Que o deputado federal Marçal Filho (PMDB) e sua amada Keliana utilizem 90% dos minutos em que estão ao microfone da rádio de propriedade do parlamentar (um rolo que é objeto de Ação Penal no Supremo Tribunal Federal) para descer o porrete na administração do adversário político Murilo Zauith tudo bem: faz parte da oposição fazer oposição, ainda que rasteira e na base da canelada. Daí a mentir para a população vai uma distância oceânica.
Na edição de hoje do jornal impresso 'Diário MS', consta uma matéria (feita pela assessoria do deputado, diga-se de passagem) que tece loas ao fato de Marçal ter presidido a Comissão Especial instalada na Câmara dos Deputados para debater a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 90, apresentada pela deputada Luiza Erundina (PSB/SP) e que pretende incluir o transporte coletivo no rol dos direitos sociais. A matéria e os argumentos entre aspas do deputado vão bem até o último parágrafo, quando MF não resiste e apela para a canelada, que no futebol, assim como na política, é condenável. Primeiro, Marçal Filho afirma, textualmente: “Quando o Movimento Passe Livre tomou as ruas de Dourados e chegou a ocupar o prédio da Câmara de Dourados fui o primeiro e talvez o único parlamentar a defender os estudantes”. Mentira! Há imagens inclusive de outros detentores de mandato lado a lado dos estudantes durante passeatas.
Depois, o deputado afirma, também textualmente, como declaração: “No entanto, o Poder Público Municipal apenas fez uma maquiagem do problema, não atendendo a reivindicação dos estudantes e, tampouco, realizando estudos para melhorar a mobilidade urbana de Dourados”. Mentira!
A primeira mentira dá pra se relevar. Faz parte do joguinho sujo de ser o “pai” da criança bonita, como infelizmente se tornou praxe. A segunda mentira (a não realização de estudos por parte da Prefeitura) é algo mais grave. É questão de decoro. O titular do Blog não pretende se arvorar advogado da Prefeitura, mas os estudos foram feitos sim. Aliás, já haviam sido iniciados quando o bando de patriotas equivocados invadiu e detonou o patrimônio público, no caso a Câmara Municipal. O estudo/projeto do novo modelo de sistema de transporte coletivo foi apresentado no dia 30 de agosto, durante audiência pública realizada no auditório da OAB. Marçal, lógico, não estava lá. O titular do Blog estava.
O projeto foi apresentado pelo arquiteto e urbanista Edson Marchioro, da empresa de arquitetura e urbanismo do Rio Grande do Sul contratada pela prefeitura através de licitação para elaborar o estudo. Além de representantes da OAB, participaram da audiência alguns estudantes, os vereadores Madson Valente, Pedro Pepa e Alan Guedes, o presidente da Câmara Idenor Machado e o secretário de Serviços Urbanos Luis Roberto Martins de Araújo. Há, portanto, testemunhas oculares da mentira marota do deputado.
O MODELO
Conforme o projeto apresentado na audiência pública, o modelo operacional a ser implantado em Dourados deverá ser do tipo “sistema aberto”, cuja operação permite a racionalização de linhas de forma a coincidir parcialmente os itinerários atuais, favorecendo a identificação pelos usuários e permitindo o aproveitamento da infraestrutura existente.
Este sistema, segundo Edson Marchioro, também favorece a implantação de um corredor estrutural a ser implantado na Avenida Marcelino Pires, configurando a operação integrada através de um sistema tronco-alimentador para o transporte coletivo municipal.
O projeto operacional também propõe a qualificação da rede do serviço do transporte coletivo municipal e envolve a integração dos eixos viários leste-oeste (Avenida Marcelino Pires), norte-sul (Presidente Vargas, Avenida Marcelino Pires e Hayel Bon Faker) e a “hierarquia viária” prevista no Plano Diretor.
O atendimento das linhas segue o Plano Diretor Municipal quanto ao raio de abrangência de 300 metros a partir das vias por onde passa a rede proposta, de modo a favorecer o deslocamento de pedestres para o acesso ao sistema. Também serão implantadas linhas distritais alimentadoras para Macaúba, Vila Vargas, Usina São Fernando, Itahum, Indápolis, Paname e Usina São Marcos.
ETAPAS
O projeto será implantado em três etapas. Na etapa I será implantada a estruturação do eixo leste-oeste através da adequação e caracterização do corredor de ônibus da Marcelino Pires.
Também estão previstas a implantação das estações de integração leste-oeste, de transferência principais e secundárias, de transferência principais na Praça Antônio João e rodoviária; de transferência secundárias – demais estações ao longo da Marcelino Pires e implantação do sistema de operação da linha troncal Leste/Oeste; implantação do sistema de operação das linhas distritais; implantação do sistema de operação das linhas urbanas.
Na etapa II será implantada a estruturação do eixo Norte-Sul, através da adequação e caracterização do corredor de ônibus na Presidente Vargas e Hayel Bon Faker e implantação das estações principais de integração Norte e Sul.
A etapa III terá a implantação do sistema de operação da linha coletora Circular Perimetral (sentido horário e anti-horário) e implantação do sistema de operação das linhas coletoras Norte, Sul e Oeste (sentido horário e anti-horário).
Nota do Blog: ainda que em ondas sonoras, mentira tem perna curta.