quarta-feira, 12 de março de 2014

Nova Biblioteca Municipal: vamos abrir esta porta?

Sempre tive na vida duas grandes paixões. O mundo dos rodeios e o mundo das letras. A essas duas paixões o tempo acrescentou a política e é com satisfação que estou encampando, através do mandato de vereador e junto com os colegas da Academia Douradense de Letras (ADL), a luta pela implantação de uma nova biblioteca municipal na nossa cidade. Arrojada, atrativa e que aproxime crianças, jovens e adultos desse fantástico universo que é a leitura e na qual coexistam tanto o tradicional livro impresso como a moderna tecnologia da internet, com pontos de acesso a essa ferramenta que, somados às estantes, promova o diálogo entre a tradição e a modernidade. 
No nosso entender, a biblioteca não pode ser vista apenas como um lugar de consulta e pesquisa para complementar o currículo da escola, conceito arraigado e que resulta em certa “impopularidade” desse instrumento de disseminação do saber. Um acervo variado, espaços especiais para leitura e outras medidas que integrem educação, cultura, recreação e informação podem reverter esse quadro. O espaço físico é outro ponto que conta (e muito) para essa questão. Nada como estar em um local agradável, confortável, iluminado e, reiteramos, equipado com um bom acervo. 
No aspecto cultural a biblioteca pode ser espaço para atividades e ações como concursos de poesias, palestras, debates, exposições, lançamento de livros e outras iniciativas que hoje são realizadas pela Academia Douradense de Letras em espaços cedidos. A função informacional pode ser ampliada, dentro dos conceitos mais modernos de biblioteca, podendo o espaço disponibilizar, além dos livros propriamente ditos, jornais e revistas da cidade, folhetos com informações turísticas e outros serviços que sirvam de “chamariz” para a sua missão central. 
A nossa luta por uma nova biblioteca municipal decorre de uma constatação óbvia: a Biblioteca Vicente de Carvalho, a primeira biblioteca municipal de Dourados, já não corresponde ao que se espera de uma cidade com mais de 200 mil habitantes, destaque nacional por sua pujança econômica. O prédio está com sua estrutura comprometida, do forro à fiação elétrica. Os ventiladores não funcionam, as estantes estão tortas e por aí afora. Sem contar que os avanços tecnológicos lá não chegaram. Internet? Nem pensar. Uma situação que afugenta os usuários/leitores e castiga os servidores públicos que nela trabalham. 
Sabemos que a caminhada será longa para alcançarmos esse “sonho”. Mas como faz-se caminhos ao andar, acreditamos com muita convicção que os obstáculos do caminho serão superados com o engajamento, a exemplo da ADL, das universidades, das entidades de classe e com a sensibilidade da classe política, nas três esferas (Prefeitura, Governo do Estado e Governo Federal), para ouvir esse clamor e buscar os recursos necessários para sua materialização. 
Como é praxe na nossa atuação, deixamos para as linhas finais as sugestões, as propostas. No que tange aos recursos para esse empreendimento que ajudará a edificar pessoas através do conhecimento e da cultura, o Ministério da Cultura possui o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP), instituído em 1992 e que tem entre seus objetivos incentivar a implantação de serviços bibliotecários em todo o território nacional, promover a melhoria do funcionamento da atual rede de bibliotecas, desenvolver atividades de treinamento e qualificação de recursos humanos para o funcionamento adequado das bibliotecas brasileiras, manter atualizado o cadastramento de todas as bibliotecas brasileiras, incentivar a criação de bibliotecas em municípios desprovidos de bibliotecas públicas, proporcionar a criação e atualização de acervos, mediante repasse de recursos financeiros aos sistemas estaduais e municipais, e firmar convênios com entidades culturais, visando à promoção de livros e de bibliotecas. No plano estadual a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS) pode destinar recursos do Fundo de Investimentos Culturais (FIC) para aquisição de acervo, através do Programa de Incentivo a Leitura e que distribui kits de obras literárias aos municípios. Aqui, no Município, a Prefeitura pode destinar recursos próprios, firmar convênios com os outros entes da federação (Governo do Estado e Governo Federal) ou ainda buscar recursos através de emendas parlamentares. 
A leitura abre portas e horizontes. Em Dourados esta porta está emperrada pela falta de um local adequado para que todos tenham “livros à mão cheia”, como clamava o poeta Castro Alves (homenageado na nossa cidade com nome de escola) em trecho da sua belíssima poesia “O livro e a América” e com o qual encerramos este artigo: “Por isso na impaciência desta sede de saber/como as aves do deserto as almas buscam beber.../Oh! Bendito o que semeia Livros... livros à mão cheia... e manda o povo pensar! /O livro caindo n'alma é germe que faz a palma, É chuva que faz o mar”. 
Vamos abrir esta porta? 
Pensemos!! 

*O autor, Marcelo Mourão, é vereador em Dourados pelo PSD, membro da Academia Douradense de Letras e colunista  do Blog

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