
A Polícia Federal (PF) e Ministério Público Federal (MPF) abriram inquérito para apurar a retenção de cartões de crédito e benefícios sociais que pertencem a índios de Dourados por parte de comerciantes.A prática já foi investigada por duas Comissões Parlamentares de Inquérito (da Assembléia Legislativa e da Câmara dos Deputados) criadas para investigar a desnutrição de crianças da reserva de Dourados. Conforme se apurou |à época, proprietários de alguns mercados e mercearias dentro e fora da Reserva de Dourados estariam retendo cartões de aposentadoria e Bolsa Família para liberarem compras. Além de ficar refém desses empresários, já que segundo denúncia, as famílias são obrigadas a comprar apenas nestes locais, há denuncia de que os índios pagam todo o salário por pouca comida. De acordo com lideranças das aldeias Jaguapirú e Bororó, os comerciantes denunciados seriam do ramo alimentício e vestuário. Eles estariam espalhados pela Reserva e bairros de Dourados. De acordo com lideranças dos indígenas, o fato é que a maioria das famílias, com pouca instrução, são facilmente exploradas.O esquema é perverso:segundo as lideranças indígenas, o comerciante vende a prazo para o indígena, mas retém o cartão dele e no dia do pagamento do benefício o próprio comerciante ou um funcionário do estabelecimento vai até o caixa eletrônico e faz o saque da conta do indígena.A prática, realizada sem nenhuma fiscalização, abre margem para verdadeiros “roubos”, já que alguns indígenas não sabem quais foram o valores sacados e se estas quantias são, de fato, o que eles tinham consumido nos estabelecimentos.A constatação do crime está no relatório final das duas CPIs, cujos membros visitaram os estabelecimentos acusados que, precavidos, deram "sumiço" nos cartões.
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