Por Crispim Guimarães
O que caracteriza o ser humano como distinto dos demais animais é exatamente a razão, isto é, sua capacidade de raciocinar, de ter idéias, mas hoje a informação (necessária, claro), parece estar tirando esta capacidade humana de assimilar a realidade, para fazer um juízo de valor profundo e coerente. Atualmente, distinguir realidade e ficção é cada vez mais complicado, assim, a partir do entretenimento, dos meios de comunicação, a sociedade vive um vazio de grandes ideais, mesmo que vivamos num mundo com grande aparato científico, grande acesso à informações e investimento em inovações e centenas de publicações científicas, mas sem a capacidade de gerar revoluções como as de Jesus Cristo, Francisco de Assis, Gandhi, Galileu, Einstein, Freud e Victor Franck.
Não deixamos de ser inteligentes, mas nossas idéias agora são logo assimiladas para ganhar dinheiro, transformadas em negócios e lucros, as demais idéias relacionadas aos valores são relegadas ao ostracismo.
Li uma crítica no New York Times, sobre este tema, onde o autor, Neal Gabler, da Universidade da Califórnia, dizia que a instituição universitária se afastou do mundo real, valorizando o trabalho hiperespecializado e desvalorizando a ousadia, assim como a mídia que cultuada através de seus pseudoespecialistas, com suas idéias inócuas, pretende criar sempre notícias impactantes.
Onde estaria, então, a causa desta debilidade? No excesso de informação, esta, antes usadas para construir conhecimento, além de tentar entender o mundo, agora, com o advento dos meios mediáticos, temos acesso a qualquer notícia, de todos os lugares do planeta, colocando a informação acima do conhecimento, aliás, tudo é buscado na “rede”, possuir informação tornou-se mais importante que conhecer, simplesmente porque estamos na moda, conectados, nas supostas redes interligadas.
As gerações das últimas décadas usam maciçamente estas novas tecnologias como forma primária de comunicação, ao invés da conversa face a face, as brincadeiras em vídeos, ao invés das parcerias pessoais, o Orkut, MSN, etc., isto pode fomentar hábitos contrários à formação de idéias, porque “substitui argumentos e raciocínios lógicos, por fragmentos de comunicação e opiniões descompromissadas”.
O futuro nesta percepção não é nada promissor, pois aponta para mais informações na rede, desvalorizando o conhecimento, os pensadores e a ciência. Todas as informações existentes no mundo estão ao nosso alcance na Rede de Mundial de Computadores, o mundo está ao nosso dispor, mas quem vai pensar a respeito da Rede, da informação, de como ela é forjada, para que serve?
Neste Natal, por exemplo, quem vai pensar seriamente sobre seu significado? As festas e as notícias, podem ao invés de fazer pensar sobre o nascimento de Jesus, distrair a todos com as informações a respeito das comemorações - mais associadas ao comércio - do que com o próprio aniversariante.
Feliz Natal!
*Pároco de Dourados

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