normas da língua de prestígio
acadêmico se quiserem se tornar profissionais capacitados. Ele observa que a
banca corretora não usa o termo “erro”, mas “desvio”, algo que, segundo ele, é
“eufemismo da moda”.
— A demagogia política anda de braço dado com a demagogia
linguística. É preciso lembrar que as avaliações oficiais julgam os alunos, mas
também julgam o sistema e essses alunos jamais tirariam nota máxima, pois contêm erros que a sociedade não aceita. Afinal, pareceres, relatórios, artigos científicos, livros e matérias de jornal que contiverem esses desvios/erros colocarão em risco o emprego de revisores, pesquisadores e jornalistas, não é? — ele indaga.

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