Mal entrou m vigor, o novo Código Florestal (Lei 12.651/12) inicia
2013 em meio a polêmicas. No Congresso, a bancada ruralista se articula para
derrubar os vetos da presidente da República, Dilma Rousseff, ao texto.O
vice-líder do DEM e integrante da Frente
Parlamentar do Agronegócio(nome eufemístico dado à conservadora bancada ruralista)
deputado Ronaldo Caiado (GO), quer aproveitar a análise de mais de 3 mil vetos
presidenciais, que à espera de análise pelo Congresso, para resgatar o texto
aprovado pelos parlamentares, sobretudo quanto à recuperação de áreas de
preservação permanente (APPs).
"Foi acordado que a recuperação das áreas que já estão produzindo
teriam uma escala em menor proporção, ou seja, elas teriam de ser avaliadas
sobre a real necessidade de sua preservação. E, no caso dos cursos d'água acima
de 10 metros, teríamos uma graduação menor na metragem. Esse foi o acordo feito
e que, infelizmente, não foi respeitado pela presidente", argumenta
Caiado.
Vetos
O projeto original (PL 1876/99) do novo código, aprovado pelos parlamentares em maio do ano passado, já havia sofrido vetos parciais, que foram complementados pela Medida Provisória 571/12. Essa MP (convertida na Lei 12.727/12), porém, após ser modificada pelos parlamentares, também teve nove itens vetados por Dilma, em outubro, sob o argumento de não anistiar desmatadores e garantir a inclusão social no campo.Desde então, um decreto presidencial resgatou a chamada "escadinha", que traz regras diferentes de recomposição das margens desmatadas de rios, de acordo com o tamanho da propriedade.
Ministério Público
Conforme divulgou o blog, o novo Código Florestal também é alvo de três ações diretas de inconstitucionalidade (ADIs) movidas pela Procuradoria Geral da República (PGR), no Supremo Tribunal Federal (STF). O Ministério Público questiona vários dispositivos da nova lei, entre eles a definição de APPs, a redução da reserva legal e a chamada anistia para quem desmatou até julho de 2008. O Partido Verde divulgou nota em apoio à iniciativa dos procuradores.
O coordenador de política e direito do Instituto Socioambiental, Raul do
Valle, avalia que, apesar do atual momento de insegurança jurídica, o pior
cenário seria a manutenção de uma lei que, seundo ele, possui itens
inconstitucionais e que afetam o equilíbrio ecológico. "Não há dúvida de
que haverá insegurança jurídica. Esse é o preço que os parlamentares que
quiseram aprovar essa lei colocaram para a sociedade”,afirmou referindo-se à
intrépida bancada ruralista.
Valle lembra que, na história recente do Supremo, poucos casos de
relevância e complexos como a legislação ambiental foram decididos rapidamente.
“Então, nesse contexto, acho que o ideal é implementar a lei e aguardar o que
vai mudar. Acho difícil o STF derrubar a lei inteira, mas, muito provavelmente,
retirará alguns pontos importantes, sobretudo no que diz respeito à
anistia", complementa.
NO STF
Nas ações encaminhadas ao Supremo, o Ministério Público pede a concessão
de liminar para a suspensão imediata dos dispositivos questionados no novo
código, até o julgamento final do caso.
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