Senadores
do grupo dos independentes vão decidir após o carnaval se vão entrar com uma
representação no Conselho de Ética para pedir a cassação do presidente eleito,
Renan Calheiros (PMDB-AL). A avaliação do grupo é de que Renan, mesmo havendo
indícios para pedir a abertura de um processo por quebra de decoro parlamentar,
saiu fortalecido. O peemedebista obteve 56 votos e o senador Pedro Taques
(PDT-MT), lançado pelo grupo dos independentes, conseguiu um resultado aquém do
esperado, tendo apenas 18 votos.
Randolfe
Rodrigues, do PSOL, disse que pretende pedir ao procurador-geral da República,
Roberto Gurgel, a íntegra da denúncia criminal apresentada na sexta-feira
passada (25) contra Renan Calheiros. A ideia é ter o mesmo procedimento adotado
em relação ao senador cassado Demóstenes Torres (sem partido-GO). Os senadores
conseguiram ter acesso ao inquérito contra o ex-parlamentar que corria sob
segredo no Supremo Tribunal Federal.
A
acusação, sigilosa e divulgada pelo site da revista Época, revela que Renan
cometeu os crimes de peculato (desvio de dinheiro público), uso de documento
falso e falsidade ideológica. De acordo com a Procuradoria, o peemedebista não
tinha patrimônio suficiente para justificar os gastos com despesas pessoais
decorrentes de uma filha tida em um relacionamento extraconjugal. Na época do
escândalo, em 2007, Renan foi acusado de ter esses gastos bancados por lobista
de uma empreiteira.
Na
ocasião, o parlamentar apresentou notas fiscais para comprovar que o dinheiro
obtido com venda de gado bancou os gastos extraconjugais do senador. A
Procuradoria-Geral da República considerou, no entanto, que as notas eram
"frias". Questionado antes da eleição pela Agência Estado, Calheiros
não quis falar sobre divulgação do conteúdo da denúncia criminal. "Estou
confiante (sobre a vitória). Não vi a reportagem", afirmou, com certa dose
de óleo de peróba na cara.
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