quinta-feira, 10 de abril de 2014

Senador "enrolado" desiste de vaga no TCU


O senador Gim Argello (PTB-DF) retirou ontem, quarta-feira (9), sua candidatura ao cargo de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). A decisão foi anunciada após manifestações contrárias à indicação do petebista por parte de servidores e até da presidência do tribunal. No Senado, a oposição indicou Fernando Bittencourt, consultor de orçamento da Casa para disputar a vaga. O senador é alvo de seis inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) e foi condenado em primeira e segunda instâncias pela Justiça do Distrito Federal. Por isso, ele foi acusado de não ter idoneidade moral e reputação ilibada, requisitos previstos na Constituição Federal para ocupantes do cargo de ministro do TCU. Em nota, o atual presidente do TCU, Augusto Nardes, pediu que fossem observados os requisitos previstos na Constituição para a escolha de ministros da corte. Citou que cabia a ele avaliar se o candidato a ministro tem “notórios conhecimentos jurídicos, contábeis, econômicos e financeiros ou de administração pública”, além de idoneidade moral e reputação ilibada. 
Com apoio do Palácio do Planalto, Gim foi indicado por meio de um projeto de decreto legislativo apresentado por Alfredo Nascimento (PR-AM), Eduardo Amorim (PSC-SE), Eduardo Braga (PMDB-AM), Eunício Oliveira (PMDB-CE), Francisco Dornelles (PP-RJ), Humberto Costa (PT-PE), João Vicente Claudino (PTB-PI), José Pimentel (PT-CE), Sérgio Petecão (PSD-AC) e Vicentinho Alves (SDD-TO). Para associações de servidores do TCU, Gim, além de não preencher os requisitos, estava fazendo chantagem para conseguir o cargo vitalício. Isso porque, no plano local, ele deixou de apoiar o governador do Distrito Federal, o petista Agnelo Queiroz, pré-candidato à reeleição, para compor chapa de oposição, encabeçada pelo ex-governador José Roberto Arruda (PR) e pela deputada Liliane Roriz (PRTB), que devem disputar o governo distrital como candidatos a governador e vice, respectivamente.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Artigo: Vereador pode propor sobre matéria financeira? Pode!!!!


Escrevo desta vez a respeito de um tema sobre o qual já publiquei, mas que ainda me intriga, e merece nova abordagem, desta vez em tom menos acadêmico, que permite atingir um público mais amplo, razão pela qual este espaço se mostra ideal. Trata-se da iniciativa de leis em matéria financeira, assunto que, curiosamente, ainda se mostra desconhecido não somente pelo público, mas também pelos maiores interessados nele, que são os parlamentares de todo o país. 
O processo legislativo, conjunto de atos por meio do qual são formadas as leis e demais normas que compõem nosso ordenamento jurídico, é basicamente composto de três fases. A iniciativa, por meio do qual o processo é deflagrado, a constitutiva, na qual se dá a tramitação e aprovação, e a fase de integração e eficácia, que compreende a promulgação e publicação. Embora seja um processo, em tese, próprio do Poder Legislativo, ele conta com a participação dos demais poderes, especialmente do Poder Executivo, que tem competência para a iniciativa em vários temas, cabendo-lhe ainda a sanção, na fase final de aprovação, além de muitas outras intervenções. No âmbito das finanças públicas, a distribuição das atribuições em matéria de processo legislativo mostra-se mais sensível, dado o grande poder envolvido no controle sobre os recursos públicos. 
Torna-se necessário construir um cuidadoso sistema que permita a participação dos poderes nesse processo de forma a evitar que uma desigual distribuição venha a permitir que um se sobreponha ao outro. Sendo o Poder Executivo o principal responsável pela condução da administração pública, a ele cabem importantes atribuições no processo legislativo orçamentário, destacando-se a iniciativa privativa (ou reservada) e vinculada dos projetos de leis orçamentárias anuais, de diretrizes orçamentárias e planos plurianuais (artigo 165 da Constituição). Trata-se de competência que lhe confere um grande poder, sendo, no entanto, coerente e necessária, até porque o Poder Executivo detém o comando da maior parte da administração pública, compreendendo os órgãos responsáveis pela arrecadação de recursos e de coordenação do processo de elaboração e execução orçamentárias. 
Mas há um aspecto extremamente curioso e que chama a atenção. Trata-se de fato sobejamente conhecido, sendo verdadeiramente “público e notório”, que são de iniciativa legislativa os projetos de lei em matéria financeira em geral, tais como os que envolvam gasto público, leis tributárias e outras questões orçamentárias. Iniciativa privativa esta que, em sendo aplicada — como de fato tem sido — aniquila quase toda a possibilidade de o Poder Legislativo iniciar o processo legislativo, pois passam a ser raros os casos de projetos de lei que tenham relevância e não envolvam as questões mencionadas. Como bem definiu recentemente o presidente da Câmara de Vereadores de São Paulo, vereador José Américo (PT), fica o Poder Legislativo “de mãos atadas”. O vereador queixa-se da impossibilidade de legislar sobre política tributária e de elaborar projetos que gerem despesas, sugerindo que se reflita sobre isso (“A ideia de que os Legislativos não podem elaborar projetos que gerem custos extras precisa ser revista”, diz ele), expressando o pensamento de quase todos os parlamentares do País, de todas as esferas de governo, e pede apoio em favor de emenda constitucional que restaure as prerrogativas do Poder Legislativo. 
A norma, no entanto, não precisa ser revista. E não precisa pelo simples fato de que tal vedação simplesmente não existe. Mas a “ideia” precisa. Curioso por saber a origem desta “vedação”, descobri-a consultando a Constituição anterior, na qual constava, em seu artigo 57, inciso I, que “é da competência exclusiva do presidente da República a iniciativa das leis que disponham sobre matéria financeira” (Constituição brasileira de 1967, com redação da Emenda Constitucional 1, de 1969; a Constituição de 1967, texto original, tinha a mesma redação, alterando-se o artigo, que era de número 60, I). Ocorre que tal dispositivo desapareceu na Constituição de 1988, não havendo, por conseguinte, porque prevalecer esta iniciativa privativa das leis que disponham sobre matéria financeira. Trata-se de norma que deixou de constar de nossos textos legais, mas que parece se recusar a sair do ordenamento jurídico, pois continua sendo cumprida, como se pode notar. 
Construção jurisprudencial, poder-se-ia cogitar. Também não. Submetida a questão à nossa Suprema Corte, pouco após a promulgação Constituição de 1988, o ministro Celso de Mello bem observou que “a Constituição Federal de 1988 não reproduziu em seu texto a norma contida no artigo 57, inciso I, da Carta Política de 1969, que atribuía ao Chefe do Poder Executivo da União a iniciativa de leis referentes a matéria financeira, o que impede, agora, vigente um novo ordenamento constitucional, a útil invocação da jurisprudência que se formou, anteriormente, no Supremo Tribunal Federal, no sentido de que tal constituía princípio de observância necessária, e de compulsória aplicação, pelas unidades federadas” (ADI-MC 352, relator ministro Celso de Mello, julgado em 28 de agosto de 1990). E completa e ratifica, pouco depois, em outro julgado, ao asseverar que a regra da iniciativa reservada é exceção, sendo aplicável somente se prevista expressamente no texto, não se presumindo nem comportando interpretação ampliativa (ADI 724-6/RS, relator ministro Celso de Mello, julgado em 7 de maio de 1992). 
A suposta restrição à iniciativa legislativa em matéria financeira não está nem na lei, nem na jurisprudência. E também na doutrina não encontra respaldo, pois, além do texto que escrevi, outros autores já haviam anteriormente sustentado esta mesma tese. E não há que se falar em eventual disposição legal expressa nesse sentido, nos demais entes da federação, estabelecendo a vedação para a iniciativa do Poder Legislativo nesta matéria, pois “as regras básicas do processo legislativo federal são de absorção compulsória pelos Estados-membros em tudo aquilo que diga respeito – como ocorre às que enumeram casos de iniciativa legislativa reservada — ao princípio fundamental da independência e harmonia dos poderes, como delineado na Constituição da República” (ADI 276-7/AL, relator ministro Sepúlveda Pertence, julgado em 13 de janeiro de 1997. 
Ouve-se dizer que, na administração pública, vigora o não escrito e não jurídico princípio do “sempre foi assim”, e talvez seja essa a explicação mais plausível para esse fenômeno, em que essa “norma” permanece plenamente eficaz, apesar de não mais existir! Para um país em que muitos se queixam das “leis que não pegam”, fica o registro, ainda que eventual, desta “lei” que “pegou” até demais, pois continua sendo cumprida mesmo depois de excluída do texto da Constituição... 
Não pode ser outra a conclusão: nossos parlamentares têm iniciativa para propor leis que disponham sobre matéria orçamentária (salvo, evidentemente, as leis orçamentárias – PPA, LDO e LOA), tributária, e mesmo as que envolvam aumento de despesa pública. E finalizo, com licença do presidente Barack Obama para adaptar seu slogan de campanha, mandando meu recado aos parlamentares de todo o país: yes, you can! 

*O autor, José Maurício Conti, é juiz de Direito em São Paulo, professor associado da Faculdade de Direito da USP, doutor e livre-docente em Direito Financeiro pela USP.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

No Dia do Autismo, associação chama a atenção ao diagnóstico precoce


Em comemoração ao Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado hoje, a Associação dos Pais e Amigos dos Autistas da Grande Dourados (AAGD) chama a atenção para a importância do diagnóstico precoce do distúrbio, responsável por afetar as habilidades sociais e de comunicação do indivíduo. Para comemorar a data, familiares de autistas preparam uma ‘blitz azul’, no sábado pela manhã, na praça Antônio João. 
A presidente da Associação, Ana Cláudia Brito, reforça a importância da família no processo de reconhecimento de alguns sintomas que podem evidenciar o transtorno, que aparece a partir de um ano de idade. “Com um ano e meio é possível diagnosticar o autismo e iniciar o tratamento”, explica Ana Cláudia. Dificuldade na fala e isolamento são os principais sintomas a serem reconhecidos ainda quando bebê. Mãe de um garoto autista com 10 anos, Ana Cláudia diz que ainda é pouco difundido informações sobre o autismo. “Não é vergonhoso ser mãe de autista, temos que encarar a realidade e fazer o possível para oferecer aos nossos filhos uma vida normal e saudável”, pontua, acrescentando que, embora não haja cura, a busca por tratamento auxilia no desenvolvimento físico e social do autista. Atualmente 30 famílias participam de encontros da Associação, mas estima-se que em Dourados tenha aproximadamente 200 autistas. A maioria talvez não foi diagnosticada ou passou por tratamento adequado. 
Ana Cláudia explica que nos últimos anos vários foram os avanços conquistados para o autista, como por exemplo, na educação. Os autistas estão inseridos no ensino regular e na escola (pública) possuem um professor que os acompanham Mas é realmente na saúde que existe um entrave, principalmente para famílias com poucas condições financeiras. Em Dourados há profissionais capacitados a diagnosticar e oferecer tratamento, no entanto, o Sistema Único de Saúde (SUS) ainda não está preparado para oferecer serviço especializado, somente particular. Para vencer essa barreira, a Associação luta pela construção de um centro de tratamento, com área pedagógica, piscina, quadra de esportes e atendimento médico multiprofissional. 
A entidade já ganhou o terreno, no Parque dos Coqueiros, e agora promove uma rifa para custear a escritura no valor de R$ 12 mil. A rifa, no valor de R$ 15, irá sortear um kit churrasco para uma confraternização de 30 pessoas. O sorteio é dia 26 de abril. Interessados podem entrar em contato pelos telefones (67) 3425-4608, 8468-1906 e 3426-8147. A entidade ainda busca apoio parlamentar para conseguir recursos para a construção do Centro de Tratamento.

                                                                                              (Com Douradosagora)

terça-feira, 1 de abril de 2014

Enrolado: Nelsinho é investigado por crime


O MPE (Ministério Público do Estado do Mato Grosso do Sul) decidiu converter em Inquérito Civil uma investigação sobre o ex-prefeito de Campo Grande e pré-candidato ao governo do Estado Nelson Trad Filho (PMDB). A informação foi divulgada no Diário Oficial do MP desta segunda-feira (31), dia em que Nelsinho deixou a assessoria do governador André Puccinelli para se dedicar aos preparativos da campanha. 
A Promotoria apura um suposto ato de improbidade administrativa na concessão de uma área pública de mil metros quadrados a quatro invasores, quando Trad Filho foi prefeito de Campo Grande. A assessoria de imprensa do préd-candidato afirmou que a denúncia é infundada, política e eleitoreira e disse também que o ex-prefeito já teria mandado documentos ao MP 'provando que isso não é verdade', conforme repercute o portal UOL. Além de Nelson Trad Filho, o ex-diretor-presidente da Emha (Agência Municipal de Habitação), Paulo Cesar de Matos Oliveira, também é investigado pela doação da área pública. O pré-candidato deixou a Secretaria estadual de Assuntos Extraordinários de Articulação, de Desenvolvimento Regional e dos Municípios do Governo, nesta segunda-feira (31), visando tornar-se apto a concorrer às eleições para substituir o governador André Puccinelli em Mato Grosso do Sul.

                                                                                                        (Douranews)

Seguindo trilha do pai, filho de Almir vai atuar em novela


Seguindo as trilhas do pai, o "nosso" Almir Sater, o violonista Gabriel Sater irá estrear na nova novela das seis 'Meu Pedacinho de Chão'. Esse será seu primeiro trabalho como ator. Ele vai interpretar Viramundo, um violeiro cheio de charme, que zanzava pelo mundo até parar na Vila de Santa Fé, depois de conhecer Milita, vivida pela atriz e modelo Cíntia Dicker. 
Viramundo vai aparecer soltando a voz em vários capítulos, especialmente para ganhar o coração da moça. “O Benedito já coloca as músicas em alguns capítulos. Eu fiz novos arranjos para esses clássicos, como, por exemplo, “Casinha branca”, que eu toco nos meus shows”, explica Gabriel, sobre a canção composta por Elpídio dos Santos. O músico é tão íntimo desse universo que, curiosamente, já tinha até gravado um DVD em homenagem ao compositor. 
Inspirado no personagem, Gabriel até compôs uma música nova: “Eu estava conversando com o Luiz, sobre o amor do meu personagem pela Milita. Há muito tempo eu queria fazer uma música para ruiva. Todo lugar que você olha tem ruivas lindas. Ela se chama “Cabelos de Fogo”. É uma parceria com o Luiz Carlos Sá feita especialmente para a novela e está no meu disco, por sinal.” Gabriel já está gravando a todo o vapor. “Tenho certeza que quando acabar a novela vou sentir uma saudade imensa. É um elenco tão unido, que teve uma preparação tão intensa, tão especial. Todo mundo que já tem uma experiência grande fala “olha, isso aqui é único”.
O músico pretende conciliar os shows com a carreira de ator, no futuro. “Sem dúvida. Me pegou de jeito, tomei uma lambada de serpente, como diria Djavan, que tô até agora meio tonto. Nunca imaginei que eu ia me apegar tanto. Quando eu entro na cidade cenográfica, eu me permito não ser mais eu. E isso é muito gostoso, nunca tinha vivenciado isso. É um pouco viciante”, confessa.

                                                                                                            (Blog, com douradosnews)

Trabalho de Silas Zanata transforma Indápolis em um ‘canteiro de obras’



O trabalho do vereador Silas Zanata (PV) tem resultado em diversas melhorias para o distrito de Indapólis. Através de ações do mandato do vereador, o distrito se transformou nas últimas semanas em verdadeiro ‘canteiro de obras’, com execução de diversos serviços e benfeitorias por parte da Prefeitura de Dourados. Entre os serviços solicitados por Silas Zanata e que estão sendo realizados pela administração municipal em Indápolis está a troca de lâmpadas e luminárias, limpeza da praça, cascalhamneto das ruas não pavimentadas, a retomada das obras de reforma e ampliação do posto de saúde, além da continuidade dos serviços de patrolamento, implantação de caixas de retenção e troca de ponte no Travessão do Guanandi. Satisfeito com a execução dos serviços, o vereador agradeceu a atenção do prefeito Murilo Zauith com a zona rural e com os distritos de Dourados. 
Conforme Silas, a Prefeitura de Dourados não vem medido esforços e dentro das possibilidades tem atendido às principais reivindicações dos moradores do distritos e da zona rural do município. “Estamos trabalhando para representar da melhor forma possível a população dos distritos e da zona rural. Todas às reivindicações estão sendo encaminhadas e, através da parceria com a Prefeitura de Dourados, estamos podendo atender boa parte das melhorias solicitadas pelos moradores, como essas em Indápolis”, destacou Silas Zanata. 

LOMBADAS 

Outra importante conquista do mandato do vereador do PV para o distrito de Indápolis é a implantação de lombadas eletrônicas, decidida após visita técnica do diretor de Trânsito do Detran (Departamento Estadual de Trânsito), João Neves Chamorro, do presidente da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito) Walter Hora e de Cleverson Correa - representante da empresa Perkons, terceirizada contratada pelo Detran para instalação dos equipamentos.A primeira de três lombadas solicitadas por Silas Zanata será implantada na avenida São Vicente de Paula, próxima à “Lanchonete do Zino”. 
“A instalação de lombadas eletrônicas é uma reivindicação antiga dos moradores do distrito e se faz necessária porque o trecho citado é uma rodovia que atravessa a localidade e por onde trafegam, além de veículos dos moradores, caminhões, ônibus e carretas”, diz Silas, observando ainda que o perigo é constante e “a implantação de lombadas eletrônicas, além de ordenar o trânsito no local dará mais segurança a todos, evitando acidentes”. Aproveitando a presença do diretor da Agetran no distrito, Silas Zanata indicou locais que necessitam de implantação de sinalização horizontal e vertical e de placas indicativas. 

Alguns relatos de vitimas da ditadura em MS


O historiador e militante Eronildo Barbosa
Há exatos cinquenta anos atrás, o Brasil viveu um dos momentos mais marcantes da história política da nação. O Golpe Militar de 64 tirou o então presidente, João Goulart, do poder e marcou o início de um período de medo e repressão. O clima de conspiração já tomava conta da noite do dia 31 de março de 1964 em todo o Brasil. Na manhã do dia seguinte, primeiro de abril, já estava deflagrado o golpe militar contra o governo do então presidente João Goulart. Era o início de duas décadas de repressão e violência. 
Assim como em todo o país, em mato grosso do sul lideranças políticas, estudantis e mesmo pessoas que não tinham envolvimento com os setores organizados da sociedade civil foram perseguidas e presas. Militante do movimento estudantil, o ex-senador Valter Pereira foi um dos detidos. “Quando chegava na confluência da rua Dom Aquino com a rua 13 de Maio em frente do inexistente Bando da Lavoura de Minas Gerais, ali eu fui interceptado, os agentes estavam em uma perua Rural Wilis que era muito utilizada nessa época e já me deram voz e prisão ”, diz o ex-senador. Foram seis dias presos no chamado Cadeião, que funcionava onde hoje está o fórum de campo grande, na rua da paz e outros seis no quartel militar, na avenida Afonso Pena. Ele conta que os detidos sofriam intensa tortura psicológica. “As notícias que chegavam eram as mais estapafúrdias, por exemplo, davam conta de que nós seríamos encaminhados para o navio Raul Soares que estava atracado a costa do Nordeste e de lá seríamos encaminhados para alto mar, onde seríamos despejados, outra notícia que chegava com frequência é que nós seríamos levados para base naval de Ladário de onde seríamos conduzidos também em navio para o Rio Paraguai ode teríamos o mesmo destino”, relata Valter. 
Mesmo com o Golpe Militar já consumado existia uma resistência por parte dos apoiadores do João Goulart. Em Campo Grande trabalhadores, sindicalistas e opositores ao regime militar se reuniam em uma casa onde funcionava o Sindicato da Construção, na esperança de que houvesse uma reação ao Golpe. O imóvel, hoje desocupado, era, segundo o historiador Eronildo da Silva Barbosa (amigo pessoal do titular do Blog), espaço de intensa discussão política. “No dia 2 de abril de 1964 estavam reunidos dezenas de sindicalista de vários sindicatos, e pessoa que tinham vinculadas alguma atividade política e que estavam procurando informações da CGT ou mesmo informações interligadas ao governo do João Goulart de que papel ele ia cumprir, que tipo de reação ia acontecer , se iam enfrentar os golpistas , se não iam e o exército e a polícia cercou o sindicato, prendeu quem estava aqui principalmente os dirigentes que tinham um papel mais políticos”, diz o historiador. Alarico e Santa Rosa, ligados ao partido trabalhista brasileiro, também foram presos logo nos primeiros dias. Alarico, amigo de João Goulart e Brizola estava no Rio de Janeiro e sabia que seria detido ao chegar em Campo Grande. “Eu fui lá e me apresentei ao coronel comandante, ele deu um show deprimente, uma covardia sem limite, ele tinha o poder na mão, era o coronel comandante, e eu estava ali desarmado, completamente isolado no gabinete dele e ele passeou na sala em altas vozes: A revolução começou errada tinha que ter corrido sangue, porque aí eu já sabia o que fazer com você”, relata o aposentado, Alarico Reis D'ávila.
“O que acontecia era o seguinte eu nunca fui comunista e não tenho nada contra os comunistas, mas eles viravam os comunista ou subversivo, era taxado não escapava”, diz o aposentado Luiz Gonzaga de Santa Rosa. Eles ficaram presos em uma guarnição do batalhão de polícia, na rua Bahia. Não chegaram a sofrer tortura física, mas eram obrigados a assistir à violência dos militares. “A tortura era psicológica e chamar como preso para assistir um vereador de Rio Verde chamado Antides de Souza Guedes ser torturado para mim foi igual a ser torturado, assisti aquela tortura sem poder fazer nada covarde choque elétrico”, diz Alarico. Santa rosa ficou 28 dias preso. Ele conta que o colega Alberto Neder, médico, foi vítima de uma prisão extremamente violenta. “Ele entrou em Campo Grande na carroceria de um caminhãozinho amarrado, uma humilhação dos diabos”, diz Santa Rosa. Jornais da época, sob a sombra da repressão, não noticiavam os atos militares. 
Uma lacuna na história que vem sendo preenchida. Os fatos ocorridos durante a ditadura militar no Estado são levantados pelo Comitê Memória, Verdade e Justiça de Mato Grosso do Sul. “Tem sido procurado o comitê e sendo feitos vários registros, como por exemplo a questão do jornal o democrata que foi um jornal empastelado, os jornalistas e dirigentes presos e empresários que tinham investimentos promissores na região foram perseguidos e todo seu capital encampado pela ditadura, tem casos registrados de dois cidadãos que sofreram torturas nas dependências do exército situados na avenida Duque de Caxias, que estão registrados”, diz o presidente comitê memória, verdade e justiça, Lairson Palermo. Os registros vão contribuir para os trabalhos do Comitê Nacional da Verdade.