segunda-feira, 29 de abril de 2013
Acionada pelo blog, Comissão de Direitos Humanos visita Estrela Hory, bairro de excluidos físicos e mentais de Dourados
Acionada pelo titular do blog, a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Municipal, representada pela sua vice-presidente Virgínia Magrini, fêz no sábado um visita oficial ao conjunto Estrela Hory, criado na gestão do prefeito Laerte Tetila para abrigar portadores de necessidades especiais (deficientes físicos) e portadores de doenças mentais. Lá , a vereadora constatou a veracidade das denúncias feitas em vários posts, alertando existir no local um gueto, um processo de exclusão social que abandona à própria sorte pessoas como a aposentada Geralda Pereira, vítima de um derrame cerebral e que há dois meses aguarda o agendamento da fisioterapia que pode devolver-lhe os movimentos.Enquanto isso, movimenta-se em uma cadeira de rodas que para sair à rua tem que ultrapassar um portão cuja base tem mais de dois palmos de altura.Detalhe: dona Geralda é cuidada apenas pelo companheiro Antonio Cardoso, que toma remédios controlados para recuperar-se de uma epilepsia.Parte dos remédios ele compra com dinheiro do próprio bolso, pois a prefeitura não tem disponivel.
A vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Municipal conversou também com dona Angela Maria, mãe do doce Carlos Alberto, que segundo ela por erro médico tornou-se deficiente mental.Carlos Alberto tem 29 anos e há oito anos sua mãe se viu obrigada a colocar grades nas portas e janelas. É assim que Alberto passa os dias: olhando o mundo pela grade da porta.Virgínia Magrini ouviu também o relato de uma avó, que passou a cuidar do neto de tres anos que posssui hidroencefalia e que, na sua esperança de avó, ela aposta que "ainda vai ser o mais inteligente da família".De outra mãe, ouviu elogios ao trabalho da APAE, onde o filho que não fala, não ouve e não anda faz exercícios diários.Entidades como a APAE e a Pestalozzi, por sinal, fazem um trabalho meritório exemplar e são a única mão em que podem se segurar esses brasileiros, transformados por uma política pública equivocada e ilegal, porque segregacionista, em párias da sociedade.
Todos esses relatos foram colhidos em uma única rua, conhecida no bairro como "a rua dos deficientes".Quando do lançamento do conjunto ser portador de necessidades especiais de locomoção ou deficiência mental era condição para o cadastro e eventual disponibilização dos imóveis, projetados sem seguir as normas de acesssibilidade e em uma prática excludente sem similar no país.Hoje a configuração do bairro mudou, havendo grande parcela de moradores "normais".
No caso dos portadores de necesssidades especiais de locomoção e dos deficientes mentais, a mão do poder público aparece eventualmente, através dos agentes de saúde,mas para receber atendimento especializado tanto portadores de necessidades especiais de locomoção ou de deficiência mental precisam dirigir-se ao Pronto Atendimento Médico (PAM), quando o recomendável seria o atendimento profisssional por psicólogos, psiquiatras e fisioterapeutas na própria residência.Acostumada à dor e ao sofrimento (curou-se de um câncer), a vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara declarou-se "estupefata". "É inacreditável e desumano que essas pessoas vivam excluídas e praticamente abandonadas pelo poder público, como se fossem um incômodo para a sociedade", declarou Virgínia Magrini.A visita oficial ao conjunto resultará em um relatório, que será entregue e apresentado em plenário.

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