Já diz o ditado: “O futuro a Deus pertence”. Mas para aqueles que não acreditam nos desígnios de um Deus (seja ele qual for), é preciso contrapor com argumentos o fato de tentarem adivinhar o que ainda vai acontecer, ainda mais quando se trata da vida/ profissão alheia. Então, considerando que a andorinha salvou o rei leão, mãos a obra!
Andam dizendo por aí que a era digital é o fim dos tempos para o jornalista. Para o jornalismo. Pois eu digo: justiça seja feita! A pessoa passa anos da vida se dedicando a faculdade, ou mesmo ao trabalho em torno de uma profissão e de repente vai perder seu posto profissional para reprodutores de discursos sem mundo nem fundo? Acho bem difícil de acreditar.
Sempre houve quem quisesse matar um dos vieses do jornalismo, a partir do surgimento de uma nova tecnologia. O primeiro candidato a ficar de fora da ciranda do jornalismo foi o impresso. Em meados de 1940, o radiojornalismo, com todo o imediatismo das transmissões dos acontecimentos, iria expulsar o jornalismo impresso do mapa. Tempos depois, já nos anos 80, a Televisão era a poderosa da vez e o rádio é que poderia se extinguir. Agora que a internet é a gigante, quem é que sobra? Todo mundo. É o fim do jornalismo, dizem os amantes do drama e da tragédia.
Poxa! Será mesmo que o povo só gosta do que é medíocre? Custo a acreditar que o fenômeno “colcha de retalhos”, em que as pessoas colhem informações sobre fatos, livros, séries de TV e até mesmo histórias que não conhecem, nem viram, nunca leram, mas que tomaram conhecimento por meio de feeds de notícias e transformam em argumentos, se torne no único meio de produção de conteúdo e informação.
Jornalismo em decadência? As pessoas é que estão construindo argumentos em cima de títulos. Não se lê notícias. Apenas a timeline. E me perdoem os desavisados, mas para mim o papel do jornalismo foi e sempre será bem claro: apurar informações e construir uma narrativa que conte a outras pessoas o que está acontecendo em determinado momento e local de forma clara, objetiva, verdadeira e com embasamento. Claro que considero que isso não é um exercício teórico privativo a uma categoria profissional, pois a humanidade é repleta de contadores de histórias, mas eu não posso jamais concordar que essa tal de alfabetização digital seja a melhor opção para melhor ‘culturalizar’ o mundo.
Reitero: o jornalismo não vai acabar. O jornalista também não.
*A autora, Luana Rodrigues, é jornalista

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