sábado, 9 de março de 2013

Mourão, “leis” e emendas


Papel aceita tudo.Mas há que se ter cuidado para não confundir, intencionalmente ou não, alhos com bugalhos. Lí em alguns meios de comunicação matéria com o título “Lei de Marcelo Mourão obriga unidades de saúde a detalhar os plantões médicos em Dourados”.Não é bem assim, como éticamente explica o teor da matéria, o que nós jornalistas chamamos de “corpo da matéria”.

“O vereador Marcelo Mourão (PSD) é autor do projeto de lei, já aprovado em primeira votação na Câmara de Dourados....

“A lei proposta pelo vereador ......”  continua a matéria, confirmando que o que há é uma proposta, um projeto, meritório por sinal,que embora já aprovado em primeira votação terá que passar por mais uma votação e, se aprovado novamente, ir à sanção do prefeito e publicada no Diário Oficial.Aí sim é uma lei.

Essa marotagem é fartamente usada por deputados federais: “Fulano garante emenda.....”

Oras, emenda ao Orçamento é uma intenção, que ao leitor mais incauto sugere “recursos”.Também não é bem  assim. O Orçamento brasileiro é apenas autorizativo e não impositivo, ou seja, o Governo Federal só libera estes recursos se quiser. Além disso, quando o governo está apertado, faz o chamado contingenciamento, ou seja, ele segura o dinheiro das emendas e vai soltando a conta-gotas;

E ainda tem a questão política: se o parlamentar não “estiver de bem” com o Governo Federal (sendo politicamente fiel), suas emendas podem demorar um pouquinho mais, embora o discurso do governo sempre negue este fato.Ou seja:Lei é lei e recurso é recurso.O resto é recurso de linguagem.

 

 

 

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