domingo, 26 de maio de 2013

A qualificação de Girotto, o desleixo com as obras públicas no Brasil e a duplicação da avenida Guaicurus

O governador André Puccinelli acertou ao trazer de Brasília, onde ocupava o cargo de deputado federal, o engenheiro Edson Girotto para tocar as obras do seu governo. Girotto é político, mas é sobretudo técnico e qualificado, como mostrou a clara exposição que fez do projeto de duplicação da avenida Guaicurus e como comprova a revolução viária que comandou em Campo Grande.
Ao fazer o elogio, o blog o faz porque é notório o desleixo com a qualidade de obras públicas no Brasil. Há em todo o país exemplos de empreendimentos que, mesmo tendo supostamente passado pelo crivo técnico, apresentam problemas de toda ordem — de concepção, execução ou de funcionamento. Nesse pacote, pontos comuns aos processos de contratação e acompanhamento de obras ajudam a entender o porquê do descompromisso com o dinheiro público, a segurança e bem-estar dos beneficiários dos empreendimentos.
Um deles, talvez o mais comum na cadeia dos descasos, é ditado pelo calendário eleitoral: apressa-se a contratação e execução de projetos de olho em dividendos nos palanques. No caso da habitação popular, há a pouco criteriosa maneira como a Caixa Econômica Federal, o grande agente público de financiamento de moradias populares parece analisar os projetos. Há, ainda, fatores que precisam ser considerados como o aumento do preço de terrenos, o encarecimento de material, da mão de obra, que estreitam a margem de lucros de empreiteiras contratadas. Mais um motivo para haver rígida fiscalização dos canteiros pelo poder público.
A esses fatores a Controladoria-Geral da União incluiu, em relatório de 2011, outra causa da má qualidade dos projetos de engenharia contratados por governos: mais de 90% dos municípios brasileiros não têm no quadro permanente profissional qualificado de área técnica para elaborar editais de contratação de empreendimentos. São injunções que explicam — mas nenhuma delas justifica — a banalização da baixa qualidade de edificação no setor.
A recente ameaça da CEF de excluir de sua carteira de negócios construtoras de obras mal feitas para o programa Minha Casa, Minha Vida é passo na direção certa para tentar mudar a cultura das obras mal acabadas. Espera-se que, além de tardia em relação a empreendimentos desastrosos que põem em risco a credibilidade de projetos de cunho popular, habitacionais ou não, a medida não tenha sido anunciada apenas para baixar a temperatura das críticas contra a má qualidade das construções.
É preciso, ainda, rever os protocolos de contratação de obras por governos. Pois erros têm sido constatados até em projetos executados por grandes e experientes empreiteiras. Zelar por critérios técnicos em licitações e contratações de construtoras, além de ser criar canais de fiscalização efetiva, para acompanhar projetos e cobrar o atingimento de padrões mínimos de qualidade, são pressupostos mínimos em respeito à população. É o que Dourados espera seja regra na obra de duplicação da avenida Guaicurus, no projeto muito bem concepcionada, e de todas as obras públicas, sejam estaduais,municipais ou federais.
Em tempo:como mostra a foto abaixo e diante da "apropriação indébita" da paternidade da obra por parte de determinada figura pública, a duplicação é resultado da luta da sociedade. Os pais e mães da obra estão mortos nos mais de 50 acidentes ocorridos na rodovia.

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