domingo, 17 de fevereiro de 2013

Comissão da Verdade abre diálogo com militares


Sete meses depois da instalação da Comissão Nacional da Verdade, criada para investigar os crimes praticados pelos militares também pelos grupos de esquerda, integrantes do grupo se reuniram pela primeira vez com os três comandantes militares. Foi no início de dezembro, a sete chaves e sob sigilo rigoroso. A reunião, um almoço no Ministério da Defesa, foi costurada pelo ministro Celso Amorim. Um diálogo difícil para os militares, que, na cerimônia de maio no Palácio do Planalto, quando da criação da comissão, recusaram-se a aplaudir o evento.

O Ministério da Defesa confirmou o encontro, mas os comandos de Exército, Marinha e Aeronáutica não se pronunciaram. Pela Comissão da Verdade compareceram o coordenador Cláudio Fonteles, ex-procurador-geral da República; Paulo Sérgio Pinheiro, ex-ministro dos Direitos Humanos; e Rosa Cardoso da Cunha, ex-advogada de presos políticos, entre eles a presidente Dilma Rousseff.

Foi um encontro e uma conversa sem sobressaltos, mas marcado pela firmeza dos dois lados. A Comissão da Verdade cobrou documentos dos arquivos oficiais. Os militares, por sua vez, sugeriram que os pedidos do grupo que investiga crimes da ditadura sejam mais específicos, menos genéricos. Para amenizar a conversa, os membros da comissão lembravam que os militares de hoje não são os mesmos da ditadura. Um tema que incomoda os militares não foi tocado: a apuração de crimes cometidos por militantes da esquerda. Essa é a principal cobrança de integrantes da reserva que se manifestam, e se incomodam, com a comissão.



 

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