A experiência brasileira pode ajudar outros
países em desenvolvimento a alavancar o combate ao trabalho infantil. A
avaliação é da coordenadora do Programa de Cooperação Sul-Sul da Organização
Internacional do Trabalho (OIT), Fernanda Barreto. Ela acredita que o
compartilhamento de práticas entre países que vivem realidades semelhantes
garante uma “resposta mais efetiva”.
Chaga
mundial, troca de experiências
A coordenadora da OIT lembrou que a erradicação
da exploração da mão de obra de crianças e adolescentes é uma preocupação
mundial, principalmente porque o ritmo de queda vem diminuindo em diversos
países. “Quando um país como o Brasil apresenta a nações com características parecidas
uma iniciativa que ele implementou, e tem dado resultados, a aceitação é muito
positiva, porque não é uma troca de cima para baixo. Não é uma instituição
dizendo que aquilo dá certo, mas um compartilhamento de igual para igual, entre
nações que enfrentam o mesmo problema”, disse.
Bolsa
Família e PETI
Fernanda Barreto ressaltou o protagonismo
brasileiro na promoção do trabalho decente e enfatizou que as políticas de
transferência de renda condicionadas à frequência escolar, como o Bolsa
Família, são exemplos de medidas que despertam o interesse de muitos países. Esqueceu
de citar o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PET), desenvolvido
pelo Governo Federal em parceria com os municípios e que retira crianças de
situações de trabalho infantil.
Crime,
segundo a CF
De acordo com a OIT, trabalho infantil é toda
forma de trabalho exercida por crianças e adolescentes abaixo da idade mínima
legal permitida, conforme a legislação de cada país. A Constituição Brasileira
estabelece que, até 16 anos incompletos, meninos e meninas estão proibidos de
trabalhar. A única exceção à proibição é o trabalho na condição de aprendiz,
permitido a partir dos 14 anos, para tipos de atividades que apresentem os
requisitos legais para a aprendizagem profissional.
Números
perversos
A OIT estima que 215 milhões de crianças em todo
o mundo são vítimas desse tipo de exploração. Entre 2000 e 2004 houve uma
diminuição de 10% no número de crianças e adolescentes envolvidas no trabalho
infantil. Entre 2004 e 2008, o percentual caiu para 3%, mesmo índice
apresentado pelo Brasil no período. Se cita o Brasil como exemplo no combate ao
trabalho infantil, a representante da OIT faz uma estimativa vergonhosa: cerca 1,4 milhão de crianças e adolescentes
com idades entre 5 e 14 anos trabalham no país.



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