A ressurreição do natimorto debate sobre a
mudança de nome do estado é prova de que nossos legisladores, com raras
exceções, pouco entendem de cultura e principalmente de identidade cultural.
Nossos artistas, como Jonir Figueiredo, o saudoso Henrique Spengler e o
incomparável Almir Sater, dão um “banho” nesse quesito, já que de há muito
lutam pela consolidação do nome Mato Grosso do Sul.
Qualquer jejuno em geografia sabe que a
identificação de um estado não pode ser feita apenas pela riqueza natural que
se sobressai em seu território. Fosse assim o Rio Grande do Norte não teria
esse nome e sim Estado das Salinas. Mato Grosso do Sul não possui apenas a
planície alagada do pantanal, mas o barro vermelho da nossa boa Dourados, as
areias de Nova Andradina, o cerrado de Campo Grande e por aí vai, compostas, é
claro, pela mataria já não tão grossa, vez que assolada pelos canavieiros e
seus desejos quase despudorados pelo dinheiro.
Os argumentos dos fervorosos patriotas
equivocados que defendem a mudança do nome são patéticos. Na avaliação de
parlamentares do PT, se Mato Grosso do Sul tivesse o nome sugerido por Zeca do
PT, Estado do Pantanal, não teria como a Fifa (Federação Internacional de
Futebol) escolher Cuiabá como uma das cidades sede da Copa do Mundo em vez de
Campo Grande, pois a intenção da federação era promover o evento esportivo no
Pantanal. Pode tamanha ingenuidade? Por acaso nosso co-imão Mato Grosso também
não abriga uma porção do Pantanal, assim como a Bolívia e o Paraguai, que
denominaram suas porções de Chacos?
Ademais, há que levar em conta os gastos com a
atualização de todas as publicações existentes, com o acréscimo ao material
didático/pedagógico, com a mudança nos registros de pessoas naturais, nas
escrituras das propriedades, com o emplacamento dos veículos, com a mudança nos
RGs, títulos de eleitor e outros documentos. Essa rapaziada quer brincar com
dinheiro público para fazer com que Zeca entre para a história pela porta da
frente, uma vez que saiu do governo pela porta de trás, envolvido até o talo no
escândalo das notas frias de publicidade, que segundo o Ministério Público
somam mais de 400 milhões tungados do povo do estado que querem para extensão
de seus quintais localizados em Corumbá (Paulo Duarte), Porto Murtinho (Zeca) e
Bodoquena (Arroyo)
Para encerrar e já conclamando os que pensam o
contrário para o bom combate de que falava o apóstolo Paulo, corroborado pela
máxima de Voltaire de que “é do debate que nasce a luz”, narro episódio
ocorrido na passagem da CPI do Narcotráfico por Dourados.
Parlamentares aboletados na mesa de autoridades,
agentes da PF circulando e nós, jornalistas, prontos aos questionamentos às
“otoridades”. Logo no começo o presidente da Comissão, então deputado federal e
hoje senador Magno Malta (PR/ES) tascou: “Estamos aqui em Dourados, no Mato
Gosso...”. Interrompi e esclareci: “É Mato Grosso do Sul, deputado!”, pensando
com meus botões do paletó que uma vez bastaria para que o forasteiro soubesse o
nome do chão que estava pisando. Bola vai, bola vem e o indigitado parlamentar
repetiu o erro mais umas cinco vezes, sendo prontamente corrigido pelo escriba.
Até que na sexta vez eu e os colegas explodimos numa sonora gargalhada, como a
dizer um não rotundo a tamanha ignorância.
Fizemos diferente do senador Delcídio Amaral (novamente o PT), que durante
entrevista ao programa de Jô Soares ouviu impassível o apresentador, mais dado
a enaltecer suas proezas durante as entrevistas que ao conhecimento da
geografia do país, também tascar “Mato Grosso” como sendo a terra de nosso
representante no Congresso Nacional. Preferiu o senador elocubrar sobre
sua preferência pelo rock and rol a corrigir o erro. O mesmo fez a dupla
sertaneja João Bosco e Vinícius, que durante entrevista à apresentadora Eliana
também se calou diante do erro por ela cometido.Ao trabalho, meninos.
O "GÊNIO" DE NOVA GRANADA (SP) QUE PROPÔS A MUDANÇA DO NOME DO ESTADO


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