O governador André Puccinelli é um grande estrategista político, dono de uma habilidade incontestável e maquiavélica, tanto é que sua liderança, até pouco tempo atrás, era praticamente isolada no cenário político do estado de Mato Grosso do Sul, sem ninguém para se contrapor, ou, aliás, aqueles que ousaram desafiá-lo, foram literalmente triturados.
Fazendo uma rápida retrospectiva de sua trajetória política, percebe-se a quantidade de escândalos que Puccinelli já propiciou e patrocinou, sem nunca ter sido incomodado, desde situações de total falta de decoro e preparo moral, até escândalos envolvendo desmandos administrativos, golpes contra o erário público e corrupção.
Já na década de 80, quando ainda era deputado estadual, André acobertou falcatruas de um delegado de policia. Adailton Raulino Vicente da Silva, então titular da DEFURV (Delegacia Especializada em Furtos e Roubos de Veículos), que montou um forte esquema de corrupção dentro da delegacia.
Adailton foi exonerado da policia civil, mas o caso, como tantos outros, acabou caindo no esquecimento e nada aconteceu ao seu “padrinho”.
Na sequência, em 1994, após ser preterido como candidato a vice-governador do PMDB, na chapa de Wilson Barbosa Martins – o vice acabou sendo o ex-prefeito Braz Mello – André foi eleito deputado federal, campeão de votos e com expressiva votação em Campo Grande, assim passou então a perseguir a possibilidade de ser o candidato do partido a prefeitura da Capital.
Foi o que aconteceu... André foi o candidato e venceu de maneira extremamente suspeita o pleito municipal de 1996. A história até hoje não foi bem contada. Acusações de fraude, todas bem fundamentadas, foram feitas, mas, infelizmente, este caso também acabou caindo no esquecimento.
André Puccinelli virou prefeito, ampliou sua liderança, fez crescer sua popularidade, reelegeu-se, e assumiu uma conduta implacável com as pessoas que de alguma forma representavam algum tipo de obstáculo na sua caminhada tortuosa.
Certa feita partiu para as vias de fato com um popular. Numa outra oportunidade disse que estupraria em praça pública o então ministro de estado Carlos Mink. Em outra ocasião, questionado por uma professora, não gostou do questionamento e passou a ofendê-la, chamando-a, sem qualquer motivo, entre outros impropérios, de vagabunda. E, num outro episódio, deu um safanão num garoto em plena via pública. Ou seja, por vezes, André demonstra traços de insanidade, ou, talvez, de psicopatia.Todos esses casos também caíram no esquecimento. Não deram em nada. Muita gente teve conhecimento, mas nada aconteceu ao “valentão”.
O atual secretário de obras da prefeitura de Campo Grande, engenheiro Semy Ferraz foi outra vítima da mente diabólica de Puccinelli.
No dia 29 de setembro de 2006, na véspera do pleito eleitoral, plantaram santinhos grampeados com notas de vinte reais, em um carro de um assessor da campanha eleitoral de Semy à reeleição de deputado estadual. Uma farsa que foi gravada pela Polícia Federal, que já fazia tempo, por outros crimes, monitorava esse grupo criminoso – ou seja, em interceptações telefônicas, a horda formada por André Puccinelli, Edson Giroto, Mirched Jaffar Junior, André Puccinelli Junior e Edmilson Rosa, foi pega com a boca na botija.
Porém, não obstante as provas relevantes, o processo até hoje não chegou ao seu final. Ninguém ainda foi punido. André, Giroto, André Junior e os demais comparsas, continuam impunes.
Um outro fato extremamente relevante, que foi repercutido por toda a imprensa nacional, também teve André Puccinelli como principal protagonista. O ex-deputado Ary Rigo teve gravada uma conversa onde revelava todo o esquema de corrupção que acontecia no Poder Executivo de Mato Grosso do Sul e envolvia os demais poderes – Legislativo e Judiciário - e o Ministério Publico. Na conversa, Rigo, ex-deputado, ex-secretário de governo, ex-presidente da Assembléia Legislativa, detalhava o mensalão de Puccinelli, como funcionava, como era operacionalizado e sua gigantesca abrangência. Infelizmente, mesmo com todo o escândalo provocado a nível nacional e até internacional, até hoje o governador e demais autoridades supostamente envolvidas, continuam impunes.
Mais recentemente, mais um caso chocante. Os tentáculos de Puccinelli também alcançaram a saúde. O escândalo do hospital do câncer, destaque até no programa Fantástico da Rede Globo, teve a efetiva participação do governador.
Uma quadrilha formada por médicos, com a participação e proteção de André Puccinelli, utilizava-se do sofrimento de pessoas doentes para ganhar dinheiro.
A Policia Federal flagrou a então secretária de saúde, a médica Beatriz Figueiredo Dobashi, numa conversa com o diretor do Hospital Regional de MS, o médico Ronaldo Queiróz, onde a dupla arquitetava uma estratégia para beneficiar empresas, em detrimento dos hospitais públicos de Mato Grosso do Sul, dificultando a doação de aparelhos que seriam utilizados no combate ao câncer.
O caso ainda está sendo investigado, algumas medidas judiciais já foram tomadas. Autoridades que teoricamente deveriam trabalhar para o bem, já foram flagradas conspirando a favor do mal. Enfim, o caso está avançando, algumas cabeças rolaram e a sociedade está alerta.
Felizmente, de uns tempos para cá, as coisas começaram a desandar para o governador Puccinelli. Felizmente e finalmente, tudo para ele começou a dar errado. Felizmente, suas artimanhas começaram a aparecer.
O início desta série de sucessivos revezes para o governador teve seu ponto inicial na derrota acachapante que sofreu na eleição municipal de 2012, quando o radialista e advogado Alcides Bernal deu-lhe uma estrondosa surra, fazendo de uma vez só ecoar o grito que estava sufocado na garganta de todos aqueles que sofreram as agruras e injustiças efetuadas por André Puccinelli.
De lá para cá, o prefeito tornou-se o grande algoz do governador e vem sofrendo ataques constantes, pois a força de Puccinelli ainda é muito grande.
De qualquer forma, a cada dia, o governador vem perdendo espaços e força, o que nos faz acreditar que chegará o dia em que ele terá que amargar uma severa punição, principalmente em função do momento atual, onde em todo o Brasil ecoam gritos e protestos contra a imoralidade, a safadeza e a corrupção.
(José Tolentino)

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