segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Tetila ontem e hoje...a humanidade melhora...



Tetila ontem

Sem acessibilidade, o quarteirão do bairro Estrela Hori, não cumpre o papel pelo qual foi projetado: garantir qualidade de vida aos deficientes. No local nada funciona. Sem infra-estrutura adequada, moradores com dificuldade de locomoção ficam praticamente isolados do resto da cidade. Uma ação no Ministério Público pede que a prefeitura refaça a obra, que foi entregue pelo ex-prefeito Laerte Tetila, em outubro de 2003, a 22 famílias.

De acordo com a Promotoria dos Direitos da Pessoa com Deficiência, a prefeitura respondeu recentemente a solicitação do MP informando que uma equipe esteve no local realizando as obras necessárias e que algumas delas não teriam condições de ser realizadas no momento. Por conta disso, uma equipe do Departamento de Apoio às Atividades de Execução (Daex) do MP vai fiscalizar se a prefeitura de fato realizou as obras de adaptação, para depois encaminhar novo relatório à promotoria, ainda esta semana.

De acordo com o morador Israel Marinho da Silva, até agora pouco ou quase nada foi feito pelo município. Segundo ele, a principal dificuldade é a falta de calçadas e asfalto para que os cadeirantes possam ir e vir. “Nós ficamos presos em casa, pois com ruas intransitáveis é impossível andar de cadeira de rodas. Quando chove a situação é ainda pior”, revela.

Ele conta que as residências projetadas para dar acesso também apresentam problemas. Espaços pequenos impedem que cadeirantes possam se locomover dentro de casa. “Somente as portas maiores estão regulares. O sofá, por exemplo, fica na varanda, porque se for colocado na sala eu não entro com a cadeira. Minha família, que não têm deficiência é obrigada a ficar do lado de fora da casa”, descreve a situação.

Outra preocupação é que o quarteirão do bairro abriga pessoas com diferentes deficiências. “Frequentemente pessoas com problemas mentais se descontrolam. Já aconteceu de cadeirantes serem agredidos por conta disso. Não tem nem como se defender, porque o cadeirante, ou que usa muletas, por exemplo, acaba se tornando frágil em algumas situações”, avalia, observando que os mentais deveriam ter atendimento especializado.

Até dias atrás as famílias não contavam com muro nas casas. Com isso, deficientes mentais ficavam “presos” dentro das residências porque quando saiam acabavam se perdendo pelo bairro. O problema foi resolvido, depois que os moradores passaram a custear as construções. O mesmo acontece com as rampas de acesso. “Quem precisa, tem que pagar”, desabafa Israel Marinho.

No bairro não há esgoto, e as caixas d’água estão quebradas. “Nem mesmo a promessa da construção da praça no bairro foi cumprida”, diz o cadeirante. A deficiente Luciana Ferreira Sales, disse que devido a ruas estreitas, o ônibus não chega no bairro. “Eu vou seguindo a pé, mesmo sem poder porque tenho problemas no quadril e vou até o bairro Canaã I para conseguir pegar a circular. Em dias de chuva é impossível sair de casa”, reclama


Tetila hoje


Em discurso nesta quinta-feira (7/2), o deputado estadual Laerte Tetila (PT) propôs a construção de moradias assistidas em Mato Grosso do Sul para atender pessoas com deficiência que estejam em situação de vulnerabilidade.

Ele antecipou que está elaborando um projeto de lei para permitir a construção desses lares. “Notamos que existe um grande problema no atendimento aos deficientes que estão abandonados”, disse.

A casa assistida trata-se de um ou vários prédios que tenham funcionalidade para atender pessoas com dificuldade de locomoção e com uma equipe multidisciplinar, com médicos, enfermeiros e fisioterapeutas para atendimento aos moradores. Além disso, as casas seriam locais para desenvolver potencialidades, com educação e cultura.

Essas moradias, explicou Tetila, deverão ser localizadas próximas a equipamentos públicos como postos de saúde, escolas e Cras (Centro de Atendimento de Assistência Social).

Tetila avaliou ser preciso avançar muito com relação à integração aos deficientes, que no período colonial eram colocados em porões, para ficarem escondidos e excluídos do convívio social. “Essa tradição, de certa maneira, continua”, alertou.

A necessidade desse atendimento diferenciado consta na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU (Organização das Nações Unidas) de 2007, da qual o Brasil é signatário, destacou Tetila.

0 comentários:

Postar um comentário