Vou
gastar tempo e fosfato para espinafrar, dentro do preceito do livre trânsito
das idéias e como forma de estimular o debate sobre o tema, uma coisa que tem
me incomodado nos últimos tempos. Trata-se do uso, sobretudo na comunicação
oficial, do termo “deficientes físicos”.
01)
Antes de partir-se para a conceituação de pessoa
portadora de deficiência, é de suma importância tratar-se da questão
terminológica, afinal o que se vê no decorrer da história é a utilização de
expressões equivocadas e que levam muitas vezes a utilização de termos com
conotação pejorativa e negativa. Usa-se, comumente, diversas expressões usadas
para definir pessoas portadoras de deficiência, quais sejam, “indivíduos de
capacidade limitada”,“minorados”,“impedidos”,“descapacitados”,“excepcionais”,
“minusválidos”, “disable person”, “handicapped person”, “unsual person”,
“special person”, “inválido”, além ainda da expressão “deficiente”, que é a
mais utilizada.
02)
De todas as expressões utilizadas as mais usual são
excepcional, deficiente e pessoa portadora de deficiência. Na esfera
constitucional, a expressão “excepcional” foi utilizada pela Emenda
Constitucional n. 1, de 1999, para designar as pessoas portadoras de
deficiência, trazendo uma conotação negativa, ou seja, de insuficiência. A expressão
“deficiente” é certamente a mais utilizada e também traz em seu bojo um sentido
pejorativo, uma conotação de “falta, carência, insuficiência”. Muitos
argumentam, com razão, que o termo deficiente mais serve para ressaltar as
diferenças do indivíduo do que as suas similaridades com o chamado grupo
“normal”. Quanto à expressão “pessoas portadoras de deficiência”, utilizada na
Constituição Federal de 1.988 e também no âmbito infraconstitucional, apresenta
falhas na denominação, afinal traz a idéia de uma falta, falha sensorial,
mental ou motora.
03)
Atualmente, em função das falhas nos termos
expostos, a expressão pessoa portadora de deficiência, começa a ser
questionada, propondo-se, alternativamente, o uso da expressão “pessoas
portadoras de necessidades especiais”.Aqui,um detalhe:a arquitetura de há
muito,por força de lei e bom senso dos arquitetos, deixou de usar,em obras
públicas ou privadas, a expressão “deficientes”, substituindo-a por “Portadores
de necessidades especiais”, como nas identificações de sanitários adaptados
para essa parcela da sociedade.
Este posicionamento leva em conta que apesar do
fato da expressão mais comumente empregada seja a de “pessoas portadoras de
deficiência”, inclusive em sede constitucional e infraconstitucional, ser mais
adequada a expressão “pessoas portadoras de necessidades especiais”,
terminologia que não deve ressaltar a dependência da pessoa com deficiência,
mas evidenciar tais pessoas como seres humanos, detentores de direitos, com o
reconhecimento mais de suas “diferenças” do que de suas “deficiências”.
Moral da história
A construção de uma verdadeira sociedade inclusiva
passa também pelo cuidado com a linguagem. A expressão “Deficientes Físicos” espressa,voluntariamente
ou involuntariamente, o desrespeito e a discriminação em relação às pessoas com
“deficiências”. Esse termo, deficiente físico, se utilizava muito no passado,
quando a desinformação e o preconceito a respeito de pessoas com “deficiência”
eram de tamanha magnitude que a sociedade acreditava na normalidade das pessoas
sem “deficiência”.No mais, falta mais eficiência intelectual por parte de
alguns escribas.....

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