Delcídio e Artuzi, ladeado pelos ex-secretários Passaia e Torraca, "grampeados" pela PF
Nada como uma (pré) campanha eleitoral para que venham a tona denúncias de mal-feitos praticados sobretudo pelos candidatos com maior oxigênio na disputa. O portal Terra em 2011, no auge da Operação Uragano, noticiou a suposta participação do senador e candidatíssimo Delcídio Amaral em um esquema que visaria cobrar propina em troca da liberação de verbas federais para obras em Dourados. A matéria está sendo utilizada agora por adversários de Delcídio para "queimá-lo" junto ao eleitorado. O teor da matéria do Terra é "nitroglicerina pura".
Áudios
Segundo o Terra, Delcídio e o secretário nacional de Saneamento Básico do Ministério das Cidades, Leodegar Tiscoski, foram citados em áudios contidos no inquérito da Polícia Federal que investiga um suposto esquema de desvio de recursos direcionados para obras na segunda maior cidade de MS. A reportagem do Terra teve acesso com exclusividade a dois áudios, com cerca de duas horas de gravação, que apontam que ambos cobrariam propina para intermediar repasses de verbas para a cidade.
Segundo a reportagem do Terra, as informações teriam sido descobertas durante as investigações da PF que culminaram na Operação Uragano, realizada em setembro de 2010.
Na ocasião, 28 pessoas foram presas, entre autoridades políticas, agentes públicos e empresários de MS.
Na gravação, o ex-diretor de Obras de Dourados Jorge Hamilton Torraca fala ao então ex-secretário de governo de Dourados, Eleandro Passaia, como funcionaria a divisão dos recursos entre o então prefeito Ari Artuzi - cassado e preso posteriormente -, Delcídio e o secretário Tiscoski para a liberação de verbas em Brasília.
As gravações foram realizadas nos dias 5 e 16 de junho de 2010.
Num trecho dos áudios, segundo o Terra, Passaia afirma que o empreiteiro Geraldinho, da empresa Planacon - que ganhou licitação para realizar obras de saneamento -, repassava 5% do valor das obras para Delcídio e 10% para o deputado federal Geraldo Resende (PMDB).
Tabela de propina diferenciada
Ainda na gravação, Torraca afirma que, dependendo da obra, o percentual é diferenciado. O "retorno" de emendas ou recursos federais intermediados pelo senador varia, segundo o diálogo, de 2,5% para casas populares, devido ao baixo custo da obras, a até 10% em obras de pavimentação ou saneamento básico, quando o lucro pode ser maior.
A maioria dos supostos envolvidos nas fraudes se apressou em negar a participação no esquema. Em um trecho de uma nota encaminhada à imprensa, Delcídio, através de sua assessoria de imprensa, ressaltou que “o inquérito no qual a reportagem do Terra se baseou para escrever a matéria foi conduzido em segredo de Justiça em face da fragilidade das denúncias relacionadas a ele e aos demais acusados". Na mesma nota, o senador relatou que o acesso aos autos, nesse caso, seria restrito a advogados.
Processo
À época da divulgação do suposto esquema, Delcídio do Amaral entrou com um processo contra o Portal Terra e o repórter sulmatogrossense Italo Milhomem Santos.O processo de nº31255, registrado na 11º Vara Cível de Campo Grande, pede uma indenização de R$100 mil em função de dados segundo ele "inverídicos" publicados na reportagem.
Processo
À época da divulgação do suposto esquema, Delcídio do Amaral entrou com um processo contra o Portal Terra e o repórter sulmatogrossense Italo Milhomem Santos.O processo de nº31255, registrado na 11º Vara Cível de Campo Grande, pede uma indenização de R$100 mil em função de dados segundo ele "inverídicos" publicados na reportagem.

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