segunda-feira, 13 de maio de 2013

Palestra mostrou origens e caminhos para superar distancia do Estado da sociedade


 
Palestra mostrou origens e caminhos para superar distancia do Estado da sociedade
As origens do distanciamento do Estado brasileiro da sociedade decorrem de fatores históricos como o colonialismo, a escravidão dos negros africanos( que gerou o racismo, ainda não superados depois de 300 anos da abolição e das políticas afirmativas), do coronelismo, da cidadania só pelo trabalho (quem não tem emprego é vagabundo), da cultura autoritária (“manda quem pode , obedece quem tem juízo"), do machismo e do consumismo, que valoriza o cidadão pelo que ele tem e não pelo que ele é.
 Para superar esse quadro, é fundamental uma reforma política e eleitoral, uma reforma tributária, a democratização dos meios de comunicação e, principalmente, o controle social a ser exercido pela sociedade, aliado ao fim da alienação e à esperança de que esse Estado clientelista, que despreza o que é popular, pode mudar.Isso só acontecerá, porém, a partir da organização da sociedade civil.
Essa é, em síntese, a opinião do secretário de Distribuição de Renda e Assistência Social do Distrito Federal Daniel Seidl expressa durante palestra proferida na 5ª Semana Social Brasileira, evento promovido pela igreja católica na sexta-feira na Câmara Municipal com o lema “O Estado que temos e o estado que queremos:Estado para quê e para quem”.
Para Seidl, o argumento de que não há recursos para atender as demandas sociais é uma falácia. “O Estado, nas suas diferentes esferas (estados, municípios e União) possui muito dinheiro, mas a inversão de prioridades e a falta de gestão fazem com que esses recursos ou fiquem parados ou sejam aplicados para perpetuar a diferença, o abismo social que separa a pequena parcela rica da oceânica parcela pobre, às quais muitas vezes é imprescindível, para a própria sobrevivência, a intervenção do Estado através de programas sociais e de transferência de renda. “Sobre a questão da gestão e das prioridades, tomo como experiência o próprio Distrito Federal.A Secretaria de Distribuição de Renda e Assistência Social aplicou em 2011 90% do orçamento de que dispunha, enquanto as áreas de saúde e educação não aplicaram nem 50% de seus orçamentos”, ponderou o secretário.
“O fato é que o Estado é generoso e ágil nas políticas públicas voltadas para os ricos, mas é leniente nas políticas públicas voltadas para os pobres”, constatou o palestrante, que condenou também a apropriação do poder público pela iniciativa privada, segundo ele um dos grandes fatores de corrupção. “O clientelismo e o coronelismo infelismente ainda são adotados como política de governo”, Lamentou Seidl, reforçando a necessidade de que seja mantida a esperança, inclusive através da espiritualidade, de que o Estado que os brasileiros esperam um dia chegará, através da mobilização popular e da mudança de mentalidade da classe política brasileira.
O bispo Dom Redovino Rizzardo, que continuamente tem estimulado em artigos publicados nos meios de comunicação a participação e o controle social, manifestou sua alegria em ver a expressiva participação no evento. “Quero manifestar minha alegria e gratidão  à Câmara Municipal e vejo aqui o desejo tanto da população como dos vereadores em trabalhar para atender as demandas da população tanto de Dourados como do país, que tem a generosa esperança de um  Brasil melhor, com menos desigualdade social. Cada vez que votamos votamos para melhorar e a   mudança deve começar por nós mesmos, escolhendo com sabedoria aqueles que nos representarão no poder simbolizado pelo Estado”, afirmou o bispo diocesano de Dourados.
Dos vereadores participaram da Semana Social Brasileira Alan Guedes,Elias Ishy, Marcelo Mourão, Rafael Matos, Sergio Nogueira, Madson Valente, Maurício Lemes e o presidente Idenor Machado, alem de autoridades eclesiásticas e de lideranças de movimentos sociais como as pastorais da Terra e do Idoso.
Estado distante da Sociedade
A escolha desse tema da 5ª Semana deve-se ao fato de que, na avaliação da igreja católica, ao longo das últimas décadas o movimento social empreendeu várias iniciativas na perspectiva de democratizar o Estado brasileiro, que ainda assim padece de um distanciamento grande na resolução dos problemas estruturais da sociedade, particularmente aqueles referentes às áreas de saúde, educação, acesso a terra urbana e rural e à distribuição de renda e  sua realização teve como objetivo a reflexão sobre os acontecimentos sociais, políticos e econômicos do Estado Brasileiro, somar forças para o processo de democratização e promover a participação dos pobres e excluídos na construção de um país justo, democrático, solidário e sustentável.
 
 

0 comentários:

Postar um comentário