Para críticos das cotas, os resultados da pesquisa
Ibope não indicam uma reflexão objetiva sobre essa política afirmativa, mas
surgem de uma reação ao tema da desigualdade. Segundo o sociólogo Demétrio
Magnoli, por exemplo, o resultado do levantamento é uma mostra de que a imensa maioria dos
brasileiros é contrária às desigualdades sociais e costuma ser favorável a
qualquer política que pareça gerar uma redução desse problema. "Mas, com
isso, aparece uma forma mágica de acesso que tende a ocultar o debate sobre o
nível das escolas públicas."
Ele afirma que a estratégia interessa a políticos
de todos os partidos, ao agradar ONGs e ser garantia de votos. "Uma
aparente solução agrada grupos com muito peso eleitoral. E estar ao lado de
grupos influentes dá melhores resultados políticos que defender interesses
difusos, como a melhoria da educação."
Segundo Magnoli, ter a oposição da população a
algum consenso político é impossível. "Isso só aconteceria em uma
ditadura." Por isso, até intelectuais tradicionalmente contrários mudaram
de ideia recentemente, diz ele. "Depois que tudo foi decidido, eles acham
melhor não confrontar o poder na sua universidade. Há uma tendência histórica
dos nossos intelectuais de ser favoráveis ao poder."
0 comentários:
Postar um comentário