sexta-feira, 5 de julho de 2013

Mandato de resultados: prefeitura adquire eletrocardiógrafos para o PAM solicitados por Marcelo Mourão

 
Em contato com servidores municipais que trabalham no Pronto Atendimento Médico (PAM) de Dourados, o vereador Marcelo Mourão (PSD) foi acionado para que, através de seu mandato, requisitasse ao poder Executivo a compra de eletrocardiógrafos. “Foi com satisfação que recebi a informação de que o prefeito Murilo e o secretário de Saúde Sebastião Nogueira atenderam a nossa solicitação e diante da imprescindibilidade do aparelho para a atuação dos servidores do PAM determinou, conforme enfatizamos no documento a eles enviado, a aquisição imediata e que eles já estão disponíveis naquela unidade de saúde”, afirmou Marcelo Mourão, que tem na melhoria da saúde pública, tanto do ponto de vista dos usuários como dos servidores que atuam nas unidades de saúde uma das prioridades de seu mandato. 

Utilidade

O eletrocardiograma, nome técnico do exame realizado pelo eletrocardiógrafo, é fundamental para o atendimento inicial, pois serve para aferir a frequência e o ritmo dos batimentos cardíacos (regular ou irregular) do paciente assim que ele dá entrada na unidade de saúde, além de batimentos anormais (arritmias cardíacas), bloqueios no sistema de condução dos impulsos elétricos do coração (congênitos ou causados por doenças), dilatação do músculo cardíaco, devido à hipertensão arterial ou a outras doenças, alterações sugestivas de doenças das artérias coronárias, tais como angina ou infarto do miocárdio (ataque cardíaco). Na primeira sessão da Câmara após o contato com os servidores, Marcelo Mourão solicitou ao prefeito Murilo Zauith e ao secretário de Saúde Sebastião Nogueira a aquisição “imediata” dos aparelhos.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Consumo de bebida alcoólica por menores durante Expoagro gera Representação do Ministério Público



O Ministério Público Estadual (MPE), através da Promotora de Justiça da Criança e do Adolescente Fabrícia Barbosa Lima, ofereceu no dia 11 de junho ao Juiz de Direito da Vara da Infância e da Juventude uma Representação Administrativa (Representação administrativa 26/2013) contra o Sindicato Rural de Dourados, o presidente da entidade, Marisvaldo Zeuli, e contra o pai de um menor “flagrado” pelos Fiscais do Juízo e Conselho Tutelar consumindo bebida alcoólica durante a 49º  edição da Expoagro. O presidente do Sindicato e a entidade são acusados, como responsáveis solidários, de descumprir o Estatuto da Criança e do Adolescente, Portaria 01/2011 e alvará judicial concedido pelo Juízo da Infância e da Juventude de Dourados. 
Após relatar a situação (horário e data) da constatação pelos fiscais e a lavratura do auto de infração e jurisprudência firmada sobre casos semelhantes, a promotora escreveu, para justificar o oferecimento da representação, o seguinte: “Impede ressaltar que o relatado linhas atrás não foi fato isolado, respondendo o primeiro (Sindicato Rural) e o segundo (Marisvaldo Zeuli) por dezenas de infrações do mesmo tipo. Conclui-se, a esta altura, que inexistiu qualquer fiscalização eficiente neste sentido por parte dos organizadores do evento, e o pior, o consumo de bebida alcoólica no recinto infelizmente foi deliberado, mormente porque os menores não usavam distintivos de menores de 18 anos, a fim de facilitar o controle”. 
O uso do distintivo a que se refere a promotora, ainda segundo os autos da representação, consta na Portaria 001/11 VIJ, que determina em seu Artigo quarto : “É dever do responsável pelo estabelecimento e do promotor do evento em que for permitida a entrada de menores cuidar para que não haja consumo de bebidas alcoólicas ou similares por adolescentes em suas dependências, inclusive afixando placa informativa de tal proibição em local de fácil visualização, devendo implementar a utilização de dispositivo para a distinção de menores de 18(dezoito) anos para tais fins (grifo da promotora)”.O mecanismo para identificação dos menores não foi oferecido pelo Sindicato, responsável pela organização do evento.
A promotora deu 10 dias de prazo para a defesa dos citados (pai do menor, Sindicato Rural e o seu presidente Marisvaldo Zeuli) e ao final do documento de 8 páginas pede que “ seja julgada procedente a presente Representação, sendo o Sindicato e seu presidente incursos no artigo 258 do ECA e o pai do menor no artigo 249 do mesmo Diploma”.

O Congresso, a corrupção e a gaveta



Com a experiência de 12 anos como servidor da Câmara dos Deputados, o titular do blog tem reiterado que 90%é das reivindicações da população expressas nas manifestações já é tema de iniciativas legislativas seja no Senado seja na Câmara.Veja-se o caso do combate à corrupção.
Há 145 propostas para combate à corrupção tramitando no Congresso Nacional desde pelo menos 1995. Levantamento feito pela Frente Parlamentar Mista de Combate à Corrupção, que possui a coordenação do deputado federal Francisco Praciano (PT-AM), apontou 109 projetos de lei da Câmara dos Deputados e 36 do Senado Federal. As propostas são consideradas as “mais relevantes ou eficientes para o combate à corrupção”. 
O relatório da Frente foi dividido em 15 temas gerais e possui exatamente o objetivo de acelerar a tramitação das proposições relacionadas. Segundo o deputado Francisco Praciano, antes mesmo das manifestações foram observadas inúmeras movimentações nas proposições levantadas. “Uma vez que a primeira reunião da Frente ocorreu em 05 de abril de 2011 é possível concluir que referidas movimentações já são resultado do empenho dos parlamentares vinculados a essa luta”, explica. 
De acordo com o relatório, entre 05 de abril de 2011 e 13 de maio de 2013, 11 proposições foram protocoladas, 66 receberam designação de relator, 48 receberam pareceres nas comissões, 21 foram votadas nas comissões, quatro receberam a redação final aprovada, uma teve comissão especial criada e duas foram arquivadas. 

Na gaveta

Por outro lado, o parlamentar afirma que a maioria das proposições ainda não recebeu a atenção devida por parte do Congresso Nacional e algumas estão paralisadas há mais de 10 anos. “É difícil que esses projetos cheguem à pauta da Câmara. Por isso é importante a sociedade exigir mudança. Espero que os movimentos sejam só o começo, principalmente em relação ao voto. Levamos quase sete anos para julgar os casos de corrupção, como o Mensalão, mas a população tem a oportunidade de fazer isso de dois em dois anos. Por isso, precisa exercer a cidadania com qualidade”, ressalta Praciano. O deputado admite que as manifestações fizeram os projetos ganharem força e devem estar na ordem do dia do Congresso Nacional. E a movimentação já começou.
“A liderança do PT na Casa já pediu essa lista e a indicação de alguns que consideramos prioritários”, afirma o deputado. Na lista do deputado, entre os 15 projetos considerados prioritários está a proposta que cria varas especializadas para julgar ações de improbidade administrativa, a fim de que haja maior celeridade em processos judiciais no primeiro grau de jurisdição dos casos de corrupção (PEC 422/2005), de autoria do deputado Luiz Couto (PT-PB). Também consta a proposição que confere mais celeridade às ações penais contra funcionários públicos, priorizando o processo e o julgamento (PL 2193/2007). A proposta é da senadora Ideli Salvati, hoje ministra de Relações Institucionais. 
Nas indicações de Praciano constam ainda o projeto que tipifica o crime de enriquecimento ilícito quando o funcionário público possuir bens ou valores incompatíveis com sua renda (PL 5586/2005), proposto pelo Poder Executivo. Estão listadas também a PEC 209/2003, que determina a realização de concursos públicos para a escolha dos Conselheiros dos TCEs, do Tribunal de Contas do DF e dos Conselhos de Contas dos municípios, e a PEC 189/2007, que estabelece novas formas de escolha e nomeação dos procuradores-gerais de justiça, abolindo a interferência do Poder Executivo na escolha do Procurador-Geral de Justiça. A reivindicação das ruas para que seja abolido o voto secreto também está contemplada. A PEC 349/2001, que altera a redação dos artigos 52, 53, 55 e 66 da Constituição Federal para abolir o voto secreto nas decisões da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, entrou na lista entregue para a liderança do PT. 

Pacto de moralidade entre os três poderes

Segundo Praciano, a luta das ruas precisa se manifestar na vontade dos Três Poderes, que devem fazer um pacto pela moralidade. “Fico feliz que esses projetos entrem na ordem do dia e sejam votados. Estou feliz também porque a PEC 37 caiu em razão dos protestos da população, que precisa pedir mais. Não adianta apenas reprovar a PEC, precisamos reestruturar as instituições, fortalecendo a Polícia Civil, a Polícia Federal e o Ministério Público. Se não houver mais luta, essas manifestações serão apenas mais um capítulo na história política do país”, conclui.

Tempo paradas 

O relatório da Frente de Combate à Corrupção apontou que entre os projetos que aguardam designação de relator nas Comissões, existem dois parados há menos de seis meses e um engavetado há mais de três anos.
Já entre as proposições que aguardam pareceres nas Comissões, 16 estão empacadas há menos de seis meses, três entre seis meses e um ano, 18 entre um e três anos e sete há mais de três anos. As situações mais críticas, no entanto, são as das proposições que aguardam votação no Plenário: quatro não apresentaram movimentção entre um e três anos, 19 há mais de três anos e três há mais de 10 anos. Dentre as que aguardam votação nas Comissões, uma proposta está engavetada há menos de seis meses, seis proposições estão paradas entre seis meses e três anos, 15 entre um e três anos e dois projetos entre três e 10 anos.

Mais antigos 

Entre os projetos mais antigos estão o PL 1.292, de 1995, proposto pelo ex-senador Lauro Campos, já falecido. A proposta pretende alterar a lei das licitações para obrigar o contratado a cientificar a administração pública, em oito dias, as subcontratações que realizar. Já a Proposta de Emenda à Constituição 334, do ex-deputado Aldo Arantes, que veda a nomeação de parentes de autoridade para cargos em comissão e funções de confiança tramita desde 1996. Só a legislação não basta Para Praciano, no entanto, os projetos são apenas um viés, só um eixo da parte legislativa. “As reivindicações devem ser mais amplas. A corrupção só é tão abrangente, no meu conceito, porque o Estado Brasileiro deixa. Precisamos pensar em um pacto entre os Três Poderes envolvidos no processo. Além do aperfeiçoamento da legislação vigente, há que se realizar o fortalecimento das instituições e, na minha opinião, o mais crítico: a celeridade do Judiciário. Quase todas as nossas lutas apresentam suas causas paradas no Ministério Público e na Justiça. O foco também deve estar na justiça brasileira, que ainda é muito lenta”. 

Gilmar Mendes

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que apenas a aprovação do projeto de lei que considera hediondo o crime de corrupção, por exemplo, não apresentará os resultados esperados pela sociedade, exatamente em razão das falhas e da lentidão da Justiça Criminal e do sistema penal brasileiro. "Não vejo que isso vá trazer de fato combate à corrupção ou a qualquer outro crime que venha a ser considerado hediondo, porque nós temos um sistema penal e uma Justiça Criminal altamente falhos e lentos, que permitem que muitos escapem pela prescrição, e que, às vezes, fiquem presos para depois (serem) absolvidos", disse o ministro em evento no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Segundo o ministro, seria mais interessante que fossem dadas prioridade e ênfase ao sistema criminal. "Se me coubesse fazer uma escolha política, eu tentaria articular as ações do CNMP, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), da Polícia Civil e da administração, porque é um todo complexo, que envolve a investigação, a denúncia, o acompanhamento pelo Ministério Público e o julgamento pelo Judiciário", acrescentou o ministro.

Se plebiscito não emplacar, Dilma terá toalhas em algodão egípcio para enxugar lágrimas



Caso não emplaque o factóide do plebiscito, tese que logo que foi enviada ao Congresso levou bordoadas até dos partidos que a apóiam, a presidente Dilma terá toalhas em algodão egípcio para enxugar as lagrimas. A Presidência reservou R$ 2,8 mil para a compra de 40 toalhas de banho, R$ 1,9 mil para 80 toalhas de rosto, R$ 297,60 para 40 toalhas de mão e R$ 946,00 para 40 toalhas de piso. Todas as peças de banho são na cor branca e 100% em algodão egípcio. Ao todo, R$ 6,1 mil foram empenhados para as aquisições. 
Os servidores da Presidência  também não terão problemas para ficarem acordados durante os protestos que pululam país afora. Foram empenhados R$ 3,7 mil para a compra de quatro cafeteiras elétricas. Os aparelhos possuem dois depósitos de cinco litros cada, além de torneira com sistema de proteção contra vazamentos e entupimentos, aquecimento por resistência elétrica e termostato regulável. A Presidência também reservou R$ 162,4 mil para a compra de 700 componentes de persiana do tipo rolo. Com as aquisições, o pessoal poderá ficar acordado (café)e não ouvir os protestos (persianas).



quarta-feira, 3 de julho de 2013

O "delírio" de Dilma e uma licitação para aquisição de aparelhos auditivos



A  Secretaria Geral da Presidência da República precisa fazer urgentemente uma licitação para aquisição de aparelhos auditivos.Se com tantos protestos ainda não sabe o que a população deseja, é caso de surdez crônica.Em tempo: todos os cinco temas elencados por Dilma já são objeto de iniciativas legislativas em tramitação no Congresso.O blog reitera:o plebiscito proposto por Dilma é apenas um "bode na sala" para desviar o foco do principal: a presidente está sem rumo, com risco de errar até o caminho até a  Granja do Torto, que é a sua residência oficial.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Uma entrevista deprimente, falaciosa e desconhecedora da História

    

    Sábado, dia 29, ouvindo a entrevista (repercutida depois nos jornais) do deputado George Takimoto, sobre a saúde pública, para os radialistas Osvaldo Duarte e Palomita, da FM 92, não resisti à tentação de registrar no Facebook que o que estava se colocando no ar naquela oportunidade era uma conversa deprimente, falaciosa e mostrava total desconhecimento da história do Hospital Universitário de Dourados.
     Deprimente, porque o médico George Takimoto sempre foi um profissional compete e atencioso que nunca deixou de atender aos mais necessitados que o procurassem, mas como deputado mostrou-se profundamente corporativista e pouco conhecedor dos reais problemas da saúde pública de Dourados. Chegou ao absurdo de propor a restituição do Hospital Universitário para a Prefeitura Municipal.
     Deprimente ainda porque sendo da base aliada da presidente Dilma, ao invés de procurar respaldo para chegar até ela e buscar soluções desrespeitou-a como autoridade pública e colocou o Conselho Nacional de Medicina como organismo superior aos poderes constituídos brasileiros. Defendeu enfim que não se permitisse a entrada de médicos estrangeiros no Brasil, mas paradoxalmente defendeu que os diplomas de estudantes brasileiros que se formam em países vizinhos aos nossos sejam aceitos no Brasil.
    Deprimente enfim porque os entrevistadores deixaram de se comportar com repórteres e agiram como defensores das ideias do deputado, discordando inclusive publicamente dos ouvintes que mandaram mensagens para o programa. Pior, o radialista Osvaldo Duarte (apesar de toda a sua experiência) tomou as críticas pelo lado pessoal e pelo jeito ganhei mais um inimigo no meio mediático.
    Falaciosa: Disse que a entrevista foi falaciosa porque o deputado atribui a si e ao ex-deputado Valdir Guerra a origem da Santa Casa, quando na verdade eles tiveram uma pequena participação, um tanto maior do deputado Valdir Guerra, irmão do então ministro da Saúde Alceni Guerra. Falaciosa porque sequer se lembrou que a obra ficou parada durante anos e anos devido ao desvio da verba de quase 2 milhões que o deputado Marçal Filho havia viabilizado. E ainda um dos repórteres teve a audácia de afirmar que o que Dourados queria era a Santa Casa e não o Hospital Universitário. E, ainda, escondeu-se na entrevista a grande verdade: que o HU atende somente o SUS, embora seja um Hospital Escola.
   Por cima de tudo bota a culpa no Tetila por ter doado a Santa Casa ao HU. Na verdade o Hospital Evangélico naquela época havia adquirido judicialmente o direito de não atender mais pelo SUS (uma aberração, por ser instituição filantrópica) e, então, com um esforço gigantesco da administração Tetila foi elaborado um plano para a Saúde Pública para Dourados que consistia em destinar o Hospital Santa Rosa para ser Hospital da Mulher, antigo Hospital Regional em Hospital de Urgência e Trauma e doar o HU para a Universidade transformá-lo em Hospital de Alta Complexidade.
   Desconhecimento da História: O Hospital Universitário teve origem com a bem intencionada ação da SODOBEN – Sociedade Douradense de Beneficência – organizada pelas Lojas Maçônicas e pelos rotarianos douradenses. Com o desvio da verba acima citada, as obras foram paralisadas até que o governo Zeca as (re)iniciou em 1999, repondo com dinheiro do estado a verba que havia desaparecido vinda do governo federal. Foi a partir daí que nasceu a ideia de transformar a Santa Casa em HU, pois nesse ano estávamos aprovando o projeto de criação do curso de Medicina para Dourados.
   Sucessivamente conversarmos com três presidentes da Sodoben (Laudelino, Martinho e Ricardo Demaman) para transformar a Santa Casa em HU. O Demaman após diversas reuniões com as Lojas Macônicas e Rotarys resolveu fazer a doação da Santa Casa para a Prefeitura desde que esta assumisse o compromisso de transferi-la para a Universidade.
  Quando o deputado Takimoto defende que o governo Dilma devolva o HU para a prefeitura equivoca-se em primeiro lugar porque arrebentaria com o curso de Medicina o que seria uma grande contradição do deputado, pois se ele não defende a vinda de profissionais estrangeiros, deveria defender a ampliação de cursos de medicina públicos e de boa qualidade como é o nosso, para que se formasse urgentemente um grande contingente de médicos para dar conta da demanda. E, por outro lado, ignora completamente a existência do Hospital Evangélico que, aliás, dirige também o Hospital da Vida. Diga-se de passagem que chamar um Hospital de Urgência e Trauma de Hospital da Vida é um absurdo tão grande quanto a entrevista da qual estou tratando.
   O assunto seria para um livro e não para uma simples crônica cotidiana, mas não poderia deixar passar em branco essa minha crítica, mesmo porque tenho consciência de que por trás disso tudo está uma campanha acirrada para as próximos eleições dentro da UFGD e, enfim, a máxima de que cada povo tem o governo (e os deputados e senadores) que merece é mais que justa.
 
O autor, Wilson Biasotto, é ex-vereador e ex-secretário de Governo da Prefeitura de Dourados.
 
Nota do blog: o titular tinha um escrito preparado para fazer o contraponto à entrevista xenófoba, eivada de nacionalismos sem lugar no mundo contemporâneo e demagógica do deputado, que usou expresssões como "nossos filhos" e outras para defender o corporativismo no que tange à contratação dos médicos estrangeiros.O deputado George Takimoto tem sido um parlamentar medíocre e para constatar esse fato basta analisar o teor da maioria das iniciativas legislativas de sua autoria.No auge do seu "desopilar do fígado", esqueceu de lembrar um fato marcante da sua carreira política: foi ele que "trouxe" para Dourados, na condição de vice-governador, a Penitenciária Harry Amorin Costa.Mas diante das provas factuais de Biasotto, muitas das quais fui testemunha ocular, nada mais há a acrescentar.Calado, Takimoto é um poeta, como disse o agora deputado federal Romário certa vez em resposta a um desvario verbal de Pelé.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

A “importação” de médicos e o Estágio Social:uma proposta



Assim como tantos outros assuntos da vida nacional, o projeto do governo brasileiro de trazer médicos de Cuba para atuar em áreas remotas do Brasil tem alimentado uma polêmica que se alicerça em diversos argumentos - entre eles, o apelo xenófobo de que seria uma "vergonha nacional" a importação desses profissionais. No entanto, desde que os médicos estrangeiros se submetam à revalidação de seus diplomas, não há nada de errado no fato de cubanos, argentinos ou bolivianos serem contratados para preencher postos de trabalho nas localidades onde médicos brasileiros se recusem a atuar.Como não é de minha praxe apenas apenas apontar o dedo sem nada propor, aproveitarei para resgatar uma tese que foi um das principais bandeiras de meus mandatos como vereador: o Estágio Social.
A contratação de médicos cubanos já vinha sendo cogitada desde o começo de maio pelo governo federal, e rumou para o centro de uma discussão acalorada quando a presidente Dilma Rousseff, em resposta aos protestos de rua que paralisaram o País, foi à TV para anunciá-la.A proposta foi acertadamente condenada pelas entidades representativas da classe médica nacional, que chamaram a atenção para a falta de estrutura de saúde nos grotões do Brasil. Sem deixar de lado a cobrança por soluções estruturais de longo prazo, parece óbvio que a situação de abandono a que foi relegado o setor de saúde nos últimos governos não deve ser pretexto para que comunidades inteiras continuem abandonadas por mais tempo, sem poder contar nem mesmo com um clínico geral para diagnósticos básicos, orientações profiláticas e encaminhamentos. Enquanto não se pode ter ambos, é melhor ter um médico e não ter hospital do que ter o hospital e não ter o médico - ou nenhum dos dois.
É claro que esta é uma solução emergencial para um problema específico, e não responde ao anseio dos brasileiros por uma saúde pública melhor. Conforme a pesquisa Demografia Médica no Brasil - Volume 2, divulgada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e Conselho Regional de Medicina Estado de São Paulo (Cremesp) no começo deste ano, o Brasil nunca teve um número tão elevado de médicos, mas 70% deles estão nas regiões Sul e Sudeste. Estados ricos têm, em média, duas vezes mais médicos do que os Estados pobres. Para que o ingresso dos médicos cubanos não fira os preceitos de legalidade e moralidade, entretanto - e também para evitar contendas judiciais que, de outro modo, poderão inviabilizar liminarmente as contratações -, é preciso que o governo brasileiro ofereça as vagas existentes, antes, para os médicos que já atuam no Brasil, de excelente formação, diga-se de passagem, através de concurso público, com a mesma remuneração que seria paga aos cubanos. Comprovado o desinteresse pelo preenchimento desses postos de trabalho, aí sim devem ser negociadas as contratações, em caráter temporário.
É importante, também, que os registros dos profissionais de outros países obedeçam aos critérios legais para atuação de estrangeiros em solo nacional -que, no caso dos médicos, é o exame de revalidação do diploma. A avaliação do preparo dos profissionais que irão ingressar no Brasil é uma exigência que se faz a todo estrangeiro e também a brasileiros formados no exterior, e não deve ser flexibilizada, sob o risco de se abrir as portas do mercado a profissionais que pouco acrescentariam de bom à saúde da população.Outra preocupação que se deve ter, diante da crescente judicialização da saúde, tema que trataremos em artigo posterior, é quanto à responsabilização dos médicos estrangeiros em eventuais erros médicos.Isso precisa ficar claro e estabelecido em cláusula, afinal, serão estrangeiros que terão que se submeter à legislação brasileira sobre o tema.

O Estágio Social

Anualmente o Governos Federal e os governos estaduais investem milhões de reais na formação de profissionais de diversas áreas, através das universidades públicas e agora também nas instituições privadas, através de programas específicos como o ProUni, que isenta as instituições privadas de ensino superior do pagamento de quatro tributos: Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS). A isenção vale a partir da assinatura do Termo de Adesão e durante seu período de vigência (dez anos).
Creio ser justo, portanto, que esses recursos, sejam diretos (instituições públicas) ou na forma de isenções (instituições privadas) e que ao fim e ao cabo vem do bolso da população, sejam restituídos à sociedade através do Estágio Social, que consistiria em que os acadêmicos formados, agora profissionais, exerçam por pelo menos dois anos suas respectivas profissões nas áreas mais remotas do país e que carecem de profissionais, notadamente na área de saúde.Assim, teriam contato direto com a população mais carente e , reitero, desempenhariam um papel social muito importante, daí a denominação Estágio Social, que tem entre seus defensores uma das maiores autoridades no campo intelectual e educacional no Brasil:o ex-ministro da Educação Cristóvam Buarque.
Feita essa proposta, que apresento como contribuição para o amplo debate que está se iniciando sobre a saúde pública e que é inspirada no memorável Projeto Rondon, que tinha o mesmo formato, embora em momentos históricos diferentes, faço porém uma ressalva: o problema da saúde pública brasileira não é falta de médicos. É falta de planos de carreira e falta de estrutura, notadamente nos serviços públicos, para cumprir o juramento de Hipócrates e de recursos federais para que os municípios atendam essa demanda. E isso não é questão de nacionalidade, se cubana, brasileira, boliviana ou espanhola.É questão de política de governo.

O autor, Eduardo Marcondes, é médico. Foi vereador e ex-secretário de Saúde em Dourados.