Crianças indígenas vítimas de violência ou abandono estão
“envelhecendo” nos abrigos de Dourados, enquanto se discute a adoção
dessas crianças. Se por um lado órgãos de proteção ao índio defendem que
as crianças devem ser adotadas por lideranças da comunidade indígena,
por outro a Promotoria da Infância e da Juventude acredita que na
ausência de famílias indígenas interessadas, as crianças devem ser
encaminhadas para o cadastro Nacional de Adoção, e conseguirem portanto
serem adotadas por não-índios.
Para resolver o impasse, a Promotora de Justiça da Infância e da
Juventude, Fabrícia Barbosa de Lima, anunciou que hoje haverá uma
reunião na Promotoria com lideranças indígenas para discutir o assunto.
Elas terão 30 dias para apresentar uma lista com nomes de casais da
Reserva Indígena interessados em adotar.
“A legislação prevê que as crianças devem ficar num prazo máximo de até
dois anos nos abrigos e infelizmente, no caso das indígenas isto não
acontece porque elas estão passando muito tempo, até mesmo se tornando
adultas nesses lares. O problema é que estas crianças, como qualquer
outra, têm o direito de ter uma referência de pai e mãe e o que de fato é
uma família”, argumenta.
De acordo com o juiz da Vara da Infância e Juventude Zaloart Murat
Martins, ao mesmo tempo em que não há uma lista de indígenas dispostos a
adotar, há uma resistência por parte dos órgãos de proteção em liberar
as crianças ao Cadastro Nacional de Adoção, onde não-indígenas poderiam
adotá-las”, explica.
O encontro está marcado para às
10h, na sede da Promotora de Justiça da Infância e da
Juventude.(com douradosagora)

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