terça-feira, 20 de maio de 2014

Álcool: “Combustível” da alegria ou da morte?, por Luana Rodrigues


Para muitos, sinônimo de um bom carnaval é “encher a cara de bebida alcoólica”.Literalmente. É interessante colocar carnaval e álcool no mesmo contexto dizendo que são antônimos, pois um é motivo de beleza, alegria e comemoração. Já o outro remete à perda, dor e sofrimento. O que confirma esse último fato são as pesquisas. 
Pode até parecer mentira, mas o álcool, o fiel companheiro do folião, mata mais do que a tuberculose e a violência. Mata mais do que a AIDS, que em tempos de carnaval é a grande preocupação do ministério da saúde. É difícil admitir que o “animador de festas” possa causar a curto e longo prazo tantas tragédias. Cerca de 2,5 milhões de pessoas morrem todo ano em decorrência do vício. Alguns dizem que em apenas quatro dias de carnaval não há como viciar. Entretanto, cerca de 11% dos indivíduos que consomem bebida alcoólica têm ao menos um episódio de bebedeira por semana. No contexto das bebedeiras os homens são ‘’campeões’’. Para cada mulher que abusa do consumo de bebidas, quatro homens se embriagam. Mas as moças não ficam para trás: é cada vez mais frequente casos de mulheres entre 14 e 20 anos que chegam a hospitais em coma alcoólico. 
Vergonhoso! Em casos como acidentes de trânsito,nos quais as bebidas alcoólicas são participantes ativas, o efeito maligno desse “combustível” da violência urbana é imediato. Todavia, o etílico também pode ser silencioso em suas mazelas. Exemplos disso são os mais de 60 tipos de doenças causadas por ele, como a conhecida cirrose, a epilepsia, o envenenamento e vários tipos de câncer. Dentre eles, o de mama, laringe e fígado. É preciso admitir que não se trata apenas de um momento de diversão, em que a sua cabeça gira, você parece flutuar e apesar de sentir uma dificuldade imensa para falar, diz o que quer e mais um pouco (no dia seguinte, tudo é esquecido e desculpado pela famosa amnésia alcoólica). Na realidade, se trata da sua vida e da dos que estão à sua volta. E se me permitem um trocadilho da literatura internacional, “a dosagem etílica entre assassino e assassinado tende a ser a mesma”. 
Então, no próximo carnaval divirta-se apenas pelo prazer de viver e de festejar e não pelo fato de estar anestesiado pelo “líquido mágico da alegria”. Celebre o samba. E rebole conforme o seu próprio molejo.

*A autora, Luana Rodrigues, é jornalista

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