sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Mudar o nome do estado:uma idéia de gerico






A ressurreição do natimorto debate sobre a mudança de nome do estado é prova de que nossos legisladores, com raras exceções, pouco entendem de cultura e principalmente de identidade cultural. Nossos artistas, como Jonir Figueiredo, o saudoso Henrique Spengler e o incomparável Almir Sater, dão um “banho” nesse quesito, já que de há muito lutam pela consolidação do nome Mato Grosso do Sul.
Qualquer jejuno em geografia sabe que a identificação de um estado não pode ser feita apenas pela riqueza natural que se sobressai em seu território. Fosse assim o Rio Grande do Norte não teria esse nome e sim Estado das Salinas. Mato Grosso do Sul não possui apenas a planície alagada do pantanal, mas o barro vermelho da nossa boa Dourados, as areias de Nova Andradina, o cerrado de Campo Grande e por aí vai, compostas, é claro, pela mataria já não tão grossa, vez que assolada pelos canavieiros e seus desejos quase despudorados pelo dinheiro.
Os argumentos dos fervorosos patriotas equivocados que defendem a mudança do nome são patéticos. Na avaliação de parlamentares do PT, se Mato Grosso do Sul tivesse o nome sugerido por Zeca do PT, Estado do Pantanal, não teria como a Fifa (Federação Internacional de Futebol) escolher Cuiabá como uma das cidades sede da Copa do Mundo em vez de Campo Grande, pois a intenção da federação era promover o evento esportivo no Pantanal. Pode tamanha ingenuidade? Por acaso nosso co-imão Mato Grosso também não abriga uma porção do Pantanal, assim como a Bolívia e o Paraguai, que denominaram suas porções de Chacos?
Ademais, há que levar em conta os gastos com a atualização de todas as publicações existentes, com o acréscimo ao material didático/pedagógico, com a mudança nos registros de pessoas naturais, nas escrituras das propriedades, com o emplacamento dos veículos, com a mudança nos RGs, títulos de eleitor e outros documentos. Essa rapaziada quer brincar com dinheiro público para fazer com que Zeca entre para a história pela porta da frente, uma vez que saiu do governo pela porta de trás, envolvido até o talo no escândalo das notas frias de publicidade, que segundo o Ministério Público somam mais de 400 milhões tungados do povo do estado que querem para extensão de seus quintais localizados em Corumbá (Paulo Duarte), Porto Murtinho (Zeca) e Bodoquena (Arroyo)
Para encerrar e já conclamando os que pensam o contrário para o bom combate de que falava o apóstolo Paulo, corroborado pela máxima de Voltaire de que “é do debate que nasce a luz”, narro episódio ocorrido na passagem da CPI do Narcotráfico por Dourados.
Parlamentares aboletados na mesa de autoridades, agentes da PF circulando e nós, jornalistas, prontos aos questionamentos às “otoridades”. Logo no começo o presidente da Comissão, então deputado federal e hoje senador Magno Malta (PR/ES) tascou: “Estamos aqui em Dourados, no Mato Gosso...”. Interrompi e esclareci: “É Mato Grosso do Sul, deputado!”, pensando com meus botões do paletó que uma vez bastaria para que o forasteiro soubesse o nome do chão que estava pisando. Bola vai, bola vem e o indigitado parlamentar repetiu o erro mais umas cinco vezes, sendo prontamente corrigido pelo escriba. Até que na sexta vez eu e os colegas explodimos numa sonora gargalhada, como a dizer um não rotundo a tamanha ignorância.
Fizemos diferente do senador Delcídio Amaral (novamente o PT), que durante entrevista ao programa de Jô Soares ouviu impassível o apresentador, mais dado a enaltecer suas proezas durante as entrevistas que ao conhecimento da geografia do país, também tascar “Mato Grosso” como sendo a terra de nosso representante no Congresso Nacional. Preferiu o senador elocubrar sobre  sua preferência pelo rock and rol a corrigir o erro. O mesmo fez a dupla sertaneja João Bosco e Vinícius, que durante entrevista à apresentadora Eliana também se calou diante do erro por ela cometido.
Ao trabalho, meninos.




    O "GÊNIO" DE NOVA GRANADA (SP) QUE PROPÔS A MUDANÇA DO NOME DO ESTADO

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