terça-feira, 11 de junho de 2013

Efeito estufa pode inviabilizar principal base econômica do estado

 
 
 
A tradicional manchete "safra de soja bate recorde em Mato Grosso do Sul" será apenas uma  lembrança se não for feito com urgência um inventário do volume de gases causadores do efeito estufa emitidos no estado e, de posse desses dados, elaborado um Plano Estadual de Enfrentamento das Mudanças Climáticas.Estudos científicos já demonstraram que se nada for feito para estancar o crescente aumento da temperatura no estado a partir de 2030 a cultura, um dos pilares da nossa economia, será inviabilizada, pois o calor impedirá a brotação e desenvolvimento dos grãos. O alerta foi feito pelo ex-vereador em Campo Grande e presidente estadual do Partido Verde (PV) Marcelo Bluma.Esse aumento do efeito estufa-calor já se fêz sentir no ano passado e trouxe resultados negativos para a cultura em Dourados, Maracaju, São Gabriel do Oeste e outros municípios nos quais a soja é a base da agricultura. O clima não ajudou e a colheita foi menor do que o esperado.
A queda na produtividade variou de 30 a 60% em algumas lavouras.O agrônomo da Embrapa Carlos de Melo explica que as perdas foram causadas pela estiagem prolongada que atingiu muitos municípios no meio de novembro, dezembro e começo de janeiro, época que as plantas precisavam de água para germinar.Pelo último levantamento da Conab, Mato Grosso do Sul deve colher 4,9 milhões de toneladas de soja. Houve redução de 4% em relação à produção da safra passada.
 
Relatório
 
Relatório da Organização Meteorológica Mundial mostra que, no plano global, os níveis de dióxido de carbono, metano e óxido nitroso na atmosfera são os mais altos já medidos.
O nível dos gases do efeito estufa, apontados como os principais responsáveis pelo aquecimento do planeta, atingiu um novo recorde no ano passado, segundo dados da Organização Meteorológica Mundial (OMM). A atividade humana foi responsável pelo aumento da emissão dos três tipos de gases mais ligados ao aquecimento global.
As análises mais recentes da OMM, publicadas em um boletim anual sobre o assunto, mostram que as frações de dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e óxido nitroso (N20) na atmosfera alcançaram novos níveis máximos em 2011. Estes três gases são os principais causadores do efeito estufa, pois prendem a radiação solar dentro da Terra, causando o aquecimento do planeta. O dióxido de carbono é o principal gás do efeito estufa emitido pela atividade do homem, sendo responsável por 85% do aquecimento global registrado nos 10 últimos anos. Em 2011, a concentração de CO2 no mundo chegou a 390,9 ppm (partes por milhão), 40% a mais do que era encontrado na época anterior ao surgimento da indústria.
No ano passado, sua concentração na atmosfera aumentou 2 ppm. Este aumento é semelhante ao que foi medido nos últimos dez anos, e superior ao que foi registrado nos anos 1990, quando a média de aumento era de 1,5 ppm por ano. Segundo a OMM, desde 1750, cerca de 375 bilhões de toneladas de carbono foram emitidas na atmosfera na forma de CO2. Cerca de metade dessa quantidade foi absorvida pelos oceanos e florestas — o que está longe de resolver o problema do aquecimento global.
 
Agricultura sustentável
 
"Estes bilhões de toneladas de CO2 adicionais em nossa atmosfera permanecerão durante séculos e aquecerão ainda mais nosso planeta. Isso terá repercussões em todos os aspectos de vida na Terra e no caso de Mato Grosso do Sul já é perceptível o aumento do calor e suas consequências inlusive econômicas", ponderou Bluma, que defendeu a adoção da chamada agricultura sustentável, com aumento das reservas naturais,  criação de Reservas de Proteção do Patrimônio Natural, criação de Áreas de Preservação Permanente,aumento das áreas destinadas às  matas  ciliares e outras medidas,  que podem ser implementadas através do Plano Estadual de Enfrentamento das Mudanças Climáticas.

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