sábado, 25 de maio de 2013

Audiência pública para apresentação de projeto de duplicação da avenida Guaicurus segue exemplo federal e vira campanha antecipada

A antecipação do processo eleitoral presidencial e para os governos estaduais, assembléias legislativas, Câmara dos Deputados e Senado Federal gerou uma situação curiosa no país: todos se aproveitam do momento, mas ninguém admite que está em plena campanha ao Palácio do Planalto e, no caso de Mato Grosso do Sul, ao Parque dos Poderes e às casas legislativas.
A presidente Dilma Rousseff acelera o lançamento de programas; a ex-senadora Marina Silva corre para oficializar a Rede Sustentabilidade antes de outubro; o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), reúne-se com empresários de todo o país; e o senador Aécio Neves (MG) lança-se candidato à presidência do PSDB para unificar o apoio da militância tucana ao seu nome.Aqui, a audiência pública para o lançamento de uma obra, a duplicação da Avenida Guaicurus, foi um “comício” do governador André Puccinelli e do deputado federal Geraldo Resende,ambos do PMDB, que aproveitaram o evento para fazer proselitismo escancarado sobre suas “realizações” (André) e viabilização de recursos (Resende)para o município.Tudo de olho na campanha do ano que vem.
No plano federal, o jogo de empurra também acontece na troca de acusações sobre quem antecipou o processo eleitoral. “Quem antecipou foi o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao lançar a presidente Dilma candidata à reeleição”, acusou o senador Aécio Neves. “Pouco depois, a própria presidente disse que, durante as eleições, pode-se fazer o diabo. A impressão que temos é que o diabo já está solto no Brasil”, ironizou o tucano.Aécio tem participado de seminários organizados pelo PSDB para criticar a política econômica e as regras de distribuição de cargos do governo federal. Foi aclamado presidente da legenda, passo considerado essencial, na visão de correligionários experientes, para unificar a militância em torno da candidatura presidencial no ano que vem.
A presidente Dilma Rousseff também finge que não é com ela quando questionada sobre a antecipação da campanha presidencial. Em fevereiro, durante comemoração dos 23 anos do PT, Lula disse que a melhor resposta a ser dada para os críticos do governo era “reeleger a companheira Dilma em 2014”.Dilma jura ser a única pessoa sem “interesse nenhum” em discutir o processo eleitoral na metade do próprio governo. Interlocutores da presidente afirmam que ela está correta, pois, ao discutir a eleição do ano que vem, perde legitimidade para apresentar propostas sem que estas sejam contaminadas pela disputa política. Adversários políticos pensam o contrário.“O PT antecipou o debate para intensificar a divisão de cargos e estancar eventuais defecções na base aliada”, disse um prefeito filiado a um partido oposicionista.
Ex-senadora e com um recall de quase 20 milhões de votos nas eleições presidenciais de 2010, quando disputou o Planalto pelo PV, Marina Silva afirmou ontem, após reunião com senadores dissidentes do PMDB e outros representantes da oposição, que, “para alguns, é fundamental a criação de ruídos eleitorais para afastar os debates programáticos e iniciar os acordos para distribuição de cargos”.Para Marina, esse comportamento é típico de quem está acostumado com projetos de poder. “Acabamos de sair de uma eleição municipal. Mas alguns partidos têm crise de abstinência quando estão distantes de disputas eleitorais”, afirmou.

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