Relatório da Caravana Nacional de Direitos Humanos, feito em diversas comunidades indígenas do país, aponta que todos os conflitos nas mais diferentes regiões são originados na falta de respeito histórico à cultura e às terras habitadas ancestralmente pelos povos indígenas. A comissão realizou visitas nos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul (Centro Oeste, Rondônia, Roraima (Norte), Pernambuco, Bahia (Nordeste) e Santa Catarina (Sul).
Dentre alguns pontos importantes, se destaca o fato de que os índios continuam sendo dizimados, da mesma forma que acontecia no período da colonização brasileira. O relatório cita como exemplo o caso do povo Cinta Larga, em Rondônia, que foi contactado apenas no início dos anos 70 e já teve exterminado cerca de 5.000 nativos, restando, atualmente, apenas 1.400.
A comissão – formada por vários deputados – ouviu denúncias de que hospitais e postos de saúde, que recebem verba regular da Funasa (Fundação Nacional de Saúde) para atendimento diferenciado às populações indígenas, não utilizam o dinheiro para essa finalidade. Os parlamentares ressaltaram ainda o problema da educação.
"Além do ensino regular, uma grande carência é o ensino técnico. Algumas aldeias contam com escolas indígenas, mas sofrem com a falta de material escolar específico para as diversas culturas", ponderaram.
“Preguiçosos”
De acordo com o levantamento feito pela Comissão, o preconceito é o principal fator que termina motivando os conflitos agrários. Muitos fazendeiros chegam a questionar o tamanho das terras indígenas em comparação com o baixo número de indígenas que a habitam. Os fazendeiros, em geral homens brancos, entendem que as terras devem ser utilizadas na monocultura de produtos agrícolas de exportação, atividades de mineração e garimpo, extração de madeira, entre outros.
Em contra-partida, os indígenas querem utilizar as terras à sua maneira, através da caça, minério, pesca e plantio, o que reforça, para latifundiários, a idéia pejorativa de que os indígenas são preguiçosos.
"Em todas as aldeias, as etnias afirmaram que o índio quer, sim, trabalhar, mas à sua maneira. Para tanto, precisam das condições necessárias: terra, educação e saúde como políticas diferenciadas.
"Bom selvagem"
"Os caciques renegam a figura do "bom selvagem", do índio inocente e despido de interesses materiais. Ao contrário, eles querem o desenvolvimento para suas comunidades, querem aumentar a renda disponível, não querem ser apenas "um exército para cuidar das matas. Entretanto, faz-se necessário que tais iniciativas sejam possíveis em um contexto de preservação de suas identidades culturais", ressalta o relatório.
O relatório aponta ainda que o povo indígena já desenvolve seus próprios interesses de mercado.
Em comunidades como a Roosevelt, em Rondônia, e Raposa Serra do Sol, em Roraima, estão sendo desenvolvidas as atividades da garimpagem e da pecuária com um resultado comercial satisfatório, uma vez que os produtos são comercializados para os mercados não-índios, gerando recursos para as comunidades.
O que a Comissão procura mostrar é que os indígenas estão sabendo gerir suas próprias riquezas naturais. "O que os índios Makuxi (Roraima) aprenderam, e os Cinta-Larga (Rondônia) estão aprendendo é que a exploração de seus recursos naturais deve se dar de forma que preserve a identidade cultural de seu povo. Mesmo (e principalmente) quando isso signifique não explorar os recursos tão intensivamente quanto faz o homem branco".
Embora muitos não-índios afirmem que as igrejas e a Fundação Nacional do Índio (Funai) "submetam o indígena a uma visão paternalista e culturalmente escravizante", também prevalece a questão do desenvolvimento, defendida pelos mesmos não-índios, mas que não inclui no processo o direito à terra. "Foi o que se pôde perceber no Mato Grosso: os fazendeiros ofereceram a "parceria agrícola", mas desde que os indígenas abrissem mão da demarcação e homologação de suas terras", descreve o relatório.
Mato Grosso do Sul
A comissão constata uma deliberada tentativa de jogar a população não-índia contra a comunidade indígena. Em Mato Grosso do Sul, muitos se dizem "amigos" e "irmãos" dos índios, mas regra geral não se procura conhecer sua língua, seus costumes, visitar suas aldeias. Quando o conflito se acirra, espalham-se notícias de que os índios são "matadores" e "estupradores". Nesses momentos, raramente a população indígena tem a oportunidade de se defender.
Dourados
Em algumas comunidades, como no caso da Reserva Indígena de Dourados, comerciantes cobram mais caro pelas mercadorias, retém cartões de benefícios sociais e até o Poder Judiciário determina pagamentos maiores para os indígenas. O pagamento de uma fiança para um índio chega ao valor de R$ 10 mil reais pelo crime de porte ilegal de arma, enquanto a fiança é cinco vezes menor para os não-índios, presos pelo mesmo crime.Invariavelmente, considerando os crimes decorrentes do conflito, em todos os Estados visitados pela comissão há mais índios que não-índios presos. Ao mesmo tempo, morrem muito mais índios que não-índios em decorrência do conflito.
Dourados
Em algumas comunidades, como no caso da Reserva Indígena de Dourados, comerciantes cobram mais caro pelas mercadorias, retém cartões de benefícios sociais e até o Poder Judiciário determina pagamentos maiores para os indígenas. O pagamento de uma fiança para um índio chega ao valor de R$ 10 mil reais pelo crime de porte ilegal de arma, enquanto a fiança é cinco vezes menor para os não-índios, presos pelo mesmo crime.Invariavelmente, considerando os crimes decorrentes do conflito, em todos os Estados visitados pela comissão há mais índios que não-índios presos. Ao mesmo tempo, morrem muito mais índios que não-índios em decorrência do conflito.

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