quinta-feira, 4 de julho de 2013

Se plebiscito não emplacar, Dilma terá toalhas em algodão egípcio para enxugar lágrimas



Caso não emplaque o factóide do plebiscito, tese que logo que foi enviada ao Congresso levou bordoadas até dos partidos que a apóiam, a presidente Dilma terá toalhas em algodão egípcio para enxugar as lagrimas. A Presidência reservou R$ 2,8 mil para a compra de 40 toalhas de banho, R$ 1,9 mil para 80 toalhas de rosto, R$ 297,60 para 40 toalhas de mão e R$ 946,00 para 40 toalhas de piso. Todas as peças de banho são na cor branca e 100% em algodão egípcio. Ao todo, R$ 6,1 mil foram empenhados para as aquisições. 
Os servidores da Presidência  também não terão problemas para ficarem acordados durante os protestos que pululam país afora. Foram empenhados R$ 3,7 mil para a compra de quatro cafeteiras elétricas. Os aparelhos possuem dois depósitos de cinco litros cada, além de torneira com sistema de proteção contra vazamentos e entupimentos, aquecimento por resistência elétrica e termostato regulável. A Presidência também reservou R$ 162,4 mil para a compra de 700 componentes de persiana do tipo rolo. Com as aquisições, o pessoal poderá ficar acordado (café)e não ouvir os protestos (persianas).



quarta-feira, 3 de julho de 2013

O "delírio" de Dilma e uma licitação para aquisição de aparelhos auditivos



A  Secretaria Geral da Presidência da República precisa fazer urgentemente uma licitação para aquisição de aparelhos auditivos.Se com tantos protestos ainda não sabe o que a população deseja, é caso de surdez crônica.Em tempo: todos os cinco temas elencados por Dilma já são objeto de iniciativas legislativas em tramitação no Congresso.O blog reitera:o plebiscito proposto por Dilma é apenas um "bode na sala" para desviar o foco do principal: a presidente está sem rumo, com risco de errar até o caminho até a  Granja do Torto, que é a sua residência oficial.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Uma entrevista deprimente, falaciosa e desconhecedora da História

    

    Sábado, dia 29, ouvindo a entrevista (repercutida depois nos jornais) do deputado George Takimoto, sobre a saúde pública, para os radialistas Osvaldo Duarte e Palomita, da FM 92, não resisti à tentação de registrar no Facebook que o que estava se colocando no ar naquela oportunidade era uma conversa deprimente, falaciosa e mostrava total desconhecimento da história do Hospital Universitário de Dourados.
     Deprimente, porque o médico George Takimoto sempre foi um profissional compete e atencioso que nunca deixou de atender aos mais necessitados que o procurassem, mas como deputado mostrou-se profundamente corporativista e pouco conhecedor dos reais problemas da saúde pública de Dourados. Chegou ao absurdo de propor a restituição do Hospital Universitário para a Prefeitura Municipal.
     Deprimente ainda porque sendo da base aliada da presidente Dilma, ao invés de procurar respaldo para chegar até ela e buscar soluções desrespeitou-a como autoridade pública e colocou o Conselho Nacional de Medicina como organismo superior aos poderes constituídos brasileiros. Defendeu enfim que não se permitisse a entrada de médicos estrangeiros no Brasil, mas paradoxalmente defendeu que os diplomas de estudantes brasileiros que se formam em países vizinhos aos nossos sejam aceitos no Brasil.
    Deprimente enfim porque os entrevistadores deixaram de se comportar com repórteres e agiram como defensores das ideias do deputado, discordando inclusive publicamente dos ouvintes que mandaram mensagens para o programa. Pior, o radialista Osvaldo Duarte (apesar de toda a sua experiência) tomou as críticas pelo lado pessoal e pelo jeito ganhei mais um inimigo no meio mediático.
    Falaciosa: Disse que a entrevista foi falaciosa porque o deputado atribui a si e ao ex-deputado Valdir Guerra a origem da Santa Casa, quando na verdade eles tiveram uma pequena participação, um tanto maior do deputado Valdir Guerra, irmão do então ministro da Saúde Alceni Guerra. Falaciosa porque sequer se lembrou que a obra ficou parada durante anos e anos devido ao desvio da verba de quase 2 milhões que o deputado Marçal Filho havia viabilizado. E ainda um dos repórteres teve a audácia de afirmar que o que Dourados queria era a Santa Casa e não o Hospital Universitário. E, ainda, escondeu-se na entrevista a grande verdade: que o HU atende somente o SUS, embora seja um Hospital Escola.
   Por cima de tudo bota a culpa no Tetila por ter doado a Santa Casa ao HU. Na verdade o Hospital Evangélico naquela época havia adquirido judicialmente o direito de não atender mais pelo SUS (uma aberração, por ser instituição filantrópica) e, então, com um esforço gigantesco da administração Tetila foi elaborado um plano para a Saúde Pública para Dourados que consistia em destinar o Hospital Santa Rosa para ser Hospital da Mulher, antigo Hospital Regional em Hospital de Urgência e Trauma e doar o HU para a Universidade transformá-lo em Hospital de Alta Complexidade.
   Desconhecimento da História: O Hospital Universitário teve origem com a bem intencionada ação da SODOBEN – Sociedade Douradense de Beneficência – organizada pelas Lojas Maçônicas e pelos rotarianos douradenses. Com o desvio da verba acima citada, as obras foram paralisadas até que o governo Zeca as (re)iniciou em 1999, repondo com dinheiro do estado a verba que havia desaparecido vinda do governo federal. Foi a partir daí que nasceu a ideia de transformar a Santa Casa em HU, pois nesse ano estávamos aprovando o projeto de criação do curso de Medicina para Dourados.
   Sucessivamente conversarmos com três presidentes da Sodoben (Laudelino, Martinho e Ricardo Demaman) para transformar a Santa Casa em HU. O Demaman após diversas reuniões com as Lojas Macônicas e Rotarys resolveu fazer a doação da Santa Casa para a Prefeitura desde que esta assumisse o compromisso de transferi-la para a Universidade.
  Quando o deputado Takimoto defende que o governo Dilma devolva o HU para a prefeitura equivoca-se em primeiro lugar porque arrebentaria com o curso de Medicina o que seria uma grande contradição do deputado, pois se ele não defende a vinda de profissionais estrangeiros, deveria defender a ampliação de cursos de medicina públicos e de boa qualidade como é o nosso, para que se formasse urgentemente um grande contingente de médicos para dar conta da demanda. E, por outro lado, ignora completamente a existência do Hospital Evangélico que, aliás, dirige também o Hospital da Vida. Diga-se de passagem que chamar um Hospital de Urgência e Trauma de Hospital da Vida é um absurdo tão grande quanto a entrevista da qual estou tratando.
   O assunto seria para um livro e não para uma simples crônica cotidiana, mas não poderia deixar passar em branco essa minha crítica, mesmo porque tenho consciência de que por trás disso tudo está uma campanha acirrada para as próximos eleições dentro da UFGD e, enfim, a máxima de que cada povo tem o governo (e os deputados e senadores) que merece é mais que justa.
 
O autor, Wilson Biasotto, é ex-vereador e ex-secretário de Governo da Prefeitura de Dourados.
 
Nota do blog: o titular tinha um escrito preparado para fazer o contraponto à entrevista xenófoba, eivada de nacionalismos sem lugar no mundo contemporâneo e demagógica do deputado, que usou expresssões como "nossos filhos" e outras para defender o corporativismo no que tange à contratação dos médicos estrangeiros.O deputado George Takimoto tem sido um parlamentar medíocre e para constatar esse fato basta analisar o teor da maioria das iniciativas legislativas de sua autoria.No auge do seu "desopilar do fígado", esqueceu de lembrar um fato marcante da sua carreira política: foi ele que "trouxe" para Dourados, na condição de vice-governador, a Penitenciária Harry Amorin Costa.Mas diante das provas factuais de Biasotto, muitas das quais fui testemunha ocular, nada mais há a acrescentar.Calado, Takimoto é um poeta, como disse o agora deputado federal Romário certa vez em resposta a um desvario verbal de Pelé.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

A “importação” de médicos e o Estágio Social:uma proposta



Assim como tantos outros assuntos da vida nacional, o projeto do governo brasileiro de trazer médicos de Cuba para atuar em áreas remotas do Brasil tem alimentado uma polêmica que se alicerça em diversos argumentos - entre eles, o apelo xenófobo de que seria uma "vergonha nacional" a importação desses profissionais. No entanto, desde que os médicos estrangeiros se submetam à revalidação de seus diplomas, não há nada de errado no fato de cubanos, argentinos ou bolivianos serem contratados para preencher postos de trabalho nas localidades onde médicos brasileiros se recusem a atuar.Como não é de minha praxe apenas apenas apontar o dedo sem nada propor, aproveitarei para resgatar uma tese que foi um das principais bandeiras de meus mandatos como vereador: o Estágio Social.
A contratação de médicos cubanos já vinha sendo cogitada desde o começo de maio pelo governo federal, e rumou para o centro de uma discussão acalorada quando a presidente Dilma Rousseff, em resposta aos protestos de rua que paralisaram o País, foi à TV para anunciá-la.A proposta foi acertadamente condenada pelas entidades representativas da classe médica nacional, que chamaram a atenção para a falta de estrutura de saúde nos grotões do Brasil. Sem deixar de lado a cobrança por soluções estruturais de longo prazo, parece óbvio que a situação de abandono a que foi relegado o setor de saúde nos últimos governos não deve ser pretexto para que comunidades inteiras continuem abandonadas por mais tempo, sem poder contar nem mesmo com um clínico geral para diagnósticos básicos, orientações profiláticas e encaminhamentos. Enquanto não se pode ter ambos, é melhor ter um médico e não ter hospital do que ter o hospital e não ter o médico - ou nenhum dos dois.
É claro que esta é uma solução emergencial para um problema específico, e não responde ao anseio dos brasileiros por uma saúde pública melhor. Conforme a pesquisa Demografia Médica no Brasil - Volume 2, divulgada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e Conselho Regional de Medicina Estado de São Paulo (Cremesp) no começo deste ano, o Brasil nunca teve um número tão elevado de médicos, mas 70% deles estão nas regiões Sul e Sudeste. Estados ricos têm, em média, duas vezes mais médicos do que os Estados pobres. Para que o ingresso dos médicos cubanos não fira os preceitos de legalidade e moralidade, entretanto - e também para evitar contendas judiciais que, de outro modo, poderão inviabilizar liminarmente as contratações -, é preciso que o governo brasileiro ofereça as vagas existentes, antes, para os médicos que já atuam no Brasil, de excelente formação, diga-se de passagem, através de concurso público, com a mesma remuneração que seria paga aos cubanos. Comprovado o desinteresse pelo preenchimento desses postos de trabalho, aí sim devem ser negociadas as contratações, em caráter temporário.
É importante, também, que os registros dos profissionais de outros países obedeçam aos critérios legais para atuação de estrangeiros em solo nacional -que, no caso dos médicos, é o exame de revalidação do diploma. A avaliação do preparo dos profissionais que irão ingressar no Brasil é uma exigência que se faz a todo estrangeiro e também a brasileiros formados no exterior, e não deve ser flexibilizada, sob o risco de se abrir as portas do mercado a profissionais que pouco acrescentariam de bom à saúde da população.Outra preocupação que se deve ter, diante da crescente judicialização da saúde, tema que trataremos em artigo posterior, é quanto à responsabilização dos médicos estrangeiros em eventuais erros médicos.Isso precisa ficar claro e estabelecido em cláusula, afinal, serão estrangeiros que terão que se submeter à legislação brasileira sobre o tema.

O Estágio Social

Anualmente o Governos Federal e os governos estaduais investem milhões de reais na formação de profissionais de diversas áreas, através das universidades públicas e agora também nas instituições privadas, através de programas específicos como o ProUni, que isenta as instituições privadas de ensino superior do pagamento de quatro tributos: Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS). A isenção vale a partir da assinatura do Termo de Adesão e durante seu período de vigência (dez anos).
Creio ser justo, portanto, que esses recursos, sejam diretos (instituições públicas) ou na forma de isenções (instituições privadas) e que ao fim e ao cabo vem do bolso da população, sejam restituídos à sociedade através do Estágio Social, que consistiria em que os acadêmicos formados, agora profissionais, exerçam por pelo menos dois anos suas respectivas profissões nas áreas mais remotas do país e que carecem de profissionais, notadamente na área de saúde.Assim, teriam contato direto com a população mais carente e , reitero, desempenhariam um papel social muito importante, daí a denominação Estágio Social, que tem entre seus defensores uma das maiores autoridades no campo intelectual e educacional no Brasil:o ex-ministro da Educação Cristóvam Buarque.
Feita essa proposta, que apresento como contribuição para o amplo debate que está se iniciando sobre a saúde pública e que é inspirada no memorável Projeto Rondon, que tinha o mesmo formato, embora em momentos históricos diferentes, faço porém uma ressalva: o problema da saúde pública brasileira não é falta de médicos. É falta de planos de carreira e falta de estrutura, notadamente nos serviços públicos, para cumprir o juramento de Hipócrates e de recursos federais para que os municípios atendam essa demanda. E isso não é questão de nacionalidade, se cubana, brasileira, boliviana ou espanhola.É questão de política de governo.

O autor, Eduardo Marcondes, é médico. Foi vereador e ex-secretário de Saúde em Dourados.

sábado, 29 de junho de 2013

Derrota da PEC 37: a apropriação corporativa das manifestações de rua no Brasil

 
 
 
As atuais manifestações de rua no Brasil causam perplexidade aos atores políticos e aos analistas da mídia e da academia. Explicá-las é necessário, mas, talvez, tarefa das mais complexas porque há de se enfrentar teoricamente graves contradições internas desse movimento. Não há unidade de desígnio, protagonistas e agendas claras. Seu rumo é determinado, em grande parte, por reações impulsivas em redes sociais, agregando diversidade de público e informação nem sempre correta. A manipulação de frações desse público não é difícil, se o chamamento for bem empacotado, do mesmo modo que boatos transitam rapidamente como verdades inabaláveis nessas mesmas redes sociais.
Por outro lado, é inegável que as manifestações expressam um clamor público. Há insatisfação com a ineficiência da ação governamental em todos os níveis, que parece não produzir resultados no tempo das demandas. Esse legítimo grito de indignação, porém, pode ser contaminado por manipulação informativa que atenda a agendas ocultas. Não cabe menosprezar a inteligência de participantes do movimento, mas, apenas, chamar atenção para essa característica da informação gerada e trafegada em redes que alimentam as atuais reações sociais.
Uma das agendas controversas e pouco claras é a da recente derrubada da PEC 37, o projeto de emenda constitucional que visava conferir à polícia judiciária o monopólio da investigação criminal. O projeto foi elaborado por deputado que é delegado da Polícia Civil no Maranhão e atende à demanda corporativa dos delegados, que, desde a Assembléia Constituinte de 1986-1988, disputam espaço com a corporação do Ministério Público. Esta instituição foi vitoriosa no quadro da Constituição de 1988, que lhe conferiu autonomia de poder de Estado e lhe agregou sensíveis atribuições, não só na persecução penal, mas no controle externo da atividade policial, na tutela de direitos e na garantia da qualidade de políticas públicas, reconhecendo a seus membros ampla independência dentro de sua atuação balizada pelos princípios da unidade e da indivisibilidade.
A polícia judiciária, muito prestigiada no período anterior do regime militar, não logrou o mesmo sucesso e ainda se viu ameaçada de se tornar categoria subordinada aos promotores de justiça, que sobre si passariam a exercer controle.
 
Conflito histórico
 
o conflito entre delegados de polícia e Ministério Público tem longa história no recente constitucionalismo. A insatisfação policial se prende ao fato de se verem em pé de igualdade com juízes e promotores e não como agentes subalternos. O motivo da demanda de trato isonômico está na formação bacharelesca dos delegados. O Brasil é talvez dos poucos países que exigem de seus comissários de polícia a formação acadêmica de juristas, ao invés de treiná-los mais extensamente em academias técnicas para a função de investigadores. Desde a velha república se confunde a tarefa do delegado com a de um juiz menor de causas penais.
O procedimento do inquérito policial tem um quê de estigmatizador para os investigados, como se lhes abrisse, no só contato com a delegacia e na recorrente exposição aos meios de comunicação social, os portões do inferno. Sua integridade física e sua reputação parecem não valer muita coisa. É comum delegados darem publicamente suas versões dos fatos apurados sem prévio escrutínio de outros atores do processo e sem preocupação com a disclosure da esfera privada dos envolvidos. Provas sigilosas de crimes contra o sistema financeiro, evasão e lavagem de capitais e corrupção são não raramente repassadas para certa imprensa ávida por escândalos capazes de minar a legitimidade de administradores e a confiança nos governantes. Comportam-se alguns delegados como se dispusessem sobre a prova, que possuiria existência autárquica, desvinculada da persecução em juízo. É frequente apontarem para a ineficiência da Justiça penal, causa da impunidade de criminosos, enquanto eles, os delegados, sim, saberiam apontar os culpados e dar-lhes o tratamento público que merecem como delinquentes, “meliantes”. Trata-se de discurso legitimador da antecipação da pena pelo procedimento investigatório.
De outra parte, o Ministério Público não chega a a tangenciar a integridade física dos investigados, até porque não dispõe de meios para tanto. Mas promove por vezes seleção do caso persecutório, dando preferência ao que lhe ofereça maior exposição midiática e ao que traduza maior risco para atores da política e da economia. Essa frequente atuação à la carte faz parte da tendência ao “corporativismo de risco”, a buscar valorização da carreira pelo temor provocado a esses atores e à sociedade como um todo. Diferentemente da polícia, entretanto, o Ministério Público dispõe de vários mecanismos de controle externo, como seu Conselho Nacional ou o Judiciário, que podem, querendo, mitigar os efeitos da atuação de risco. No mais, o Ministério Público tem recrutamento mais rigoroso, que oferece, de um modo geral, candidatos mais qualificados para ingresso em seus quadros. Ainda assim, não deixa de ser afetado, como todo o serviço público, pelo fenômeno do concurseirismo: os novos procuradores e promotores são, em geral, jovens com excelente formação jurídica, mas que são muito exigentes quanto ao que esperam da carreira e reagem com acentuada agressividade quando são frustrados em suas demandas. Estas dizem respeito à remuneração, às vantagens, ao prestígio e ao poder que dele decorre.
A competição entre as corporações dos delegados de polícia e do Ministério Público está direcionada a esses mesmos fatores: remuneração e vantagens e, claro, prestígio e poder, pois estes últimos favorecem a qualificação dos primeiros. A disputa pelo poder investigatório, presente na campanha da PEC 37, em última análise é parte dessa competição e não traduz nenhuma preocupação com a eficiência do Estado. Investigar ou não investigar é poder ou não poder expor a governança e a sociedade a riscos e, portanto, é cacifar-se ou não se cacifar para demandas corporativas. Os controvertidos argumentos técnicos em favor da investigação pelo Ministério Público ou em favor da exclusividade da Polícia nessa tarefa são, por isso, de consistência relativa e não devem ser aceitos pelo seu valor de face. Na verdade, revelam apenas a condição precária da atividade investigatória criminal no Brasil, independentemente de quem queira assumir seu protagonismo.
Por essa razão, ao reverberar a rejeição pela PEC 37, o movimento das ruas se deixou apropriar por um dos lados do conflito corporativo, talvez sem se dar conta. Deixou-se de cobrar o que realmente importa na investigação criminal: a segurança jurídica, o respeito pelos direitos do investigado, o fim da violência policial e o fim de disputas corporativistas que diminuem o Estado. A investigação criminal controlada, balizada por princípios que preservam a dignidade humana e a presunção de inocência, é o que falta no Brasil e pode ser perfeitamente realizada pelo Ministério Público ou por uma polícia tecnicamente preparada e respeitosa à cidadania, tanto faz. A disputa intercorporativa é que está no lugar errado e atrapalha o jurisdicionado e a sociedade. E esta só se resolve com o fim das disparidades remuneratórias e de vantagens no serviço público e não com a transferência de uma competência estatal para um ou outro órgão.
Na verdade, a bandeira que deveria ser empunhada pelas ruas é a da organização do sistema de ganhos na administração pública para lhe conferir maior eficiência. Carece o Brasil, há tempos, de uma matriz lógica de vencimentos que estabeleça uma relação justa das remunerações entre as carreiras. Rigorosamente, em se estabelecendo a paridade de ganhos entre Ministério Público, advocacia pública, Defensoria Pública, magistratura e a carreira policial, desapareceriam rapidamente as disputas intercorporativas que fragmentam e, por isso, enfraquecem a ação do poder público. A remuneração destas carreiras deveria, ademais, guardar alguma proporcionalidade com a de outras, à base de critérios de complexidade e risco da função desempenhada. Não faz sentido que um embaixador, no final da carreira diplomática, ganhe menos do que um jovem recém ingresso na carreira do Ministério Público. Ou que um professor titular em universidade pública receba mensalmente quase a metade desse jovem. São essas disparidades que dão ensejo à ação de risco, privilegiando aqueles servidores que, com sua atuação funcional, têm potencial de criar maior risco à governabilidade.
Um Estado moderno e democrático não pode conviver com essa disputa corporativa de seu monopólio de violência, independentemente de quem detenha esta ou aquela atribuição de agir.
 
 
O autor,Eugênio José Guilherme ,é subprocurador-geral da República, atualmente exercendo o cargo de corregedor-geral do Ministério Público Federal. É professor adjunto da Universidade de Brasília, doutor em Direito pela Ruhr-Universität Bochum (Alemanha) e mestre em Direito Internacional dos Direitos Humanos pela University of Essex (Inglaterra). Artigo Publicado originalmente no jornal de controle social Congresso em Foco.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

O triunfar das nulidades e a eleição de Fernando Henrique para a ABL



Com o triunfar de tantas nulidades, como diria Ruy Barbosa, tanto na política como no mundo intelectual, uma boa notícia. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi eleito nesta quinta-feira (27) para a ABL.A sessão para a eleição do novo ocupante membro da Academia Brasileira de Letras começou a portas fechadas por volta das 16h05. Eram 11 candidatos. Menos de dez minutos depois, houve o ritual. As chamas queimam os 39 votos. A esmagadora maioria foi para Fernando Henrique, 34. Houve quatro votos em branco e uma abstenção. A escritora e ex-presidente da ABL, Nélida Piñon, era uma eleitora entusiasmada com as contribuições que o novo acadêmico pode dar à casa. “Continuar sendo o intelectual que ele é. Produzindo os seus livros, fazendo suas palestras. Há de fazer muitas intervenções aqui no plenário. Estará à disposição da casa e quando eu digo ‘a casa’, não à disposição dos acadêmicos, mas do espírito da casa de Machado de Assis”, disse. 
O novo imortal governou o Brasil de 1995 a 2002 e deixou como principal "herança" o fim da inflação, através do Plano Real, idealizado por ele e um grupo de economistas durante sua passagem pelo Ministério da Fazenda.
Antes de chegar à presidência, foi senador por São Paulo, ministro das Relações Exteriores e ministro da Fazenda. Faz parte do grupo The Elders, criado por Nelson Mandela, e composto por dez líderes globais para defender a paz e os direitos humanos. É autor ou co-autor de 23 livros e mais de 100 artigos acadêmicos. Aos 82 anos, Fernando Henrique Cardoso vai ocupar a cadeira de número 36, que já foi do jornalista e escritor João de Scantimburgo, vaga desde março deste ano. “É o reconhecimento de tantas pessoas que têm pessoas de prestígio e importância, que contribuíram culturalmente. Os votos que eu recebi foram votos de reconhecimento à minha trajetória intelectual. Eu gostei imensamente do resultado”, disse o ex-presidente sobre o resultado da eleição.

Biografia

Natural do Rio de Janeiro, Fernando Henrique Cardoso é sociólogo e professor emérito da Universidade de São Paulo. Lecionou também no Chile, na França, na Inglaterra e nos Estados Unidos. 
Hoje, é membro de conselhos consultivos do Clinton Global Initiative e da United Nations Foundation e do grupo The Elders. Criado em 2007 pelo ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela, o grupo reúne líderes mundiais em torno de uma agenda de promoção da paz. Filho de militares, o ex-presidente foi casado por 56 anos com a antropóloga Ruth Cardoso (1930 – 2008), com quem teve três filhos. Formou-se em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP), da qual se tornou professor em 1952. Engajado nas lutas pela melhoria do ensino público, foi perseguido depois do golpe militar de 1964. Viveu exilado no Chile e na França, voltando ao Brasil em 1968. No ano seguinte, foi aposentado compulsoriamente e teve seus direitos políticos cassados pelo Ato Institucional nº 5.
Em 1974, coordenou a elaboração da plataforma eleitoral do MDB. Quatro anos depois, concorreu ao Senado pelo partido e foi eleito suplente de André Franco Montoro. Em 1983, com a eleição de Montoro para o governo de São Paulo, assumiu a vaga dele no Senado, pelo PMDB. Participou da campanha das Diretas Já e na articulação da candidatura de Tancredo Neves à Presidência, em 1984. Líder do governo no Congresso Nacional, FHC conduziu as mudanças na legislação eleitoral e partidária. Em 1985, foi candidato a prefeito de São Paulo e perdeu por 1,3% dos votos para o ex-presidente Jânio Quadros. No ano seguinte, reelegeu-se para o Senado com 6 milhões de votos e foi um dos relatores da Constituinte de 1988. No fim daquele ano, fundou o PSDB ao lado de Mário Covas, Franco Montoro, José Serra e outras lideranças. Em 1992, assumiu o Ministério das Relações Exteriores do governo Itamar Franco. Tornou-se, em seguida, ministro da Fazenda, mobilizando uma maioria parlamentar a favor do seu plano de estabilização, o Plano Real. Deixou o Ministério da Fazenda em março de 1994 para assumir a candidatura à Presidência da República pela coligação PSDB-PFL-PTB. Foi eleito presidente em primeiro turno, sendo reeleito em 1998, também em primeiro turno.

Depois de perder nos gramados, calote deve levar 7 de Setembro a enfrentar revés no campo judicial

                                  

Dias atrás leitor assíduo do blog pediu que o seu titular escrevesse sobre esporte.Infelizmente , caro leitor, as notícias não são boas.Depois de sofrer várias derrotas nos gramados e ser eliminado do campeonato estadual, vencido pelo CENE, o 7 de Setembro, time de Dourados, deve sofrer um revés no campo judicial.
O empresário do ramo alimentício Isaac dos Santos Dutra pretende entrar com uma ação judicial para receber, em espécie, o valor de cheque de número 000939, do banco Bradesco, no valor de R$ 7.500,00, emitido pelo presidente do clube, Benjamim Barbosa, como pagamento por refeições feitas por jogadores, pela diretoria e seus respectivos familiares em seu estabelecimento e sustado posteriormente pelo dirigente.
Segundo o empresário foram tentados vários entendimentos com o clube, que alega não ter como honrar o compromisso por conta de doações prometidas e não efetivadas e sugeriu que o mesmo tomasse as providências que achasse pertinentes para receber o valor pelos serviços prestados.