quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Transgênicos: entre a poesia e a realidade científica




Muito se tem falado sobre os produtos transgênicos.Infelizmente, com muito emocionalismo e falta de conhecimentos.Os avanços alcançados pela ciência e tecnologia para melhoria da qualidade de vida são irreversíveis. Boa parte dessas conquistas deve-se aos estudos e técnicas desenvolvidos pela engenharia genética, que, por meio da transgenia, abriu possibilidades infinitas e deu um grande salto no conhecimento.Esse post é longo, mas espero contribuir para a desmistificação do tema.Os contrários,que se manifestem.

Desde que foram divulgados pela mídia, os transgênicos, ou organismos geneticamente modificados (OGMs), começaram a provocar discussões acirradas em todo o mundo. Em meio a polêmica, campanhas de oposição, especulações e desinformação, criaram-se muitos mitos na tentativa de levar a um retrocesso na aplicação das descobertas da biotecnologia.
Como todas as descobertas, o debate sobre os transgênicos ultrapassou a questão científica, para dar lugar aos interesses políticos, econômicos e ideológicos. O principal desafio hoje é explicar de forma clara e objetiva a tecnologia dos organismos geneticamente modificados. Só assim a população pode avaliar de forma consciente e crítica os Organismos Genéticamente Modificados.

Viabilidade
A despeito dos protestos, os OGMs são realidade na agricultura, na pecuária e na medicina e vêm ganhando cada dia mais aceitação e espaço de produção. A área cultivada com organismos geneticamente modificados, em todo o mundo, saltou de 1,7 milhão de hectares em 1996 para 52,6 milhões em 2001, e continua crescendo rapidamente.

Um estudo desenvolvido pelo Centro de Política Agrícola e Alimentar dos Estados Unidos em parceria com a Fundação Rockefeller concluiu que os agricultores norte-americanos estão economizando bilhões de dólares com o cultivo de plantas geneticamente modificadas, graças à redução do uso de agroquímicos nas lavouras.

Outro exemplo são os algodoais geneticamente modificados cultivados na China, que consomem 80% menos defensivos agrícolas do que os convencionais. Por causa disso, o custo de produção por quilo colhido caiu 28%.

Um dado importante levantado por recente estudo da Organização para Agricultura e Alimentação das Nações Unidas (FAO) afirma que 5% dos cotonicultores chineses da variedade Bt tiveram problemas de saúde associados ao trabalho, enquanto 22% dos produtores convencionais apresentaram problemas de saúde provocados pelo trabalho.

O comércio de sementes transgênicas também alcançou o patamar de bilhões de dólares e já é muito mais rentável que o de sementes convencionais. De olho nesse mercado, cerca de 80% dos associados à Confederação Nacional da Agricultura querem a liberação do cultivo comercial de OGMs. O motivo é simples: diminuição de custos e aumento de produtividade. A tendência natural é que os produtos gerados pela biotecnologia substituam o tradicional e grande mercado dos agroquímicos. Países de grande dimensão territorial, como o nosso, levam vantagem porque podem definir áreas específicas para o cultivo e a criação tanto convencional como transgênica.Foi o que aconteceu no Paraná, por exemplo.

Como esse caso, outros estudos, em andamento, têm como pretensão dar mais qualidade de vida às pessoas. Um bom exemplo é a pesquisa, feita por cientistas das universidades da Carolina do Norte e de Penn State (EUA), que identificou um gene que controla a retenção de água nas plantas. Essa descoberta poderá contribuir no futuro para o desenvolvimento de plantas resistentes à seca, objetivo perseguido há muitas décadas. Sem dúvida, será uma das soluções mais importantes para minimizar a fome em regiões semidesérticas.

Biossegurança


Os argumentos contrários ao consumo de produtos transgênicos – de que são prejudiciais à saúde, de que provocam danos ao meio ambiente – aos poucos estão caindo por terra. A Royal So­ciety do Reino Unido, uma das mais respeitadas academias de ciências do mundo, divulgou recentemente em seu site (www.royalsoc.ac.uk) que não há evidências científicas dignas de crédito de que seres humanos possam ser prejudicados por ingerir OGMs. A conclusão foi ba­seada em um estudo aprofundado sobre o assunto, feito no último ano.

Nenhuma outra variedade alimentar tem sido tão detalhadamente pesquisada, principalmente em relação à segurança para o consumo humano, quanto os OGMs. Só para ter uma idéia, um novo tipo de soja geneticamente modificada foi submetido a 1.800 análises para comparação com a soja convencional. Quantos testes serão necessários para certificar a biossegurança do alimento? É preciso que as autoridades ambientais definam que tipos de efeito no meio ambiente são aceitáveis e quanto de incerteza sobre seus efeitos é tolerável para comercialização. O que não se pode é impedir que os benefí­cios da biotecnologia sejam anulados.

Cientistas do Flanders Interuniversity Institute for Biotechnology, instituição belga que agrega nove universidades européias, concluíram após pesquisas que as sementes geneticamente modificadas disponíveis atualmente para comercialização são tão seguras quanto as similares convencionais. O estudo afirma que, a cada dia, são aprimorados o conhecimento e os métodos para garantir a biossegurança das plantas geneticamente modificadas. Por outro lado, as variedades convencionais não são pesquisadas no mesmo ritmo. Os autores do estudo acreditam que no futuro os OGMs podem ser mais seguros que os convencionais.

O Canadá, país com melhor índice de desenvolvimento humano do mundo, permite o consumo de alimentos geneticamente modificados. Há quase dez anos, os OGMs fazem parte da dieta dos norte-americanos e nunca foi registrado problema algum de saúde relacionado a eles, ao passo que os alimentos convencionais são responsáveis por vários casos de alergias, alguns levando à morte. Grande parte da comunidade científica compartilha da opinião de que é mais seguro comer um alimento transgênico que um convencional com alto teor de defensivos agrícolas.

Meio ambiente

Quanto aos argumentos sobre a agressão ao meio ambiente e a contribuição para a diminuição da biodiversidade, partilho dessas preocupações, porém não podemos satanizar os transgênicos. A própria agricultura, mesmo a de subsistência, é igualmente vilã: o feijão, o milho, a soja, a cana de açúcar e outros alimentos, ao ser introduzidos na agricultura em larga escala, interferem no meio ambiente eliminando plantas e animais nas respectivas áreas agricultadas. Quando maias e astecas iniciaram a cultura do milho, este era outra planta, com características completamente diferentes, que foram melhoradas ao longo de vários séculos de cultivo; com os transgênicos poderemos escolher, com maior precisão, as características que queiramos introduzir num vegetal.

Mesmo a agricultura rudimentar usada por hominídeos há milhões de anos ou o plantio de mandioca feito por tribos indígenas no Brasil pré-colonial agrediam o meio ambiente, pois as queimadas de florestas e a plantação de um único produto em determinada área comprometiam indelevelmente a natureza. Como na época éramos somente 4 milhões de habitantes e apenas alguns milhares eram agricultores, o dano, apesar de relativamente maior, era menos visível. É impossível, hoje, utilizando essas técnicas primitivas, alimentar os milhões de brasileiros e os bilhões de pessoas no mundo.

No Brasil, os procedimentos para análise da segurança dos alimentos geneticamente modificados estão sob controle da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança/CTNBio – criada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. Cabe à CNTBio, composta de dezoito representantes do Poder Executivo, da comunidade científica, do setor empresarial que atua em biotecnologia, dos órgãos de defesa do consumidor e de saúde, emitir pareceres técnicos.Como se vê, há muita poesia e pouco conhecimento.Mas que os transgênicos são irreversíveis, essa é uma verdade irrefutável.

 

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