quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Vacina, a fantástica contribuição da ciência



Acredito, com muita convicção, nos benefícios da medicina preventiva. Por isso, em artigos os mecanismos de prevenção de diversas patologias e os procedimentos mais indicados em situações específicas.Assim, já abordei a questão da obesidade infantil, se a melhor forma de parto é a cesariana ou o parto normal, as doenças de inverno, a importância da interação meio ambiente-saúde e outras questões relacionadas, sempre no enfoque da prevenção.Hoje, vou tratar de um tema que considero muito relevante e que deve ser objeto de muita atenção por parte de pais, por parte dos adultos e enfim de todas as faixas etárias da população: a vacinação. 
Nos últimos 20 anos, o Brasil apresentou grande avanço na redução da mortalidade materna e infantil, de acordo com dados da Secretaria dos Direitos Humanos (SDH). Em 1990, a razão de morte infantil era de 47,1 por mil nascidos vivos, e a mortalidade materna era de 140 por mil nascidos vivos. Na última análise, feita em 2011, a razão de mortalidade infantil foi de 16 por mil nascidos vivos. As mortes maternas estão estimadas em 69 por mil nascidos vivos. Boa parte dessa redução se deve a um dos maiores trunfos da Ciência: a vacinação. 
Através da imunização em larga escala da população contra as doenças infecciosas, visando a prevenção e a erradicação, a vacinação vem contribuindo com alguns dos mais notáveis progressos na saúde melhorando a qualidade de vida de grande parcela da humanidade, sendo responsável em parte pelo aumento da expectativa de vida e, reitero, para diminuição da mortalidade infantil, que no meu sonho de pediatra espero chegue a zero um dia. Como exemplo pode-se citar a varíola, erradicada desde a década de 80, após um amplo programa de vacinação, e a poliomielite, cujo último caso registrado no Brasil foi em 1990. Com a diminuição dos casos de sarampo, segundo a Organização Mundial da Saúde, a mortalidade caiu 60% no mundo e na África 75% de 1999 a 2005. Esses avanços se devem aos programas de imunização infantil. No Brasil o PNI – Programa Nacional de Imunizações, já tem mais de 30 anos, criado e gerenciado pelo Ministério da Saúde, tem como finalidade erradicar ou manter sobre controle todas as doenças que podem ser erradicadas ou controladas com o uso de vacinas. O acesso ao saneamento básico e as vacinas são o meio mais efetivo de se reduzir e prevenir doenças infecciosas. Com as imunizações milhões de mortes são prevenidas, crianças são salvas da incapacitação e muito dinheiro deixa de ser gasto no tratamento das 26 doenças preveníveis com o uso de vacinas. 
A vacinação acarreta uma série de benefícios, muitas vezes, não levados em conta por aqueles que não se sensibilizam pelo valor em termos econômicos que as vacinas representam, tais como: diminuem o número de hospitalizações e a necessidade de tratamentos médicos caros, aumentam a produtividade, previnem os efeitos em longo prazo das doenças e reduzem a incidência de incapacitação permanente. Aliado a isso, consideram-se os valores humanos e sociais advindos dos benefícios em longo e médio prazo, ao se reduzir a mortandade, seja ela infantil, de jovens, adultos ou idosos.Todos, portanto devem ser orientados a entender melhor e valorizar a importância de fazer uso das vacinas, pois a saúde é o nosso bem mais precioso. 

Benefícios e reações

O cidadão também deve se manter informado a respeito dos benefícios da imunização e sobre as reações adversas. Nenhuma vacina está totalmente livre de provocar reações porque existem pessoas que apresentam quadros infecciosos e de natureza alérgica. É importante lembrar que os riscos de complicações graves ligados à vacinação são muito menores do que os das doenças contra as quais a pessoa está se imunizando. As crianças são as que mais apresentam reações às vacinas. Por isso, a família deve redobrar a atenção no período pós-vacinação. Um exemplo é a vacina tríplice bacteriana (a DTP, contra a difteria, o tétano e a coqueluche), que pode causar, entre outras reações, irritações na pele e coceira. 
No âmbito do Governo, o Programa Nacional de Imunizações implantou, em 1991, o Sistema Nacional de Vigilância dos Eventos Adversos Pós-Vacinação, que notifica e investiga as ocorrências nesse sentido. Pouco depois, em 1993, para atender à demanda dos casos mais graves e disponibilizar produtos especiais à população, foi criado o Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (Crie). O Crie existe em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal e oferece vacinas a pessoas com indicação clínica restrita.O cidadão que precisa de vacinas especiais fornecidas por esses centros (como o infectado pelo vírus HIV, o portador de imunodeficiência congênita e o que recebe quimioterapia) deve, primeiramente, ser atendido por um médico, público ou particular. O profissional responsável irá elaborar, no próprio receituário médico, um relatório com o diagnóstico e um breve histórico da doença do paciente. Em seguida, o cidadão precisa ir ao Crie mais próximo, portando o relatório e os exames necessários (de laboratório, raio X etc.). Ele irá passar por consultas e será vacinado conforme o manual do Crie. 
A saúde é o nosso bem mais precioso e valer-se dos avanços da ciência (fantástico, no caso das vacinas) para preservá-la é uma atitude sábia.Mais que isso:imprescindível.

*O autor,Eduardo Marcondes, é médico pediatra, ex-vereador e ex-secretário municipal de Saúde de Dourados e escreve regularmente para o Blog.

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