O desenvolvimento da criança está diretamente ligado a diversos fatores, como adaptação biológica, fatores ambientais e hereditariedade. São nos primeiros anos de vida que ocorre grande parte do desenvolvimento do ser humano; é nessa fase que acontece a maturação do córtex cerebral promovendo a melhora das funções motoras. A estimulação da criança desde sua mais tenra idade é fundamental nesse período, quando deve haver o máximo de satisfação de suas necessidades básicas. Estudos mostram que existe uma grande incidência de parasitoses intestinais e infecções respiratórias em crianças que estudam em creches; e que essas infecções repetidas podem levar a um retardo do crescimento, prejudicando, assim, o seu desenvolvimento, bem como a má alimentação e as baixas condições de higiene. Esses agravos à saúde podem ocorrer, em alguns casos, em decorrência das práticas de cuidados exercidas por profissionais que trabalham na creche, como, por exemplo, as cozinheiras, as faxineiras, entre outros profissionais, que necessitam de orientação quanto a medidas preventivas. Recentemente, devido à maior urbanização e maior participação feminina no mercado de trabalho, as creches passaram a ser o espaço mais frequentado pelas crianças, tornando-se locais potenciais de contaminação. Por isso, é preciso promover ações preventivas de saúde, para a diminuição da vulnerabilidade das crianças às infecções.É baseado nessa premissa que vou defender nesse artigo uma proposta inovadora: a inclusão, na equipe multidisciplinar desses espaços, da figura do enfermeiro.
O enfermeiro tem em sua formação a essência do cuidado ao ser humano de forma holística, visando, principalmente, a promoção da saúde, que envolve as condições de trabalho, de moradia, de alimentação, do meio ambiente e de lazer e por isso, o mesmo se encontra apto a executar o cuidado em saúde às crianças nessas instituições de educação infantil. A nosso ver, com a presença do enfermeiro nessas instituições, assistindo a criança de forma integral e observando práticas de cuidados exercidas por outros profissionais, poderá ser traçado um plano de atuação que identifique esses fatores e diminua a ocorrência de doenças prevalentes da infância, como infecções respiratórias, anemia, diarreia, desnutrição, desidratação, entre outras.
As creches, de acordo com cada localidade, são formadas pelos seguintes profissionais: professores, auxiliares de creche, diretora geral, dirigentes de turno e auxiliares de serviços gerais, que são as faxineiras e merendeiras. A quantidade de funcionários varia de acordo com o número de crianças que estão matriculadas nas creches e esse número de crianças a serem inscritas vai de acordo com o espaço físico do local. A creche é uma instituição criada para oferecer condições ótimas, que propiciem um crescimento e desenvolvimento integral e harmonioso à criança.
Visando esse objetivo é que vêm se pensando e reformulando o modelo de assistência prestado nas creches. Desde 1995, vem se discutindo o modelo das Escolas Promotoras da Saúde (EPS), que têm como finalidade a implantação de uma equipe multidisciplinar que possa enxergar não só a criança, mas toda a sua família e assim promova ações relacionadas ao autocuidado da saúde e a prevenção de agravos.
Sabemos que o cuidado está ligado a uma amplitude de processos que envolve educação, acolhimento, proteção, alimentação, higiene, interação entre criança e adulto e atendimento as necessidades básicas das crianças, ou seja, uma integração de todos os fatores que envolvam saúde e ensino.
A importância dessa integração consiste na necessidade de aperfeiçoar o olhar para o cuidado infantil, compreendendo-o como base
para a promoção da saúde e do desenvolvimento da criança, em todos os lugares onde ela é recebida. Pesquisas realizadas com profissionais relatam uma alta incidência de infecções que acometem as crianças que estudam na creche, e que esta incidência poderia ser diminuída com a ação efetiva de profissionais da saúde para o processo de capacitação dos profissionais da creche. Esses profissionais se preocupam inclusive quanto à sua saúde e exposição frequente as doenças. Por isso, mediante tantos casos de doenças infectocontagiosas ocorridas em crianças e também, em alguns casos, em adultos, compreende-se que medidas apropriadas de prevenção, detecção precoce e manejo correto de doenças prevalentes da infância dependem dos conhecimentos que sustentam as práticas de cuidado no domicílio e em outros locais onde as crianças permanecem no seu dia a dia.Ações simples poderiam ser executadas para prevenção dessas doenças e observa-se a urgência e carência dos próprios profissionais da creche quanto aos conhecimentos relativos à prevenção das doenças infectocontagiosas.
Neste contexto, fundamental seria a atuação do enfermeiro, que possui na essência do seu trabalho a educação e saúde. Fica a proposta.
*O Autor, Eduardo Marcondes, é médico pediatra, ex-secretário municipal de Saúde, ex-vereador e responsável pelo setor de pediatria do Hospital da Vida


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