Levantamento feito pela ONG Trânsparencia Brasil traça um perfil dos custos da democracia no Brasil que mostra que a os cargos comissionados dos três Poderes: Legislativo, Executivo e
Judiciário, nos 5.567 municípios, nas 27 unidades federativas (estados e
o Distrito Federal) e do Congresso Nacional custam aos cofres públicos
R$ 18,344 bilhões por ano. A estimativa não inclui os cargos
comissionados dos atuais 38 ministérios, nem os salários dos secretários
das pastas estaduais e municipais, tampouco os de autarquias e empresas
estatais, o que leva a concluir que as cifras são ainda maiores.
Para os municípios, o cálculo desses gastos no poder Legislativo leva
em conta o número de vereadores, de acordo com a Emenda Constitucional
n.º 58 (23/9/2009) e a respectiva verba de gabinete utilizada para a
contratação de assessores dos parlamentares, estimada em R$ 30 mil por
mês por vereador para cidades com mais de 200 mil habitantes e R$ 15 mil
por mês por vereador para os municípios menores. No Poder Executivo das
cidades, foi feita a estimativa conservadora de apenas oito secretarias
e, para cada uma delas, apenas três assessores por secretário
municipal. Na conta, estão excluídos os salários dos próprios
secretários municipais.
Quanto aos cargos comissionados para o Poder
Judiciário, a projeção foi entre 2 e 15 funcionários, de acordo com o
tamanho do município. O total foi de R$ 11,67 bilhões, sendo R$ 7,019
para o Legislativo, R$ 3,852 bilhões para o Executivo, e R$ 798,2
milhões para o Judiciário.
No que diz respeito aos estados e ao Distrito Federal, foram
considerados somente os cargos comissionados dos poderes Legislativo e
Executivo. Para o Poder Legislativo, foram levantados os números de
deputados estaduais e distritais e a verba de gabinete para cada
parlamentar, no teto de R$ 45 mil por mês – anualizado, inclusive com
13.º e adicional de férias. Já os cálculos do Poder Executivo estimam de
forma conservadora apenas dez secretarias estaduais/distritais e apenas
três assessores para cada secretário. O resultado foi gastos de R$
633,8 milhões para o Legislativo e R$ 17,9 milhões para o Executivo.
No nível da União, o levantamento considera apenas os gastos com o
Congresso Nacional, estimados em R$ 6,023 bilhões por ano. Valor próximo
aos R$ 6,068 bilhões calculados pela ONG Transparência Brasil.
LOTEAMENTO DE CARGOS E DE PODER POLÍTICO
Mais do que as cifras, os valores mostram que Estados e municípios reproduzem
o modelo de governo de coalizão da esfera federal, centralizado não em
projetos de governo que visem ao interesse público, mas, sim, na mera
distribuição de cargos e salários e o loteamento do poder político.
Dessa forma, os parlamentos – Congresso Nacional, Assembleias Estaduais e
Distrital e Câmaras de Vereadores – aprovam os projetos de interesse do
Poder Executivo, não por convicção política, mas em função da pura e
simples barganha econômica. O que afeta a todos os partidos políticos em
todos os entes da Federação, indistintamente, desde que se iniciou a
Nova República.
MOBILIZAÇÃO
Retrata-se, enfim, por que o Brasil é e sempre foi o país do
desperdício. Principalmente do desperdício dos recursos públicos,
dinheiro do contribuinte advindo de tributos pesadamente pagos à União,
estados, Distrito Federal e municípios. É hora de a população cobrar a
extinção desses cargos comissionados e a valorização dos funcionários
públicos concursados, como primeiro passo para a efetiva moralização
política e, em especial, a profissionalização e a qualificação da gestão
pública.
(blog, com ONG Transparência Brasil)

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