quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Ratzinger: nem tão santo assim...
O “festival” que se está fazendo em torno da figura do agora ex-papa Bento 16 conflita com seu passado. Ratzinger foi nomeado em 1981 para dirigir a Congregação para a Doutrina da Fé (CDF), órgão que sucedeu ao tribunal da Inquisição.Na sua opinião, era necessário restabelecer os pilares tradicionais da doutrina e da teologia, após um período de experimentação.É bem verdade que mais tarde arrefeceu em seu conservadorismo, escrevendo teses bonitas sobre a necessidade de tolerância entre as diferenças, mas foi mais por instinto de sobrevivência que por convicção.
Como chefe da CDF, Ratzinger voltou-se contra a Teologia da Libertação, então muito em voga na América Latina, e foi ditador ao condenar o frade brasileiro Leonardo Boff a um ano de silêncio público em questões teológicas, por causa de seus escritos de viés marxista. Ratzinger “mão de ferro” abandona o navio em meio a sérios problemas financeiros e com a credibilidade da igreja no chão. A investigação por lavagem de dinheiro envolvendo o Banco do Vaticano, as revelações feitas pelo mordomo Paolo Gabriele, os escândalos de pedofilia e o número decrescente de fiéis e doações são alguns dos problemas mais graves de uma igreja que, segundo uma investigação da revista inglesa The Economist, gastou em 2010 cerca de 171 bilhões de dólares.

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