quinta-feira, 7 de março de 2013

"Hospicio" Estrela Hory:Deus, cuida dessa gente





Pelas grades de uma janela, um ser humano esquálido, fazendo movimentos desconexos, olha o mundo que passa lá fora.Ele fica trancafiado, como um presidiário, o dia inteiro, pois por ser portador de doença mental seu convívio social é impedido através dessa maneira pouco ortodoxa: o isolamento, sem ver sequer a luz do sol.Enquanto este fica trancafiado, outros doentes mentais jogam pedras no vizinhos, colocam fogo na residência desses mesmo vizinhos e, também assim como o individuo descrito no começo deste texto, olham o mundo que passa lá fora. No local nada funciona. Sem infra-estrutura adequada, moradores com dificuldade de locomoção ficam praticamente isolados do resto da cidade. À época do lançamento do conjunto, ser Portador de Necessidadas Especiais ou doentes mentais era pré-requisito para cadastro e posterior recebimento das casas.

Se no caso dos doentes mentais a situação é de emocionar,no caso dos Portadores de Necessidades Especiais de locomoção a situação não é menos caótica.As residências projetadas para dar acessibilidade também apresentam problemas.Espaços pequenos impedem que cadeirantes possam se locomover dentro de casa. “Somente as portas maiores estão regulares. O sofá, por exemplo, fica na varanda, porque se for colocado na sala eu não entro com a cadeira. Minha família, que não têm deficiência, é obrigada a ficar do lado de fora da casa”, narra um morador.

Outra preocupação é que o bairro abriga pessoas com diferentes deficiências.Frequentemente pessoas com problemas mentais se descontrolam. Já aconteceu de cadeirantes serem agredidos por conta disso. Não tem nem como se defender, porque o cadeirante, ou que usa muletas, por exemplo, acaba se tornando frágil em algumas situações.
  
Até dias atrás as famílias não contavam com muro nas casas. Com isso, deficientes mentais ficavam “presos” dentro das residências porque quando saiam acabavam se perdendo pelo bairro. O problema foi resolvido, depois que os moradores passaram a custear as construções. O mesmo acontece com as rampas de acesso. “Quem precisa, tem que pagar”, desabafa Israel Marinho.No bairro não há esgoto, e as caixas d’água estão quebradas.
 O blog está falando do conjunto Estrela Hory, criado na gestão do prefeito Tetila e que se tornou um “hospício urbano”.
Deus, cuida dessa gente.

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