Palestra mostrou
origens e caminhos para superar distancia do Estado da sociedade
As origens do distanciamento do Estado brasileiro
da sociedade decorrem de fatores históricos como o colonialismo, a escravidão
dos negros africanos( que gerou o racismo, ainda não superados depois de 300
anos da abolição e das políticas afirmativas), do coronelismo, da cidadania só
pelo trabalho (quem não tem emprego é vagabundo), da cultura autoritária (“manda
quem pode , obedece quem tem juízo"), do machismo e do consumismo, que valoriza
o cidadão pelo que ele tem e não pelo que ele é.
Para superar esse quadro, é fundamental uma
reforma política e eleitoral, uma reforma tributária, a democratização dos
meios de comunicação e, principalmente, o controle social a ser exercido pela
sociedade, aliado ao fim da alienação e à esperança de que esse Estado clientelista,
que despreza o que é popular, pode mudar.Isso só acontecerá, porém, a partir da
organização da sociedade civil.
Essa é, em síntese, a opinião do secretário
de Distribuição de Renda e Assistência Social do Distrito Federal Daniel Seidl
expressa durante palestra proferida na 5ª Semana Social Brasileira, evento
promovido pela igreja católica na sexta-feira na Câmara Municipal com o lema “O
Estado que temos e o estado que queremos:Estado para quê e para quem”.
Para Seidl, o argumento de que não há
recursos para atender as demandas sociais é uma falácia. “O Estado, nas suas
diferentes esferas (estados, municípios e União) possui muito dinheiro, mas a
inversão de prioridades e a falta de gestão fazem com que esses recursos ou
fiquem parados ou sejam aplicados para perpetuar a diferença, o abismo social
que separa a pequena parcela rica da oceânica parcela pobre, às quais muitas vezes
é imprescindível, para a própria sobrevivência, a intervenção do Estado através
de programas sociais e de transferência de renda. “Sobre a questão da gestão e
das prioridades, tomo como experiência o próprio Distrito Federal.A Secretaria
de Distribuição de Renda e Assistência Social aplicou em 2011 90% do orçamento
de que dispunha, enquanto as áreas de saúde e educação não aplicaram nem 50% de
seus orçamentos”, ponderou o secretário.
“O fato é que o Estado é generoso e ágil
nas políticas públicas voltadas para os ricos, mas é leniente nas políticas
públicas voltadas para os pobres”, constatou o palestrante, que condenou também
a apropriação do poder público pela iniciativa privada, segundo ele um dos
grandes fatores de corrupção. “O clientelismo e o coronelismo infelismente
ainda são adotados como política de governo”, Lamentou Seidl, reforçando a
necessidade de que seja mantida a esperança, inclusive através da
espiritualidade, de que o Estado que os brasileiros esperam um dia chegará,
através da mobilização popular e da mudança de mentalidade da classe política
brasileira.
O bispo Dom Redovino Rizzardo, que
continuamente tem estimulado em artigos publicados nos meios de comunicação a
participação e o controle social, manifestou sua alegria em ver a expressiva participação
no evento. “Quero manifestar minha alegria e gratidão à Câmara Municipal e vejo aqui o desejo tanto
da população como dos vereadores em trabalhar para atender as demandas da
população tanto de Dourados como do país, que tem a generosa esperança de
um Brasil melhor, com menos desigualdade
social. Cada vez que votamos votamos para melhorar e a mudança deve começar por nós mesmos,
escolhendo com sabedoria aqueles que nos representarão no poder simbolizado
pelo Estado”, afirmou o bispo diocesano de Dourados.
Dos vereadores participaram da Semana
Social Brasileira Alan Guedes,Elias Ishy, Marcelo Mourão, Rafael Matos, Sergio
Nogueira, Madson Valente, Maurício Lemes e o presidente Idenor Machado, alem de
autoridades eclesiásticas e de lideranças de movimentos sociais como as
pastorais da Terra e do Idoso.
Estado distante
da Sociedade
A escolha desse
tema da 5ª Semana deve-se ao fato de que, na avaliação da igreja católica, ao
longo das últimas décadas o movimento social empreendeu várias iniciativas na
perspectiva de democratizar o Estado brasileiro, que ainda assim padece de um
distanciamento grande na resolução dos problemas estruturais da sociedade,
particularmente aqueles referentes às áreas de saúde, educação, acesso a terra
urbana e rural e à distribuição de renda e
sua realização teve como objetivo a reflexão sobre os acontecimentos
sociais, políticos e econômicos do Estado Brasileiro, somar forças para o
processo de democratização e promover a participação dos pobres e excluídos na
construção de um país justo, democrático, solidário e sustentável.

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