Este ano completa 31 anos do documentário Comitiva Esperança, uma viagem musical feita pelos músicos Almir Sater, Paulo Simões e Zé Gomes(in memorian) pelo Pantanal. O titular do Blog, que “arranha” uma viola, aproveita para ter um dedo de prosa com o leitor e a leitora sobre a história dessa viagem épica. Comitiva Esperança surgiu de um desafio. Estavam Paulinho, Almir e Zé Gomes na fazenda de um amigo, na região da Nhecolândia, conversando sobre o Pantanal e suas maravilhas.Com o ar bonachão dos pantaneiros, o proprietário da fazenda disse que o trio só conheceria realmente aquela região acompanhando uma comitiva boiadeira. E acrescentou: "Só vale se viajarem como eles, em lombo de burro". Esse trecho da conversa inclusive foi incluído na letra de “Estradeiro”: “Em carro de boi, litorina e lombo de burro baguá...”. Almir perguntou se ele emprestaria uns burros, que eles fariam a viagem. Ele concordou, em clima de aposta e não botando muita fé na conversa dos três cabeludos.
Daí, a idéia foi tomando forma e acabou virando projeto: ver o Pantanal pelo prisma dos seus habitantes, adotando seus meios de transporte históricos: mula, cavalo, carro de boi e barco.Ao trio juntou-se os cineastas Wagner Carvalho e Walter Rogério e o jornalista, crítico e pesquisador Zuza Homem de Mello, além do fotógrafo Raimundo Alves Filho e entre novembro de 1983 e fevereiro de 1984 a comitiva se pôs na estrada, percorrendo o Paiaguás, Nhecolândia, Piquiri, São Lourenço e Abobral. Ouvindo moradores, peões de comitiva, trovadores, mascates e outros representantes da nossa música, em momentos festivos, em que retribuíam os pousos nas fazendas tocando.Segundo Almir foram 90 bailes, exatamente os dias de duração da viajem.
Da viagem, alem de “Estradeiro”, resultaram a antológica “Comitiva Esperança” e “Capim de Ribanceira” e muitos instrumentais.Conhecido nacionalmente, o documentário faz parte do acervo do Museu da Imagem e do Som (MIS) de São Paulo. Das cenas registradas no documentário, o Pantanal não mudou muito.Em um lugar onde não existe fome, como lá, as pessoas são felizes, recebem bem os viajantes (que são uma novidade) e Almir aproveita os dias de chuva para compor as canções que já ultrapassaram as fronteiras do Brasil.
Quem conhece o carisma de Almir, a simplicidade e a independência do chamado “mercado” das gravadoras, que impõem goela abaixo muito lixo sonoro, sabe que boa parte do seu estilo veio da convivência com a peãozada. Do trio de músicos, partiu para tocar no céu o violinista Zé Gomes.Paulinho continua sendo a “metade” de Almir, compondo com ele a maioria das trilhas dos CDs lançados pelo violeiro.Quem ainda não viu o documentário, fica a dica:vale a pena.




0 comentários:
Postar um comentário