Pelas grades de uma
janela, um ser humano esquálido, fazendo movimentos desconexos, olha o mundo
que passa lá fora.Ele fica trancafiado, como um presidiário, o dia inteiro,
pois por ser portador de doença mental seu convívio social é impedido através
dessa maneira pouco ortodoxa: o isolamento, sem ver sequer a luz do sol.Enquanto
este fica trancafiado, outros doentes mentais jogam pedras no vizinhos, colocam
fogo na residência desses mesmo vizinhos e, também assim como o individuo
descrito no começo deste texto, olham o mundo que passa lá fora. No local nada
funciona. Sem infra-estrutura adequada, moradores com dificuldade de locomoção
ficam praticamente isolados do resto da cidade. À época do lançamento do conjunto, ser Portador de Necessidadas Especiais ou doentes mentais era pré-requisito para cadastro e posterior recebimento das casas.
Se no caso dos
doentes mentais a situação é de emocionar,no caso dos Portadores de Necessidades
Especiais de locomoção a situação não é menos caótica.As residências projetadas
para dar acessibilidade também apresentam problemas.Espaços pequenos impedem
que cadeirantes possam se locomover dentro de casa. “Somente as portas maiores
estão regulares. O sofá, por exemplo, fica na varanda, porque se for colocado
na sala eu não entro com a cadeira. Minha família, que não têm deficiência, é
obrigada a ficar do lado de fora da casa”, narra um morador.
Outra preocupação é
que o bairro abriga pessoas com diferentes deficiências.Frequentemente pessoas com problemas mentais se descontrolam. Já aconteceu de
cadeirantes serem agredidos por conta disso. Não tem nem como se defender,
porque o cadeirante, ou que usa muletas, por exemplo, acaba se tornando frágil
em algumas situações.
Até dias atrás as
famílias não contavam com muro nas casas. Com isso, deficientes mentais ficavam
“presos” dentro das residências porque quando saiam acabavam se perdendo pelo
bairro. O problema foi resolvido, depois que os moradores passaram a custear as
construções. O mesmo acontece com as rampas de acesso. “Quem precisa, tem que
pagar”, desabafa Israel Marinho.No bairro não há esgoto, e as caixas d’água
estão quebradas.
O blog está falando do conjunto Estrela Hory,
criado na gestão do prefeito Tetila e que se tornou um “hospício urbano”.
Deus, cuida dessa gente.
Deus, cuida dessa gente.

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