segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

5º reintegração de posse pode acabar em genocídio em Iguatemi



A reintegração de posse de uma fazenda ocupada por índios Guaranis Ñandeva da aldeia Yvy Katu, localizada entre Japorã e Iguatemi, que deverá acontecer nesta próxima quarta-feira, pode ser marcada por um conflito sangrento entre policiais federais e índios, de acordo com anúncio feito pela comunidade indígena em carta divulgada pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI). 
Na carta, eles prometem resistir a desocupação até a morte. “A nossa decisão é lutar até morte pela nossa terra Yvy Katu. Nem depois de nossa morte vamos sair daqui”, defende uma carta da comunidade, publicada na quinta-feira passada pelo Conselho do Aty Guasu. “E nós vamo lutar até a última vida. Vamo derramar todo o nosso sangue. Estamos prontos pra morrer mesmo”, enfatiza a carta. 

Reintegração

Essa é a quinta reitegração de posse que a Justiça Federal concedeu contra os Guarani Ñandeva do Tekoha Yvy Katu, localizado entre municípios de Japorã e Iguatemi, fronteira do Brasil com o Paraguai. No total, são quatro decisões contrárias à permanência dos indígenas na área, declarada em 2005 como terra indígena, onde incidem 14 propriedades rurais. O Tribunal Regional Federal a 3a. Região (TRF-3) recusou os agravos que pediam a suspensão das ações de despejo. Segundo informações da Polícia Federal, a reintegração poderá acontecer na próxima quarta-feira, dia 18. “Eles falam em 14 propriedades. Pra nós é só um Tekoha Yvy Katu. Só pro fazendeiro tem nome diferente, tem vários nomes. Pra nós é só um”, explica Leila, afirma Leila Guarani, uma das líderes do grupo. 
Os índios estão acampados há 60 dias nos 7,5 mil hectares que ainda permaneciam em posse de fazendeiros, de um total de 9, 4 mil identificados pela Fundação Nacional do Índio (Funai) como terra indígena. Em nota pública, o Conselho Indigenista Missionário apontou para o “risco de genocídio iminente (...) do que poderá ser um dos maiores massacres da história contemporânea deste país”, e cobrou um posicionamento da Presidência da República e o Ministério da Justiça.

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