domingo, 19 de maio de 2013

Tese de mestrado da USP mostra equívoco de medida adotada pela Secretaria de Educação

Uma tese de mestrado desenvolvida por um pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) mostra o equívoco da retirada do benefício da Licença-prêmio,uma das primeiras medidas adotadas pela gestão do prefeito Murilo Zauith na área educacional e que figurou entre os motivos da greve realizada recentemente pelos profissionais da educação de Dourados.
A Licença-prêmio é (era)concedida para o professor "dar um tempo"   na rotina escolar, prevenindo doenças como o stress e outras para as quais, mostrou a tese, contribuem em muito a falta de estrutura e de apoio aos professores e do período de descanso proporcionado pela Licença-prêmio.
"O ambiente escolar me dá fobia, taquicardia, ânsia de vômito. Até os enfeites das paredes me dão nervoso. E eu era a pessoa que mais gostava de enfeitar a escola. Cheguei a um ponto que não conseguia ajudar nem a minha filha ou ficar sozinha com ela. Eu não conseguia me sentir responsável por nenhuma criança. E eu sempre tive muita paciência, mas me esgotei.”O relato é da professora Luciana Damasceno Gonçalves, de 39 anos. Pedagoga, especialista em psicopedagogia há 15 anos, Luciana é um exemplo entre milhares de professores que, todos os dias e há anos, se afastam das salas de aula e desistem da profissão por terem adoecido em suas rotinas.
Para o pesquisador Danilo Ferreira de Camargo, o adoecimento desses profissionais mostra o quanto o cotidiano de professores e alunos nos colégios é “insuportável”. “Eles revelam, mesmo que de forma oblíqua e trágica, o contraste entre as abstrações de nossas utopias pedagógicas e a prática muitas vezes intolerável do cotidiano escolar”, afirma. O tema foi estudado pelo historiador por quatro anos, durante mestrado na Faculdade de Educação da USP.
Na dissertação "O abolicionismo escolar: reflexões a partir do adoecimento e da deserção dos professores" , Camargo analisou mais de 60 trabalhos acadêmicos que tratavam do adoecimento de professores. Camargo percebeu que a “epidemia” de doenças ocupacionais dos docentes foi estudada sempre sob o ponto de vista médico. “Tentei mapear o problema do adoecimento e da deserção dos professores não pela via da vitimização, mas pela forma como esses problemas estão ligados à forma naturalizada e invariável da forma escolar na modernidade”, diz. Luciana começou a adoecer em 2007 e está há dois anos afastada. Espera não ser colocada de volta em um colégio. “Tenho um laudo dizendo que eu não conseguiria mais trabalhar em escola. Eu não sei o que vão fazer comigo. Mas, como essa não é uma doença visível, sou discriminada”, conta.
A professora critica a falta de apoio para os docentes nas escolas. “Me sentia remando contra a maré. Eu gostava do que fazia, era boa profissional, mas não conseguia mudar o que estava errado. A escola ficou ultrapassada, não atrai os alunos. Eles só estão lá por obrigação e os pais delegam todas as responsabilidades de educar os filhos à escola. Tudo isso me angustiava muito”, diz. Orientado pelo professor Julio Roberto Groppa Aquino, com base nas análises de Michel Foucault sobre as instituições disciplinares e os jogos de poder e resistência, Camargo questiona a existência das escolas como instituição inabalável. A discussão proposta por ele trata de um novo olhar sobre a educação, um conceito chamado abolicionismo escolar. O blog recomenda a leitura da tese do pesquisador e da obra de Foucalt por parte da secretária de Educação Mariniza Mizoguchi.

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