quinta-feira, 3 de outubro de 2013

HPV: adolescência, gestante e condutas

Tenho abordado neste espaço diversos temas relacionados à saúde infantil e materno infantil, dentro do conceito de medicina preventiva, com orientações sobre os casos mais comuns de patologias a que estão suscetíveis tanto gestantes quanto recém nascidos e crianças.Hoje vou falar sobre o HPV (Papilomavirushumano), popularmente como câncer do colo do útero e principalmente registrar a preocupação da classe médica com a crescente incidência do HPV na adolescência, o que pode inviabilizar uma futura gravidez na fase adulta. 
O HPV é a principal doença sexualmente transmissível de etiologia viral e a mais comum em todo o mundo. Este quadro se torna ainda mais preocupante por se tratar de uma infecção que pode levar ao desenvolvimento do câncer do colo do útero. No Brasil estima-se que existam 34 milhões de portadores do papiloma vírus entre homens e mulheres, o que o coloca em primeiro lugar no ranking de incidência da doença, atrás apenas da China, Índia e países Africanos. Em condições normais, o tempo de evolução entre o contato com o HPV e o desenvolvimento do câncer do colo do útero dura em média 10 anos, assim a probabilidade de uma mulher que realiza exames ginecológicos preventivos regularmente, vir a desenvolver câncer do colo do útero é extremamente pequena. 
Com a incidência crescente do inicio precoce das relações sexuais, as diferenças para limite de idade ao iniciar a vida sexual entre rapazes e moças,e a falta de informação sobre o sexo oposto, faz com que sejam um grupo importante em termos de risco epidemiológico para doenças sexualmente transmissíveis.Por estes motivos, os adolescentes se tornaram um grupo prioritário nas campanhas de prevenções de DST's e gravidez precoce. O que complica esse controle de DST's e aplicação de métodos preventivos, é que muitas vezes os pais não sabem da iniciação sexual dos filhos e a vergonha de falar sobre o assunto faz com que exames específicos não sejam realizados. Trabalhos científicos comprovam que há falta informação sobre a transmissibilidade, as complicações e consequências do HPV e que as informações disponiveis para a população é variada e muitas vezes controversa, o que dificulta o entendimento sobre o assunto.Através de questionários feitos e aplicados pelas autoras deste trabalho, a adolescentes do Ensino Médio de 14 a 17 anos e seus professores, foi verificado que os professores não estão aptos a discutirem o assunto em sala de aula e embora os alunos tenha a disciplina DST's na grade curricular, o HPV não é mencionado em sala de aula. 
A partir deste resultado, resolvemos que devíamos contribuir com a população fazendo um trabalho rico de informações e com clareza de entendimento. Como se assinalou anteriormente, é questionável se a infecção intra-útero e o comprometimento do feto não ocorre na maioria das vezes como ocorre em outras viroses, como rubéola, herpes vírus e citomegalovírus . Por outro lado, se a mãe é portadora de HPV de alto risco e com alta carga viral, em especial no final do terceiro trimestre, há maior chance de contaminar o nascituro no momento parto. Quanto à via de parto, há consenso na literatura mundial de, considerando-se os baixos índices de contaminação do recém-nascido, liberar-se a via transvaginal. O parto cirúrgico, por via alta, seria a opção escolhida nos casos de impedimento do canal de parto por lesões condilomatosas extensas e por indicativos puramente obstétricos. 
Já no puerpério a conduta, mesmo que com lesões extensas, deve ser expectante nos primeiros três meses, atentando-se apenas para limpeza local, dieta equilibrada e eventual combate às infecções secundárias superpostas. Aguarda-se a recuperação espontânea da imunocompetência, que poderá promover a redução das lesões.Quanto ao recém-nascido, o acompanhamento seguirá os trâmites comuns da puericultura, sem que nenhum procedimento além da observação clínica seja adotado, desde que não se comprove haver qualquer alteração funcional, física ou clínica. 
Pelo exposto conclui-se, a partir dos estudos disponíveis, que é baixo o risco de transmissão vertical da infecção por HPV, que a indicação da via de parto deve seguir as normas obstétricas, que a observação clínica da mãe e do recém-nato é a melhor conduta e, ainda, que novas pesquisas aleatorizadas e prospectivas sejam desenvolvidas para a melhor compreensão da afecção e propicie, no futuro, programas de imunização especifica, já a partir da adolescência, como enfatizamos em artigo anterior.

0 comentários:

Postar um comentário