A história da pediatra Zilda Arns se confunde com a história do Terceiro Setor no Brasil. Foi a fundadora da Pastoral da Criança, organismo ligado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e que ganhou dimensão internacional pelas experiências e práticas concretas de proteção e cuidado com essa faixa etária da população brasileira. Esteve em Dourados em 2005, sensibilizada com as manchetes nos meios de comunicação nacionais e internacionais sobre os casos de desnutrição nas aldeias Jaguapirú e Bororó e que motivaram a criação de duas Comissões Parlamentares de Inquérito, uma na Assembleia Legislativa e outra na Câmara dos Deputados. Doutora Zilda veio aqui apresentar a multi-mistura, a “farinha social” de fácil composição e que tem salvado vidas em todo o mundo. Morreu defendendo a causa pela qual viveu: encontrava-se em Porto Príncipe, no Haiti, em missão humanitária, para introduzir a Pastoral da Criança no país. No momento em que estava discursando e as paredes da igreja desabaram por conta de um terremoto, a médica estava no último parágrafo de um discurso, que ela não chegou a terminar, e no qual falava da importância de cuidar das crianças "como um bem sagrado", promovendo o respeito a seus direitos e protegendo-os, "tal qual os pássaros cuidam dos seus filhos".
Ninguém mais que Zilda Arns simbolizou o desprendimento pessoal em favor do próximo e foi inspirado na história de vida e morte dessa brasileira fantástica, indicada para o Premio Nobel da Paz, que apresentamos na Câmara Municipal um Projeto de Decreto Legislativo instituindo a “Medalha Zilda Arns”, a ser concedida a cidadãos e entidades que se dedicam à proteção e luta em defesa das crianças e adolescentes em Dourados. Essa foi mais uma iniciativa de um mandato que tem no fortalecimento do Terceiro Setor e no estímulo ao voluntariado uma das suas principais bandeiras.
Entidades como a Creche André Luis, o Centro Social Marista, os Grupos Escoteiros São Jorge e Laranja Doce, o Centro de Integração do Adolescente (CEIA), Sociedade Pestalozzi, Sociedade Caritativa e Humanitária (SELETA), Rotary, Lyons, Centro de Reabilitação Novo Olhar, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), o Lar Santa Rita de Cássia e tantas outras que atuam em nossa cidade chegam onde muitas vezes a “mão” dos poderes públicos não chegam ou atuam de forma complementar ao trabalho por eles desempenhado.
É por essa característica específica (chegarem onde o Estado não chega ou atuarem de forma complementar às políticas públicas) que defendemos a ampliação das parcerias existentes entre os Poderes Públicos e as entidades do terceiro setor, com um aporte maior de recursos para que elas continuem cumprindo a missão social a que se propuseram. Para isso, apresentamos Emendas ao Orçamento da Prefeitura ( que vamos lutar para que siga o exemplo federal e se torne impositivo) destinando recursos para diversas entidades.
Temos que ter consciência que o terceiro setor não pode ser visto como a solução final para todos os problemas sociais, caso contrário estaremos retirando a responsabilidade dos governos, no caso das crianças estabelecidas em tratados específicos como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e na lei maior que é a Constituição Federal, de apresentar respostas às necessidades e desejos das populações. Contudo, é nele que se apresenta uma saída viável, devendo tanto Estado quanto iniciativa privada se espelharem para ações sociais, montando parcerias com ONGS, entidades sociais e até mesmo criando suas próprias instituições.
A “Medalha Zilda Arns” pretende ser uma singela homenagem e mais que isso um instrumento de reconhecimento às instituições, entidades e Organizações Não Governamentais que, assim como essa grande brasileira, se dedicam à defesa das crianças e dos adolescentes. Esse reconhecimento era inclusive um desejo da doutora Zilda, que sempre ponderava: “Há muito que se fazer, porque a desigualdade é grande. Os esforços que estão sendo feitos precisam ser valorizados para que gerem outros ainda maiores”.
Que essa honraria estimule que cada vez mais cidadãos dediquem um pouco de si ao próximo.
Pensemos!!!
Pensemos!!!
*O autor, Marcelo Mourão, é vereador em Dourados pelo PSD

1 comentários:
A iniciativa do Vereador é louvável. Meus parabéns! Lembro-lhe que há um hospital infantil, em Dourados-MS, na Missão Evangélica Caiuá, e que merece algum tipo de reconhecimento pelo trabalho que tem desenvolvido.
Postar um comentário