Antes era fácil. O político (entendendo-se aqui como os detentores de mandato, já que segundo o sábio Aristóteles "todo homem é um animal político") adepto de mal-feitos "molhava a mão" dos meios de comunicação impressos e a notícia de um eventual deslize cometido no exercício do mandato noticiada hoje era "encoberta" no dia seguinte, no mesmo meio de comunicação, por uma outra matéria enaltecendo suas virtudes.Com o advento da internet a farra acabou. O mal-feito fica registrado e basta digitar o nome do sujeito em mecanismos de busca e o mal-feito estará lá, imortalizado.O eleitor pode saber como votou, o teor de discursos e uma pá de informações que lhe permitirão saber se, ao ter eleito determinado candidato, não comprou gato por lebre, como diz o adágio popular.E isso, lógico, incomoda.
O Brasil liderou a lista de países que mais pediu remoção de conteúdo do Google, o mais acessado site de buscas, entre julho e dezembro do ano passado, coincidentemente período eleitoral.
Os dados divulgados pela gigante das buscas registram ter 697 ordens de remoção de conteúdo do Brasil nesse período, uma média de 3,5 por dia. Isso representou um aumento de 265% com relação ao relatório anterior.
"O que mais chama a atenção é que cerca de metade das ordens (316) se baseava na proibição do Código Eleitoral Brasileiro sobre qualquer expressão que represente 'ofensa à dignidade ou decoro' dos candidatos e foi expedida em caráter liminar, ou seja, sem análise e decisão definitiva", afirma o Google em nota.
O Google afirma que foi obrigado a remover conteúdos em resposta a 35 casos baseados na lei eleitoral. "Nos demais, o debate segue em andamento, uma vez que está em jogo a relevante discussão sobre se os usuários têm ou não o direito de se expressar e expôr suas ideias durante o período eleitoral, ou se seguiremos equiparando toda forma de expressão na Internet à 'propaganda eleitoral negativa'", afirmou a companhia.
O Google diz que segue recorrendo em outros processos, sob o argumento de que o conteúdo está protegido pela liberdade de expressão de acordo com a Constituição Federal.
Caso Bernal é citado
O Google explicou alguns dos pedidos de remoção feitos pelo Brasil, como o de um promotor público que pediu para remover cinco postagens e quatro resultados de pesquisa com links para blogs que supostamente o difamavam acusando-o de incompetência e corrupção. O conteúdo não foi removido, assim como não foi o blog que supostamente difamava e acusava um advogado de corrupção.
Em setembro, durante as eleições, o diretor-geral do Google no Brasil, Fábio José Silva Coelho, foi detido pela Polícia Federal por manter no Youtube vídeos, no quais o então candidato a prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (PP) era acusado de praticar crimes. O profissional teve sua prisão determinada depois que a empresa não cumpriu o segundo pedido da Justiça de retirar o conteúdo do site.
No total, o Google recebeu 2.285 pedidos para remover 24.179 peças de conteúdo em todo mundo, o que considera um "aumento sensível" se comparado aos 1.811 pedidos para remover 18.070 itens que recebeu durante o primeiro semestre de 2012.

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