"A prefeitura
está lá e a Câmara está aqui”. Lida de forma apressada e descontextualizada,
essa parece ser apenas uma obviedade. Não é. Essa lembrança foi feita pelo
vereador Marcelo Mourão e mostra que esse jovem ex-narrador de rodeios e
radialista pode não ter lido Montesquieu, o pensador que formulou a Teoria do
Estado tri-partite, usado por praticamente todos os países democráticos e que
estabelece a divisão de poderes entre executivo, legislativo e judiciário, mas
sabe muito bem separar as coisas. Embora aliado e reitere de forma continuada
seu apoio e confiança na gestão do prefeito Murilo, Mourão, a exemplo de raras
exceções, tem se recusado a integrar o que na Câmara dos Deputados se
convencionou chamar "baixo clero" e atuado de forma independente e
corajosa, não confundindo fidelidade com vassalagem. Recentemente, fez um
apelo: "Secretário Sebastião Nogueira, tire o pé do chão", em alusão
à fraca atuação do secretário municipal de saúde, que sem exagero retórico está
um caos em Dourados.
Mourão foi mais
longe: apresentou requerimento solicitando o currículo de todos os secretários
e integrantes do primeiro escalão da prefeitura. Outro mérito do jovem
vereador, que ao contrário da maioria dos políticos faz mistério sobre seus
objetivos, Marcelo sempre deixou claro que quer levar a garra que tem
demonstrado na Câmara Municipal para a Câmara dos Deputados. No entanto, tem
buscado alcançar esse legítimo projeto político sem colocar apaniguados na
estrutura da prefeitura ou da Câmara (possui apenas os oito assessores que lhe
assegura o regimento interno), não usa a tribuna apenas para tecer loas ao
prefeito (uma característica da "bancada do bate-palma", que
aprovaria de olhos fechados até um projeto em que Murilo estabelecesse que a
terra é quadrada) e foi o autor da única lei de alcance social efetivo e que
"acordou" Dourados para o problema da falta de compromisso e
responsabilidade para com a saúde da população, que é a lei que obriga a
afixação da relação dos médicos e responsáveis pelos plantões em todas as
unidades de saúde da rede pública municipal, já conhecida como "Lei do
Plantão".
Bom de oratória, atencioso com todos os segmentos e de uma franqueza
lancinante, esse moço pode servir de exemplo para a "bancada do bate
palma".Seu estilo ajuda o prefeito a corrigir rumos. É possível apoiar e
ser fiel sem perder a compostura. Como Marcelo há poucos na Câmara. Se
continuar nesse caminho, Dourados deve ganhar na próxima eleição seu primeiro
deputado federal membro da Academia Douradense de Letras. É... Esse guri vai
longe...

1 comentários:
Parabéns pelo texto. O projeto está lançado, mas será que o tempo não fará o ex-narrador mudar de lado? Virar apenas mais um cupincha como tantos outros se tornaram?
E caso isso não ocorra, será que a População Douradense terá olhos para votar em um filho desta terra, ao invés de dinossauros da capital que aparecem somente em época de eleição.
Veremos, torceremos e acreditemos em uma Dourados melhor. ESTAMOS MERECENDO!
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