segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Por uma política ambiental urbana

Cada vez mais o Ser Humano se torna um Ser Urbano. Esta realidade além de inconteste é inexorável e irreversível, por mil razões que as cidades oferecem ao Homem e outras tantas condicionantes que o meio rural lhe impõe o êxodo. As cidades e seus desenhos urbanos que conhecemos hoje, são produtos da Era industrial, que outrora “engoliram” as cidades medievais e suas muralhas. As cidades de hoje, fruto de núcleos industriais e seus bairros e vilas operárias, suas linearidades e suas quadras e quarteirões, refletem a história da industrialização do mundo e suas relações capital-trabalho assentadas na mais pura teoria da Mais Valia. 
O mundo mudou, avançou, novos elementos científicos e culturais vão sendo incorporados ao nosso dia-a-dia e vertiginosamente alterando nosso “modus vivendi”, nosso “habitat”. Estamos numa travessia que esta se dando em velocidade exponencial, muito mais rápida que se deu a transição da Idade Média para a Industrial. Estamos em mar revolto, da passagem da Era Industrial para a Era da Cibernética, e esta velocidade de transição não se dará de outra forma, como é próprio da nova cultura científica. 
A nova ciência, base da nova Era, calcada na velocidade da luz, calculada em “bits” e na gênese do DNA, esta a nos impor novas regras nas relações humanas, a partir de duas vertentes principais: no trabalho e na longevidade do Ser Humano. Destas duas novas realidades, novas serão as relações destas entre si e para com as outras relações, tais como, sociais, culturais, lazer, esporte, etc. Tão inexorável quanto irreversível é a urbanização do Ser Humano, também é o aumento da longevidade do Homem, como por óbvio a diminuição de sua jornada de trabalho. 
A Engenharia Genética patrocina a primeira condicionante dessa nova Era e a Cibernética patrocinará o fim do que chamou Bertand Russell em “Elogio ao Ócio” de “A moral do Estado Escravista” em relação ao trabalho sem fronteiras, ou seja, a segunda condicionante desta nova Era. E nossas cidades da Era em extinção, como se comportarão como nosso novo “habitat” nesse previsível futuro ? 
Dado a velocidade de chegada deste futuro, cujos indícios já se fazem presentes, impõe-se ao Estado (União, Estados e Municípios), medidas urgentes com vistas às imprescindíveis adaptações e reconformações de um novo desenho destas nossas cidades às novas condicionantes. Reservar já generosos espaços urbanos para a prática da vida da pós-medernidade, do lazer, da cultura, etc, e acima de tudo do equilíbrio e sustentabilidade ambiental destas novas cidades é tarefa urgente. 
Esta é uma tarefa que cabe, no Brasil, ao Ministério do Meio Ambiente, deixando de ser apenas um “Ministério de florestas” e assimilando de vez a urbanização do País, assumindo também a ambientalidade das cidades, facilitando, fomentando e incrementando Unidades de Conservação (Parques Ambientais) urbanos, como Política de Estado, através de incentivos fiscais, financiamentos e legislações federal, estaduais e municipais para incorporação ao patrimônio público destas áreas. Na perspectiva de uma parceria estrutural do Ministério do Meio Ambiente e o Ministério das Cidades, cobra-se a definição de uma política de Sustentabilidade das cidades, onde o Ministério do Meio Ambiente patrocine a disponibilidade destas Áreas Parques e o Ministério das Cidades seus entornos. 
Nesta linha de resolução das novas cidades, há de se priorizar os Fundos de Vales, enterrando de vez a antropofágica visão urbanística das retificações e canalizações dos córregos urbanos.

*O autor,Luiz Carlos Ribeiro, é arquiteto e ambientalista

0 comentários:

Postar um comentário