quinta-feira, 5 de junho de 2014

Mais Ecopontos e mais atitudes



Temos abordado, tanto na tribuna da Câmara Municipal, quanto em artigos publicados nos meios de comunicação, a importância da preservação do nosso patrimônio ambiental. Já tratamos da questão da poluição do Rio Dourados. Insistimos na necessidade de elaboração e implantação um projeto visionário e arrojado de revitalização do Parque Arnulpho Fioravanti, considerado o “patinho feio” dos parques municipais e que comparamos a um belo cisne negro. Com as asas cortadas. Solicitamos uma fiscalização mais rígida do uso da capina química, de forma que, cumprindo a lei, não seja efetuada com uso de agrotóxicos. Paralelamente, temos usado todas as prerrogativas do mandato para defender o meio ambiente, que está entre as bandeiras da atuação como vereador da nossa cidade. 
Nessa semana em que transcorre o Dia Mundial do Meio Ambiente, vamos tratar de uma questão recorrente também relacionada ao meio ambiente e que, destarte as políticas públicas já existentes, ainda precisa de um olhar mais atento, tanto do poder público, quanto da população: o descarte de lixo inorgânico. Basta uma “circulada” pela cidade para verificar que, tal qual água brota da mina, florescem mini-lixões a céu aberto, notadamente à beira de estradas e rodovias, em terrenos baldios e até nas matas ciliares dos córregos. São galhos resultantes de podas de árvores, restos de entulhos de obras, sofás velhos, carcaças de geladeiras, lixo eletrônico e outros materiais que “enfeiam” a cidade, facilitam a proliferação de vetores transmissores de doenças como a leptospirose (ratos), dengue (mosquito), além de desvalorizarem os imóveis. Mesmo com o Código Ambiental de Dourados (Lei 055, de 2002) estabelecendo multas que podem chegar até R$ 1 milhão para quem depositar irregularmente lixo em via pública, a prática é infelizmente cotidiana e mostra que não basta a lei. Tem que haver a consciência do cidadão para o mal que está causando ao meio ambiente e ao próximo. 
Entendemos que só uma grande parceria entre a Prefeitura e a população pode desatar esse “nó” da questão ambiental na nossa cidade. Nessa parceria a Prefeitura precisa disponibilizar mais espaços adequados (os Ecopontos) para destinação de resíduos inorgânicos que não podem ser recebidos pelo aterro sanitário. Atualmente existem quatro Ecopontos, localizados ao lado do Viveiro Municipal, na COHAB II, no Parque do Lago II e no espaço onde funcionava a oficina municipal, na saída para Caarapó. É pouco. Uma cidade com a dimensão territorial e populacional de Dourados precisa mais. Desses quatro Ecopontos, três recebem apenas material resultante de podas de arvores e serviços de jardinagem. Um recebe apenas pneus inservíveis. Além de serem em pouco número para a demanda existente, pouca gente sabe da existência desses Ecopontos. É preciso, portanto, percorrer dois caminhos: a ampliação do número de ecopontos e uma campanha massiva de divulgação dos pontos de recebimento. 
Ainda no que tange à Prefeitura, penso ser necessária a implantação de Ecopontos para recebimento de restos de construção e isso decorre de uma lógica: nossa cidade cresce em ritmo vertiginoso e a construção civil, que tem papel muito importante nesse processo de crescimento, pois grande geradora de postos de trabalho e lucro, é também a maior geradora de resíduos. Para onde vão esses resíduos, que não são recebidos pelos Ecopontos em funcionamento? Pela falta de um espaço adequado para sua destinação e também pela falta de consciência de muitos, como afirmamos acima, são jogados à beira das estradas, rodovias e terrenos baldios, sendo que se passassem por reciclagem seriam matéria-prima de qualidade para agregados, como areia e brita, que podem ser reaproveitados na pavimentação, canalização de córregos e uso em argamassas e concreto. Para a prefeitura, significaria um meio de redução de despesas com esses serviços. 
Mas e nós, cidadãos? O que podemos fazer para mudar esse cenário de sujeira, de danos ao meio ambiente e de riscos à saúde pública? Penso que somente uma postura pró-ativa, somando ações na esfera pública a iniciativas individuais e coletivas vai possibilitar que essa espécie de “cultura” do descarte de lixo em vias públicas seja desenraizada. Aqui entra a importância da educação ambiental, através de campanhas institucionais, e no ambiente escolar, criando nas novas gerações a mentalidade da sustentabilidade. Mais Ecopontos. 
Mais Conscientização. Mais atitude. Esse é o caminho. 
Pensemos! 

 *O autor, Marcelo Mourão, é vereador em Dourados pelo PSD 55

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