Sem querer politizar uma questão tão fundamental, a pergunta que não quer calar é: o que move o governador ao preterir a cidade (Dourados) que é considerada “Cidade Universitária” e polo de referência para mais de 30 municípios e que é a sede oficial da UEMS e de com “uma canetada”, sem discussão com a sociedade, determinar que seja implantado no Campus de Campo Grande o curso de Medicina, tão esperado por Dourados? Será o instinto de sobrevivência política, já que é lá na capital que o PMDB não vai muito bem das pernas? Recuso-me a acreditar que um patrimônio de Mato Grosso do Sul e, sobretudo dos que querem dias melhores, através da formação acadêmica, esteja sendo para dar um “verniz” na popularidade.
A Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) foi implantada através da Lei Estadual nº 1.461, de 20 de dezembro de 1993 e recebeu Parecer Favorável do Conselho Estadual de Educação em fevereiro de 1994 com a finalidade revolucionária de descentralizar o ensino superior no estado, levando ao interior a oportunidade de ingressar nos bancos da faculdade. A louvável intenção era criar um mecanismo que pagasse a enorme dívida educacional que remontavam o Mato Grosso Uno e permaneceram após a criação do estado, em 1977. Se antes tudo era em Cuiabá, depois o centro das atenções passou a ser Campo Grande. Centralizavam tudo na capital, o que gerou tanto na classe política como nos diversos segmentos da sociedade o que se pode chamar de “movimento pela liberdade”, de luta para que chegasse nos demais municípios o ensino superior, antes só disponibilizados através de instituições particulares e então simplesmente inexistente.
Através de reuniões com as comunidades locais, foram definidas as necessidades regionais e chegou-se à concepção de uma Universidade com vocação voltada para a propagação do ensino superior no interior do Estado, alicerçado na pesquisa e extensão, respaldada na Política de Educação do Estado de Mato Grosso do Sul, que se propunha a “reduzir as disparidades do saber e alavancar o desenvolvimento regional, contribuindo através do ensino, da pesquisa e da extensão para o desenvolvimento científico, tecnológico e social do estado”.
Fiz esse breve histórico porque venho notando que aos poucos, através de medidas tecnicistas e estranguladoras como a retirada de autonomia ou corte de recursos, a UEMS está sendo marotamente desvirtuada de sua finalidade, que é a interiorização do saber acadêmico. Como ter acesso à formação superior sem uma instituição fortalecida, com dotação orçamentária necessária para fazer frente às demandas estruturais de cada curso e de cada uma das 14 unidades/campus e que cumpra a sua finalidade, que é “reduzir as disparidades do saber e alavancar o desenvolvimento regional, contribuindo através do ensino, da pesquisa e da extensão para o desenvolvimento científico, tecnológico e social do estado”, como foi divulgado quando do anúncio da sua criação e conforme grifamos acima?
Mesmo “nadando contra a maré”, os números não mentem. O número de alunos aumentou 880%, passando de 830 matriculados em 1994 para 8.550, incluindo graduação e pós-graduação, em 2011. É uma das principais responsáveis pela interiorização da educação superior no MS. No ano de 2011, a UEMS teve vários de seus cursos avaliados pelo Conselho Estadual de Educação e sete deles foram avaliados com o conceito 4 ( em uma escala que vai de 1 a 7), incluindo os Cursos de Letras de Dourados. Oras, se os números são inegavelmente positivos, porque essa estratégia de “esvaziar” a UEMS, cujo ápice foi o anúncio, há poucos dias, de que será criado um curso de medicina, mas no Campus de Campo Grande? Porque lá??
Creio ter passado da hora de darmos um não rotundo aos pratos feitos que os governos, de todos os partidos, tentam enfiar goela abaixo da população de Dourados. São soluções prontas, tomadas por grupos isolados, mas com poder para cometer injustiças como a que representa esse desprezo por Dourados e pelos demais Campus que é a decisão de se instalar no Campus da capital o curso de medicina da UEMS.
Diante das inúmeras indagações sobre minha posição acerca dessa equivocada decisão do Governo do Estado e embora não faça parte nem do corpo docente (professores) ou discente (alunos) quero dizer que não me convencem os argumentos utilizados para justificar tal decisão. Não me convence a ideia de que Dourados não mereça ter em seu Campus o curso de Medicina. Com a palavra nossos representantes na esfera Estadual e Federal, especialmente os de Dourados!

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