Sete meses depois da instalação da
Comissão Nacional da Verdade, criada para investigar os crimes praticados
pelos militares também pelos grupos de esquerda, integrantes do grupo se
reuniram pela primeira vez com os três comandantes militares. Foi no início de
dezembro, a sete chaves e sob sigilo rigoroso. A reunião, um almoço no
Ministério da Defesa, foi costurada pelo ministro Celso Amorim. Um diálogo
difícil para os militares, que, na cerimônia de maio no Palácio do Planalto,
quando da criação da comissão, recusaram-se a aplaudir o evento.
O Ministério da Defesa confirmou o
encontro, mas os comandos de Exército, Marinha e Aeronáutica não se
pronunciaram. Pela Comissão da Verdade compareceram o coordenador Cláudio
Fonteles, ex-procurador-geral da República; Paulo Sérgio Pinheiro, ex-ministro
dos Direitos Humanos; e Rosa Cardoso da Cunha, ex-advogada de presos políticos,
entre eles a presidente Dilma Rousseff.
Foi um encontro e uma conversa sem
sobressaltos, mas marcado pela firmeza dos dois lados. A Comissão da Verdade cobrou documentos
dos arquivos oficiais. Os militares, por sua vez, sugeriram que os pedidos do
grupo que investiga crimes da ditadura sejam mais específicos, menos genéricos. Para
amenizar a conversa, os membros da comissão lembravam que os militares de hoje
não são os mesmos da ditadura. Um tema que incomoda os militares não foi
tocado: a apuração de crimes cometidos por militantes da esquerda. Essa é a
principal cobrança de integrantes da reserva que se manifestam, e se incomodam,
com a comissão.
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