Joseph
Ratzinger, que acaba de anunciar sua renúncia ao papado, ficará dentro do
Vaticano depois de sua renúncia, supostamente para garantir a tranquilidade
para rezar e estudar pelo resto de seus dias. Mas fontes na Santa Sé
confirmaram ontem que o papa Bento XVI também garantirá com isso sua imunidade
legal, blindando o pontífice de qualquer tipo de processo que eventualmente
seja lançado sobre os escândalos de pedofilia que assolaram a Igreja nos
últimos dez anos.Críticos do papa apontam que ele, durante o pontificado de
João Paulo II, teria sido informado sobre dezenas de casos de pedofilia e
jamais atuou. Como papa, porém, Bento XVI adotou uma política de tolerância
zero em relação aos casos, suspendendo padres e determinando punições. Na
Irlanda, por exemplo, ele pediu perdão às famílias das vítimas, reconhecendo o
erro. Mas, ainda assim, sua gestão foi vista como insuficiente.O aspecto mais
importante da decisão de ficar dentro do Vaticano seria suas garantias
jurídicas e sua capacidade de manter sua imunidade.Pelos acordos entre a Itália
e o Vaticano, o território da Santa Sé é inviolável, o que significa que o papa
jamais poderá ser detido pela Justiça italiana enquanto ele estiver dentro de
seu território, seja para testemunhar em um caso ou simplesmente para ser
processado.A Igreja diz não acreditar que processos contra o papa possam
surgir. Mas, diante de uma série de casos polêmicos em vários países, a opção
foi por não arriscar.

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